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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 744

Adrian virou-se para Inês e justificou-se:

— Fiquei com medo de que vocês acabassem levando a pior, então decidi me juntar ao grupo.

Inês não viu problema nenhum. A presença de Adrian serviria para tranquilizar Rodrigo, permitindo-lhe focar no trabalho e retornar o quanto antes.

O trio chegou à cafeteria combinada.

Abel trajava um terno claro. Com uma postura ereta e impecável, aguardava sentado, transparecendo certo nervosismo.

Ao avistar Inês, abriu um sorriso doce e amigável, evocando a exata expressão que ostentara nos primórdios de sua relação, anos atrás.

O tempo passava sem deixar rastros visíveis, mas deixava profundas cicatrizes na alma.

Fossem quais fossem as circunstâncias, já não havia caminho de volta.

Ao notar Paulina e Adrian escoltando Inês, Abel engoliu em seco, ligeiramente atordoado. No passado, aquelas figuras estariam muito além do alcance de Inês. Mas ali estava ela, caminhando lado a lado com eles, e a dupla parecia imbuída do propósito de resguardá-la.

O trâmite legal poderia ser resolvido de imediato no cartório, mas Abel insistira numa parada prévia na cafeteria.

Parecendo ciente do desconforto que sua presença poderia causar, ele não fizera nenhum pedido antecipado, apenas fez um gesto para que eles escolhessem o que queriam.

— Vamos logo após tomarmos o café? — Questionou Inês.

— Sim. — Os olhos de Abel brilhavam intensamente, e ele não desviava o olhar dela.

Adrian tamborilou levemente na mesa:

— Diretor Rocha, permita-me dar-lhe um aviso amigável: se você perder os olhos, como pretende continuar trabalhando no Grupo Azevedo para sustentar sua família?

Paulina completou, com tom de seriedade:

— É verdade. O Rodrigo está longe de ser um homem paciente.

Os dois agiam em perfeita sincronia.

Inês pediu apenas uma xícara de café. Não que não quisesse oferecer algo a Adrian e Paulina, o fato era que ela só desejava acabar logo com aquilo.

Fez questão de pedir um café gelado e, assim que a bebida foi servida, virou-a de uma vez só.

Os três ficaram boquiabertos.

Paulina concluiu que Inês possuía um traço incrivelmente semelhante a Rodrigo: ambos executavam manobras arrojadas de forma silenciosa. Até o divórcio que havia transcorrido em sigilo havia ocorrido no momento cirúrgico para resguardar seus próprios interesses.

— Nós não podemos nem mesmo ser amigos?

— Não. — Inês foi enfática. — Rodrigo me disse uma vez que um bom ex-marido deve ser tão silencioso quanto um morto.

O verdadeiro golpe dessas palavras residiu no "Rodrigo me disse". O nome dele estava constantemente nos lábios de Inês, e ela absorvia cada conselho do novo parceiro com devoção. Tudo aquilo, no passado, pertencia exclusivamente a ele, Abel.

Os olhos de Abel marejaram mais uma vez.

— Inês, não tem espaço nem para uma simples amizade?

— Abel, você já tem amigos. Como amigo, o Alex Azevedo é excelente e sempre esteve lá por você.

O carro desapareceu na distância. Abel ficou parado por um longo tempo. A menção de Inês a Alex o fez lembrar que já fazia quinze dias que ele havia se desentendido com o amigo, não se falavam desde então, e o atrito continuava irresolvido.

Talvez devesse acatar o conselho de Inês e, desta vez, ficar do lado do seu velho camarada.

Abel pegou o telefone e ligou:

— Alex, sobre aquela história com a Mariana Rocha... vamos esquecer isso.

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