Foi por isso que Robson perguntou ao filho se ele percebia a gravidade do seu erro.
Douglas continuou de cabeça baixa, recusando-se a dizer uma palavra.
Robson estava de olhos fechados, e a luz trêmula das velas acesas na capela dançava suavemente sobre o seu rosto.
— Você sabia que Julieta Lima fez os quatro anos de casamento da sua própria irmã, Inês, virarem uma piada?
— Quando você se juntou a estranhos para prejudicar a sua própria irmã, imaginou que esse dia chegaria?
— Douglas, o fato de você estar ajoelhado aí por vontade própria mostra que já se deu conta de quão estúpido foi. — A voz de Robson soou serena, mas firme. — Inês não me reconhece, não reconhece a sua mãe, e muito menos vai reconhecer você como irmão.
A cabeça de Douglas pendeu ainda mais.
— Eu também sou culpado. — Robson abriu os olhos lentamente e também se ajoelhou. — Eu não deveria ter tomado aquela decisão errada no passado. Tentei pensar no bem-estar de todos, mas falhei justamente em considerar os sentimentos da minha filha. Eu errei com ela.
— Pai, o que o senhor quer dizer com isso? O que o erro da enfermeira tem a ver com o senhor e com a mamãe? — Douglas ergueu os olhos devagar, encarando o perfil cheio de culpa do pai com uma expressão de dúvida.
— Não foi um erro... — murmurou Robson, baixando a cabeça.
— Robson! — gritou Nara, que chegou à capela exatamente a tempo de ouvir a troca de palavras entre pai e filho. Como um gato que teve o rabo pisado, ela soltou um guincho estridente e correu para dentro, as pernas fraquejando ao cair diante de Robson.
— Você realmente precisa falar sobre isso na frente do nosso filho? — Ela agarrou os braços do marido com força, os olhos esbugalhados e os lábios trêmulos.
Robson observou o estado miserável da esposa, com uma dor semelhante transparecendo em seu próprio olhar.
— Mãe, o que a senhora está fazendo aqui? — Douglas estendeu as mãos para ajudá-la a se levantar.
— Pare de se ajoelhar, a capela está muito fria, seus joelhos vão doer se ficar assim por muito tempo. Levante-se, venha para casa com a mamãe. Vamos para casa. — Nara retribuiu o gesto, agarrando o braço do filho numa tentativa de puxá-lo para cima também.
Douglas, porém, não se moveu.
— Mãe, eu não quero ir para casa ainda. Preciso de um momento sozinho para colocar a cabeça no lugar.


Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...