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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 847

Douglas era um herdeiro nascido em berço de ouro, o verdadeiro tesouro das famílias Siqueira e Lessa desde que viera ao mundo, vivendo em mansões avaliadas em fortunas.

Mais tarde, quando o pai abandonou a política para ingressar no mundo dos negócios, o sucesso trouxe ainda mais mansões e carros de luxo. Ele contava com nutricionistas exclusivos, tutores particulares e, embora seu estilo de vida não pudesse ser classificado como de esbanjamento desmedido, tudo o que consumia era absolutamente inatingível para uma família comum.

Sob a sombra imponente da Família Siqueira e do Grupo Siqueira, até mesmo a classe média parecia pertencer à base da pirâmide para um jovem como Douglas. Embora soubesse que existiam lugares pobres e subdesenvolvidos, ele nunca os tinha visto com os próprios olhos.

Termos como "órfão" ou lugares como "orfanato" eram apenas conceitos abstratos em sua mente. Ele nunca havia tido qualquer contato com essa realidade, até cruzar com Inês.

Naquela época, ele ignorava que Inês fosse sua irmã biológica. Para ele, ela era apenas uma mulher ardilosa que havia tramado contra a dona do seu coração, alguém que estava constantemente batendo de frente com ele.

Ele a ridicularizara.

Dissera a ela que nunca deveria ter voltado.

Naquele instante, de pé no lugar onde Inês crescera, ouvindo a Dra. Barros relatar todas as batalhas que ela enfrentara para se tornar uma adulta, o peso da culpa o atingiu. Ele nunca vira muitas das coisas mencionadas pela diretora, mas ainda assim sua mente conseguia projetar a imagem de uma figura miúda, calada e inabalável, crescendo em meio às zombarias de crianças da sua idade.

Ao deixar Julieta e Lucinda de lado, meramente absorvendo a história da vida de Inês, Douglas quase perdeu o fôlego de tanta angústia.

Seus olhos ficaram cada vez mais avermelhados.

— Mas por quê...? — Ele não conseguia entender. — Por que Inês cresceu num orfanato? Mesmo que as enfermeiras a tenham trocado na maternidade, ela deveria ter pais adotivos.

Mesmo que tivesse sido criada por uma família de condições modestas, ela não teria passado por tantas privações.

A Dra. Barros balançou a cabeça: — Quem sabe? Quando a encontrei, nevava bastante. Ela havia sido deixada no meio do matagal, à beira da estrada. Estava com as bochechas bem vermelhas e mal conseguia abrir os olhos. Minha mãe deu uma olhada e disse que era recém-nascida.

— Como alguém pode ter tanta frieza? — A Dra. Barros estava mais do que acostumada a lidar com bebês abandonados, e, teoricamente, já deveria ter criado uma armadura em volta do coração. No entanto, toda vez que relembrava a infância de Inês, era impossível segurar as lágrimas.

Porque Inês fora a primeira criança que ela resgatara.

Enquanto não obtinha novas pistas sobre o motorista Edson, Douglas instalou-se temporariamente no orfanato e, surpreendentemente, teve uma excelente noite de sono.

...

A Dra. Barros não escondeu de Inês a visita de Douglas ao orfanato.

Inês franziu o cenho ao ler a mensagem. Vendo sua expressão, Xica entrou em pânico imediatamente: — O que foi, o que foi? Deu problema no sistema de detecção da nossa equipe?

Inês virou a tela do celular para baixo: — Não. É um assunto pessoal.

Xica suspirou aliviada: — Ainda bem que o sistema está em ordem. Vi que a data do lançamento foi marcada, veterana. Como estão os preparativos?

— O módulo de autonomia de energia ainda precisa de uns ajustes, mas temos bastante tempo, não se preocupe. O único detalhe é que não me decidi sobre o nome. — Inês e Xica caminharam rumo à sala de reuniões. A pauta do encontro giraria justamente em torno do nome do equipamento inteligente e dos preparativos cruciais para o evento de lançamento.

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