No fim das contas, Alice não dormiu no sofá. Ela ligou para Inês enquanto voltava para o próprio quarto. Assim que fechou a porta, começou a resmungar sem parar.
— Meu irmão realmente parece ter algum problema mental. Se não fosse pelo fato de ele ser rico e bonito, eu diria que ele não é digno de você!
Ao ouvir aquelas palavras, a mão de Inês parou por um momento sobre os documentos que estava folheando.
— Mas essas duas vantagens do meu irmão podem derrotar a maioria dos caras. Ele poderia até construir um laboratório exclusivo para você e contratar a melhor equipe do mercado para te auxiliar. E o fato de ele ser bonito torna tudo ainda melhor. O amor pode até não encher a barriga, mas olhar para o rosto dele já melhora o humor. E quando o seu humor não estiver bom, é só mandar ele sair para faturar como acompanhante e entregar todo o dinheiro para você.
Inês não conseguiu evitar um riso.
— Alice, você tem certeza de que ele é seu irmão?
— Mais certeza, impossível. — Alice respondeu. — Somos idênticos. Nos parecemos tanto com nossos pais que não daria para fingirmos não ser irmãos nem se quiséssemos. Só podemos nos odiar secretamente.
— Acho que ainda não te contei a história de que meu irmão era como uma "bola", não é? Vou te contar todos os detalhes. Então...
Alice iniciou seu modo de contadora de histórias.
Inês aos poucos foi deixando de lado o que estava fazendo. Ouvindo os relatos exagerados de Alice, tornou-se ainda mais fácil imaginar o Rodrigo daquela época, uma verdadeira "bola". Imaginou-o nascendo e descobrindo que só possuía a mãe e, de repente, num certo dia, esbarrando na ignorância de ver um pai aparecer do nada.
Como será que era a aparência de Rodrigo durante a infância?
Ela não apenas havia prestado total atenção na história, mas também criado associações e alimentado a própria curiosidade.
Inês já estava deitada na cama. Virou-se, de costas para a luz fraca do abajur, e olhou para a orquídea de inverno na mesa de cabeceira, repleta de botões prestes a desabrochar.
Enquanto observava, adormeceu.
Após uma ótima noite de sono, somada ao fato de ter dormido mais cedo que de costume, quando Inês abriu os olhos, o despertador configurado por Rodrigo ainda não havia tocado.
Ela se arrumou, saiu do quarto e sentiu o aroma do café da manhã exalando da cozinha.
Desde que Mike passara a morar com ela, a Sra. Silveira chegava pela manhã e ia embora à noite.
— Bom dia, Sra. Silveira.
— Bom dia, Sra. Jardim. Acordou cedo. Dormiu bem a noite passada?
Com isso, a Sra. Silveira preparou o café da manhã com ainda mais entusiasmo.
Inês ergueu a mão e bateu na porta.
Em pouco tempo, Mike abriu. Ele já estava vestido e aguardava obedientemente, ainda usando as mesmas roupas que vestia quando chegou.
— Mike, as roupas que compramos ontem acabaram de ser entregues. Vamos levá-las para o seu quarto e você poderá vestir algo novo.
Mike murmurou de forma desajeitada as palavras "roupa nova" e depois, lentamente, agradeceu à sua irmã mais velha.
Ele não sabia o que escolher e pediu para que Inês decidisse.
Embora Inês quisesse estimular intencionalmente a autonomia dele, ela não forçaria isso de imediato, já que Mike acabara de chegar e ainda estava bastante tímido.
Inês escolheu para ele um moletom flanelado.
Após colocar a roupa nova, Mike pareceu muito mais limpo e fresco. Ficava paradinho e calado, quando mandavam sentar, ele sentava. No entanto, ele não podia tomar café da manhã, pois precisava realizar os exames no hospital em jejum, e só poderia comer após finalizá-los.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...