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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 710

Ouvindo os ruídos, Rodrigo perguntou:

— O que está fazendo?

— Mexendo naquelas minhas coisas antigas — respondeu ela. Na verdade, nem a própria Inês sabia bem o que estava fazendo ali, mas quando colocou todos os objetos à sua frente, subitamente percebeu que não era tão indiferente à sua origem quanto pensava.

Observando aquela manta gasta e antiga, Inês de repente chamou:

— Rodrigo.

— Hm? — Rodrigo hesitou a princípio, mas logo concluiu que ela talvez só quisesse chamá-lo, respondendo com mais firmeza: — Estou aqui.

Inês acariciou suavemente a manta azul que, embora não tivesse sido comprada para celebrar seu nascimento, fora a única fonte de calor quando a abandonaram no meio da neve e do frio implacável.

— Sobre a minha origem, você deve saber mais do que eu.

— É verdade — Rodrigo lembrou-se do aviso da mãe e indagou de volta. — Você quer me perguntar alguma coisa?

Inês silenciou por um momento:

— Pergunto quando voltar. Quero passar essas festas em paz, sem grandes emoções.

— Tudo bem — concordou Rodrigo.

A Família Simões havia errado em suas apostas. Inês realmente ficara de conversinha no telefone com Rodrigo. A chamada de voz durou a noite inteira.

O primeiro a acordar foi Rodrigo. Preocupado que o barulho do banheiro a acordasse, ele até silenciou o microfone, e mesmo assim levou o celular consigo para onde quer que fosse.

Até que a ligação finalmente caiu, exibindo um aviso de falha na rede do outro lado.

Quando Inês abriu os olhos e lembrou que tinha ficado a noite toda em ligação com Rodrigo, seu primeiro instinto foi procurar o celular, mas o aparelho havia descarregado e desligado.

Assim que o colocou na tomada e ligou, viu a duração da chamada: onze horas.

Uau... Foi muito tempo.

Era a primeira vez que fazia algo do tipo.

E queria fazer de novo.

Inês mandou apenas uma mensagem curta:

— Acordei.

A chamada de voz tocou novamente. E assim se sucedeu. Durante toda a véspera das festas, os dois estavam ou conversando ao telefone ou trocando fotos e vídeos de tudo, até das nuvens no céu.

Inês mandava fotos das crianças ou das paisagens, enquanto Rodrigo mandava fotos do Didi e do Mumu, ou de sua irmã irritante.

Alice também vivia mandando fotos do irmão para Inês.

Inês então descobriu que, mesmo no recesso das festas, Rodrigo não descansava de verdade; apenas mudava de local de trabalho. Além dos assuntos da empresa, havia os compromissos da família.

Mesmo atarefado até o pescoço, ele sempre arranjava um tempo para responder com uma ou duas frases. Às vezes, era uma foto, às vezes só um Hm, mas ele nunca a deixava sem resposta.

— O Diretor Simões te contou?

Inês não negou e acrescentou:

— Eles mesmos me procuraram, mas não foi por mim. Foi por causa do filho e da filha que criaram.

O tom calmo de Inês perfurou o coração da Dra. Barros. Ela logo compreendeu: Inês havia sofrido uma nova desfeita, e dessa vez, a mágoa viera daquelas pessoas que possivelmente eram seus pais biológicos.

A Dra. Barros entreabriu os lábios e perguntou:

— Vocês têm certeza? Fizeram o teste de DNA?

Inês balançou a cabeça:

— Não.

A Dra. Barros franziu o cenho:

— Por quê?

— Porque nenhuma das partes está disposta, imagino — respondeu Inês.

Ambos os lados tinham medo de que fosse verdade. Ninguém queria abrir aquela caixa de surpresas, ninguém tinha coragem para isso.

Era o Gato de Schrödinger. Pura ilusão e autoengano.

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