Na verdade, aos olhos dela, Rodrigo também carregava a essência de um homem de negócios, mas a sua aura de nobreza acabava por encobri-la.
— Eu não sei por que ele deixou a política pelos negócios. — Tudo o que a Dra. Barros sabia vinha de sua mãe, e, sendo a sua mãe apenas a diretora de um modesto orfanato, não teria como saber de muitos detalhes.
— A minha mãe até comentou que o Sr. Siqueira se casou cedo, mas demorou a ter filhos. Parece que ele já beirava os trinta quando o primeiro nasceu. Talvez tenha sido por causa da família? Mas a vida familiar e a carreira política não costumam entrar em conflito. — refletiu ela, após ponderar um instante.
— Quando o Douglas nasceu, o Sr. Siqueira tinha vinte e nove anos, e, quando a Lucinda nasceu, ele tinha trinta e um. — concordou Rodrigo, acenando com a cabeça.
— Naquela época, ter filhos com essa idade era, de fato, considerado um pouco tarde. — observou a Dra. Barros.
— Sendo assim... — Inês interveio no momento oportuno, lembrando-se da figura elegante e humilde do Sr. Siqueira que havia conhecido. — O Sr. Siqueira já deve ter quase sessenta anos.
— Ele vai celebrar o seu sexagésimo aniversário este ano. — disse Rodrigo.
— Achei que ele tivesse, no máximo, cinquenta. — Inês ficou ligeiramente surpresa.
— A mãe do Douglas, a Sra. Lessa, tem cinquenta e quatro anos este ano, mas cuida tão bem da pele que aparenta ser muito mais jovem. O Sr. Siqueira também deve ter os seus cuidados. — explicou Rodrigo em um tom calmo.
A Sra. Paz, com os seus quarenta e nove anos, também se cuidava muito bem, às vezes, quando saía com Alice, as duas eram confundidas com irmãs gêmeas.
A Sra. Lessa e Lucinda passavam pela mesma situação.
No entanto, ninguém achava que a Sra. Lessa e Lucinda se pareciam.
Rodrigo teve uma vaga sensação de que algo não se encaixava.
Era como se houvesse um segredo encoberto por uma densa neblina, bastaria estender a mão e dissipá-la para enxergar o que estava oculto.
Porém, naquele momento, ele não tinha por onde começar a procurar.
Ninguém estendeu aquele assunto, afinal de contas, tratava-se de questões familiares alheias.
De acordo com o itinerário planejado por Inês, aquela tarde seria dedicada a levar a Dra. Barros e Mike ao Parque Zoobotânico.
Foi exatamente esse gesto que, de repente, fez a Dra. Barros se lembrar do seu encontro com o então Secretário Siqueira, anos atrás.
— Dra. Barros, então esta é a preciosa filha de quem a senhora tanto fala. — O Secretário Siqueira dissera com um sorriso, ajeitando também os óculos na ponte do nariz na ocasião.
Depois de a sua mãe confirmar com um sorriso, elas observaram o Secretário Siqueira partir.
Como o momento foi muito breve, a memória havia ficado embaçada.
Porém, após ver o Sr. Siqueira naquela manhã e agora testemunhar Inês ajeitando os óculos, ela, quase por instinto, ligou as duas imagens. De repente, percebeu que Inês se parecia um pouco com o Secretário Siqueira na sua juventude.
Ela não sabia se a sua mente estava pregando peças, mas, depois de fazer aquela associação, quanto mais olhava, mais parecidos os dois lhe pareciam.
— Como se parecem... — murmurou a Dra. Barros suavemente.
— Hum? — Inês perguntou, confusa. — Parece com o quê?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...