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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 608

— Aquela é a minha cunhada! É tudo um mal-entendido, só um mal-entendido! Eu acabei de chegar, não posso cometer erros, por favor... — choramingou ela, virando-se afobada para tentar se justificar com o gerente do shopping.

— Mariana, não use o termo "cunhada" para me insultar — disse Inês, interrompendo os passos e olhando para trás.

— Como você consegue ser tão cruel? Você contratou um advogado implacável que fez com que o meu irmão ficasse sem um centavo furado, e todo aquele dinheiro acabou indo parar no seu bolso! Se não fosse por isso, eu jamais teria chegado ao fundo do poço! Eu perdi o meu carro, a minha casa, as minhas joias, as minhas bolsas, fiquei sem nada! — choramingou Mariana, fazendo-se de vítima.

— Esse dinheiro, em minhas mãos, só serve para acumular virtudes em nome da Família Rocha — rebateu Inês.

Ela segurou a mão de Mike e eles foram embora rapidamente.

O bom humor que ela estava para fazer compras quase foi completamente destruído pelo simples som de Mariana chamando-a de "cunhada".

— Irmãzinha — chamou Mike, percebendo o aborrecimento dela.

— Não é nada, Mike. Vamos para outro lugar — disse Inês, soltando um longo e suave suspiro.

No final, graças a todas as coisas que compraram para Mike, o humor de Inês foi melhorando aos poucos.

Ela chegou a se preocupar que, de tantas sacolas, os três não conseguiriam carregar tudo de volta, mas acabou se esquecendo que bastava Rodrigo informar o endereço e os funcionários da loja entregariam as roupas direto na casa deles, permitindo que andassem com as mãos livres.

A Sra. Silveira já tinha deixado o jantar pronto, apenas aguardando a chegada deles.

— A Sra. Paz voltou, então eu preciso ir para a minha casa — avisou Rodrigo, ao deixá-los na porta.

— Coma bem e descanse bastante. Amanhã a Sra. Silveira trará as roupas do Mike.

Ele a instruiu como se falasse com uma criança sob os seus cuidados da qual ele não conseguia desgrudar o olho.

Até então, Inês só sentia que a tratavam como uma criança — apesar dos seus vinte e oito anos de idade — quando estava com a Dra. Barros ou com a Dona Cláudia.

Agora, ela tinha que adicionar Rodrigo a essa lista.

— Mike, venha beber um pouco de água. O passeio de hoje te deixou exausto, não é? — A Sra. Silveira chamou o garoto para dentro.

— Pode deixar — respondeu ele. Mesmo que ela não pedisse, ele certamente faria isso.

Ele retornou à antiga mansão da família.

A Sra. Paz estava sentada no sofá, folheando o álbum vermelho com detalhes dourados. Aquele objeto, inclusive, tinha feito parte do seu enxoval de casamento.

— Pai, mãe — cumprimentou Rodrigo, sentando-se ao lado da mãe após um gesto dela. Juntos, fixaram os olhos em Robson na foto.

— Em relação àquela pergunta que você me fez ontem por telefone, não é que eu nunca tivesse pensado nisso. Desde a primeira vez que vi a Inês, tive a impressão de que ela lembrava muito o Robson quando jovem. Só que eu jamais ousei desconfiar. Você sabe por quê? — perguntou a Sra. Paz, tirando a foto do álbum.

— Por quê? — indagou Rodrigo, com a voz grave.

— A Lucinda, afinal, não se parece nem com o Sr. Siqueira e nem com a Sra. Lessa — acrescentou ele.

— Acontece que, anos atrás, a Família Siqueira fez um exame de DNA na Lucinda pelas costas de todo mundo, e ficou comprovado que ela é, de fato, filha biológica do Robson e da Nara — explicou a Sra. Paz, olhando fixamente para o filho.

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