Pelos cálculos dela, Julieta ainda precisava de pelo menos trinta ou quarenta milhões para tapar aquele buraco.
O Sr. Ximenes sempre se dedicou exclusivamente à vida acadêmica, de onde tiraria tanto dinheiro?
Seria dos tios de Julieta? De acordo com as informações que havia coletado, aqueles dois não pareciam o tipo de pessoa que prestaria solidariedade à sobrinha num momento de crise.
Era preciso colocar alguém para monitorar a situação.
Como fotógrafa, Lucinda tinha contatos espalhados por todo canto, então encontrar alguém para fazer aquele serviço seria a coisa mais fácil do mundo.
Com tudo resolvido, Lucinda embarcou no voo de volta para a Cidade Balma.
Ao mesmo tempo, a Dra. Barros também pegava o voo de volta à Cidade GIO.
Gustavo e a Sra. Paz também já estavam a caminho de casa.
— Pai, eu prefiro não ir a esse almoço — disse Douglas, que estava ao lado de Robson quando ele marcou o encontro com os dois.
No fundo, ele simplesmente não queria ver a cara de Rodrigo.
— O feriado de Ano Novo já acabou. Você não vai voltar para o escritório de advocacia? — perguntou Robson, sem demonstrar surpresa.
— Por enquanto não — respondeu Douglas.
Ele não teve coragem de confessar que queria ficar mais tempo na Cidade Alvorecer para fazer companhia a Julieta. Afinal, eles mal tinham começado a namorar, não podiam entrar logo num relacionamento à distância.
— Você por acaso acha que ainda é sócio do escritório? — indagou Robson, lançando-lhe um olhar estranho.
Douglas congelou por um momento.
O que ele queria dizer com aquilo?
— Você logo vai descobrir como a liberdade que você tanto persegue é exatamente o que vai acabar te deixando sem liberdade. A base financeira é o que sustenta a sua vida. É um princípio tão simples, e, mesmo beirando os trinta anos, você ainda não aprendeu — disparou Robson, sem sequer olhar para o filho.
Douglas percebeu um tom pesado de decepção na voz do pai.
Antes que ele pudesse questionar, seu assistente lhe ligou.
— Sr. Siqueira, o Sr. Dias me pediu para avisar que o senhor deve bater o ponto amanhã às nove da manhã no escritório. É bom que chegue mais cedo, pois ainda precisará esvaziar a sua sala — disse o assistente ao telefone, com uma voz levemente cautelosa.
— Você mesmo é advogado, Douglas. Sabe muito bem que não cumprir com as obrigações de capital, afastar-se prolongadamente das funções e não gerar lucros são motivos mais do que suficientes para destituir um sócio. Uma deliberação interna leva apenas um dia e o registro oficial pode sair em uma semana, se o trâmite for rápido. Estou certo? — continuou Santiago.
O rosto de Douglas ficou pálido como cera.
— Talvez, em vez de ficar aqui brincando de namorado, você devesse voltar para a Cidade Balma e resolver esse problema espinhoso. Afinal, todo o dinheiro que tinha disponível você entregou de bandeja para a Julieta. Se não começar a gerar renda, muito provavelmente você não conseguirá nem... — Robson virou-se e o interrompeu.
— ...sustentar a si mesmo, quem dirá bancar uma namorada — completou ele, medindo o filho de cima a baixo e observando aquelas roupas de grife.
Sem alternativas, Douglas teve que voltar às pressas para a Cidade Balma, a ponto de só conseguir se despedir de Julieta por telefone a caminho do aeroporto.
Com as duas crianças fora da Cidade Alvorecer, Santiago soltou um leve suspiro de alívio e, no segundo seguinte, comunicou outro fato a Robson.
— A Lucinda tem estado muito próxima da Julieta. Inclusive, antes de ir embora hoje, ela foi se encontrar com ela.
— E mais uma coisa... — A expressão de Santiago se tornou sombria. — A empregada de casa relatou que, da última vez que Lucinda passou por lá, não houve nenhuma anormalidade, exceto por um detalhe: a cunhada deu falta de uma escova de dentes usada.
A "cunhada" a quem Santiago se referia era Nara, a esposa de Robson.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...