Tendo uma mente pura e inocente, Mike ignorava as nuances emocionais entre os adultos. Ele escutava a explicação da sua irmã com atenção, manifestando-se de vez em quando para repetir o nome das flores.
Ao ouvir Mike repetir o que ela dizia, um sorriso sutil desabrochava no rosto de Inês.
Rodrigo, que a acompanhava em silêncio, ficava invariavelmente hipnotizado a cada leve sorriso dela, retribuindo-o logo em seguida com um sorriso discreto. Avistando um quiosque que vendia bebidas, Rodrigo se aproximou e comprou quatro garrafas de água.
Ele entregou uma para a Dra. Barros, outra para Mike e, por fim, abriu a tampa da última garrafa antes de oferecê-la a Inês.
— Obrigada. — Inês pegou a garrafa, tomou um gole e lançou o olhar para a tampa na mão de Rodrigo. Ele, então, estendeu a mão, recolheu a garrafa, rosqueou a tampa e guardou-a na sacola plástica transparente que segurava com os dedos.
As duas garrafas de água bateram uma na outra com um leve clique.
No jardim botânico, Inês avistou orquídeas-negras, e Mike repetiu as suas palavras: — Orquídea-negra, é bonita.
Lembrando-se do vaso de orquídeas-de-inverno na cabeceira da sua cama, Inês acrescentou repentinamente: — A orquídea-de-inverno também é muito bonita.
— Entre a orquídea-negra e a orquídea-de-inverno, de qual você gosta mais? — Rodrigo, sabendo de imediato que ela falava do vaso que ele mesmo havia lhe dado, aproveitou a deixa para perguntar.
Inês não respondeu.
— Da orquídea-negra? — insistiu Rodrigo.
Inês continuou em silêncio.
— Então é da orquídea-de-inverno.
— ...
Rodrigo a encarava nos olhos, com uma expressão que dizia que não lhe daria trégua até que ela confirmasse acenando.
Inês assentiu com a cabeça.
Era a mais pura verdade.
Ela preferia a orquídea-de-inverno.
— E como foram os seus quinze anos? — perguntou Rodrigo.
— Estudando para as provas. — respondeu Inês.
Para conseguir deixar para trás o emaranhado de montanhas que cercava a Cidade GIO, ela precisara dedicar muito mais tempo e esforço do que os demais.
Rodrigo não precisou perguntar para ter a certeza de que Inês nunca havia pisado num zoológico, e muito menos num parque de diversões. — Sendo assim, convido a Inês de quinze anos a vir comigo. — propôs ele, prontamente.
Inês olhou para ele, intrigada, mas deixou-se guiar pelo seu olhar. Caminharam juntos até pararem diante do recinto dos flamingos.
— Inês de quinze anos, serei o seu guia de hoje. — A voz profunda e aveludada do homem ecoava com suavidade nos ouvidos da jovem.
— Os flamingos receberam esse nome devido à plumagem avermelhada e ardente como o fogo que os veste.
— O flamingo é uma ave monogâmica e que mantém parcerias sólidas, sendo o símbolo máximo da fidelidade eterna.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...