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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 629

A Sra. Silveira embalou o jantar com cuidado e o levou para o Grupo Simões.

Ela trabalhava como governanta para a Família Simões desde os vinte e poucos anos. Primeiro, serviu ao Sr. Simões, e depois, ao jovem mestre. Para ela, além da mudança de endereço, o Grupo Simões permanecia o mesmo, tanto que ela ainda possuía acesso livre pelas catracas.

Ao subir pelo elevador dos funcionários até o último andar, encontrou um corredor bem iluminado, mergulhado em um silêncio absoluto.

A Sra. Silveira bateu na porta do escritório da presidência, mas não houve resposta. Enviou uma mensagem ao jovem mestre e, novamente, foi ignorada.

Diante dessa situação, deduziu que ele estaria na sala de reuniões.

Ao bater na porta da sala de reuniões, suas suspeitas se confirmaram quando o jovem mestre abriu a porta e saiu.

— Sra. Silveira? — Rodrigo ficou surpreso com a visita. Fazia anos que a Sra. Silveira não pisava no Grupo Simões.

— A Sra. Jardim disse que o jovem mestre trabalharia até mais tarde e me pediu para trazer. — A Sra. Silveira entregou-lhe a lancheira térmica.

— Quem? — Rodrigo paralisou por um instante.

— A Sra. Jardim! — A Sra. Silveira abriu um sorriso.

Inês?

Aquilo pegou Rodrigo totalmente de surpresa.

A única coisa que ele ousara imaginar era que Inês pedisse à Sra. Silveira para preparar algo e esperá-lo voltar para casa.

Mas uma atitude tão proativa assim...

— Custa a acreditar, não é, jovem mestre? — A Sra. Silveira ria com gosto. — Sabe, a comida às vezes é como as pessoas. Quando alguém faz questão que você coma, é porque tem você no coração. Preocupar-se se você está com fome a ponto de mandar entregar o jantar é uma demonstração de carinho mais do que evidente.

Rodrigo pegou a lancheira térmica. O calor do alimento transpassava o recipiente, aquecendo também o seu peito.

— Verdade? — Ele parecia ainda não acreditar totalmente.

— A Sra. Jardim é uma pessoa mais calma e reservada. Ela não é como a senhorita, que deixa estampado no rosto e grita aos quatro ventos o que gosta, o que odeia ou o que quer. É a natureza dela. — A Sra. Silveira assentiu com firmeza.

— Inês é exatamente assim. — Rodrigo concordou.

— O jovem mestre estava em reunião? — A Sra. Silveira espiou a sala de reuniões de soslaio.

— Estava apenas projetando alguns documentos na tela grande para facilitar a leitura. — Rodrigo balançou a cabeça.

Ele lançou um olhar rápido para o aparelho da governanta. Sabia perfeitamente bem que a destinatária daquele "telegrama" era Inês.

— Só estou passando um relatório. — A Sra. Silveira deu uma risadinha sem graça.

— Eu mesmo dou o relatório. — retrucou Rodrigo.

— Sendo assim, tudo bem. — A Sra. Silveira guardou o celular.

Rodrigo pegou o próprio aparelho. Ao tirar uma foto do jantar à sua frente, não conseguiu evitar que os cantos dos lábios se erguessem. A atmosfera pesada que carregava na sala de reuniões dissipou-se por completo.

Aquele jantar havia sido enviado por Inês, através da Sra. Silveira.

Inês estava pensando nele.

Fosse para falar ou para comer, Rodrigo sempre agia sem pressa, com uma calma inabalável, habituado a comer apenas o suficiente para se satisfazer. Contudo, naquela noite, ele limpou as bandejas, não deixando sobrar nada da sopa e dos três acompanhamentos que a Sra. Silveira trouxera.

— Jovem mestre, tire uma foto dos pratos vazios para mostrar à Sra. Jardim que o senhor comeu tudo. — fez questão de lembrar a Sra. Silveira.

Com naturalidade, Rodrigo tirou a foto e a enviou. Em seguida, ficou encarando a tela do celular, parecendo uma criança na expectativa de receber um elogio.

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