A pesada porta de isolamento do laboratório travou com um clique, cortando todo o barulho do lado de fora.
Inês havia entregue seu celular pessoal a Rodrigo e pegou apenas um terminal criptografado conectado à intranet, avisando a Rodrigo que já havia chegado.
Após largar o terminal, ela caminhou direto para o computador onde o banco de dados estava armazenado. Ela precisava revisar todos os dados, do início ao fim.
No imenso espaço do laboratório, havia apenas o zumbido de baixa frequência dos equipamentos. Havia uma vantagem em estar no laboratório subterrâneo: não era preciso fechar as cortinas para se isolar da avalanche de notícias na internet, do assédio da mídia e das ligações de todos os lados.
Tudo aquilo havia sido cortado de sua realidade. Ela só precisava se concentrar para resolver as falhas do produto e otimizar parte do desempenho em dois dias.
Inês olhou para as marcações em vermelho no relatório de falhas essenciais: o desgaste do módulo de armazenamento de energia em baixas temperaturas estava acima do limite e havia um atraso na resposta do sensor de proteção.
Se essas duas falhas chegassem aos palcos, por mais alta que estivesse a empolgação pública, elas se tornariam manchas tecnológicas irreparáveis no futuro. Além disso, tratava-se de equipamento militar, onde não cabia a menor negligência.
Inês vestiu o traje de proteção e parou diante da Armadura semiacabada. Levantou a mão e acariciou a carcaça da proteção de ombro, sentindo a textura fria e nítida do material composto especial.
— As pessoas lá fora estão te exaltando como o ápice da tecnologia, então nós deveríamos fazer um trabalho um pouco melhor. — murmurou Inês, baixinho.
Na primeira noite, Inês não pediu que ninguém a ajudasse. Ela precisava que o Dr. Novais e os outros dormissem bem e mantivessem a mente clara para auxiliá-la nos ajustes minuciosos depois.
Quanto mais delicados os detalhes, mais necessária era uma mente focada e alerta. Nos dados, um erro de milímetros muitas vezes resulta em um desastre de quilômetros.
Na manhã do dia seguinte, o Dr. Novais entrou no laboratório trazendo os componentes e viu Inês ainda em pé diante da bancada de testes. Ele franziu a testa:
— Você não descansou a noite toda?
— Não. Não se aproxime agora, esta parte já vai ficar pronta. — respondeu Inês, sem virar a cabeça.
Dez minutos depois, Inês ergueu os olhos para o Dr. Novais.
O Dr. Novais viu apenas os olhos vermelhos e exaustos dela. Como profissional da área, ele admirava o espírito científico de Inês, mas, como um homem mais velho, sentia raiva e pena por ela negligenciar a própria saúde.
— A comida lá fora do laboratório já virou uma montanha. O que custa você sair um minuto, pegar algo e dar duas mordidas?
— Vou perder a linha de raciocínio. — Inês tirou as luvas.
O Dr. Novais não conseguiu conter sua preocupação:
— Eu trouxe um prato de mingau para você. Coma pelo menos um pouco. O seu namorado montou um escritório improvisado lá fora e logo vai criar raízes na porta te esperando.
O corpo de Inês paralisou por um instante. Ela deu algumas instruções ao Dr. Novais sobre os próximos passos, foi até o terminal e chamou Rodrigo.
Logo, a voz profunda do homem soou do outro lado.
— Você não dormiu. — Inês estava um pouco irritada.
Rodrigo também estava aborrecido:
— Não fale só de mim.
— O Dr. Novais e eu já quase terminamos o módulo do sensor de proteção. Amanhã, o Dr. Henriques e eu o otimizaremos um pouco mais. Esta noite, nosso foco principal será o algoritmo de resistência ao frio intenso. Tem que dar certo, senão ficaremos sem tempo.
Havia um pequeno simulador polar no laboratório. Inês e Xica reduziram repetidamente a temperatura na câmara: menos dez graus, menos vinte... A curva de consumo de energia na tela disparou, e a luz de alerta vermelho piscava sem parar.
Inês mantinha os olhos fixos nos dados, razoavelmente calma, deduzindo rapidamente os números no rascunho de engenharia. Xica, por outro lado, já não estava tão serena, com uma expressão de quem ia chorar a qualquer momento.
Por estar muito tarde e com o pensamento fixo no lançamento iminente do produto, a mente de Xica não encontrava paz.
Ela respirou fundo e bebeu um copo de café gelado.
— Me dá um. — pediu Inês.
Xica levou-lhe um copo. Quase amanhecendo, Inês também começou a não aguentar de cansaço. Ela foi direto pegar o líquido concentrado de café e virou na boca. O sabor amargo se espalhou pelo paladar, e suas têmporas começaram a latejar de dor.
Três reestruturações da lógica de controle de temperatura, cinco trocas do projeto de chip. Quando o dia clareou totalmente, finalmente conseguiram manter tudo dentro dos limites padrão.
Inês soltou um longo suspiro de alívio, e Xica a abraçou com alegria:
— Veterana!
Inês deu uns tapinhas nas costas de Xica e disse:
— Registre os dados rapidamente, sincronize com o sistema de controle principal e depois vá descansar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Parece até que mudou o autor do livro. Uma linguagem rebuscada, parecendo até português de Portugal....
A esposa do Robson era Nara Lessa, de repente mudou para Soraia Siqueira....
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...