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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 852

Xica concordou repetidas vezes com a cabeça.

Depois que Xica saiu, o Dr. Henriques entrou. Vendo a expressão exausta de Inês, ele suspirou e perguntou:

— Em que passo estamos?

— Só mais um ajuste na resposta do sensor, e depois passaremos para a sincronização completa do equipamento. — respondeu Inês.

O Dr. Henriques assentiu.

Durante a sincronização, houve um pequeno contratempo: a bateria interna sofreu sobrecarga e começou a aquecer, esquentando também a carcaça do equipamento. Em meio ao som dos alarmes, Inês cortou a energia calmamente, mas acabou tocando no metal superaquecido enquanto investigava o curto-circuito. Uma queimadura apareceu rapidamente em seus dedos. Ela sacudiu a mão, soprou a ferida e continuou.

O tempo foi passando segundo a segundo. Os dois trabalharam até tarde da noite e resolveram os dois pontos fracos. O Dr. Henriques apertou os punhos, com o rosto cheio de empolgação.

— Dr. Henriques, vá para casa e descanse primeiro. É só avisar ao Rodrigo para mandar alguém pegar a versão finalizada amanhã cedo.

O Dr. Henriques franziu a testa:

— Você ainda vai ficar aqui?

Inês olhou para a Armadura:

— Vou cuidar dela mais um pouco, senão não vou ficar em paz.

O Dr. Henriques compreendia perfeitamente aquele sentimento de Inês. Era como um médico que acabara de operar o próprio filho; jamais ficaria verdadeiramente em paz até vê-lo acordar.

— Lembre-se de tentar dormir um pouco. — O Dr. Henriques saiu, levando as boas notícias da superação das falhas. Mas Rodrigo franziu a testa ao notar que Inês não tinha saído.

Só Inês podia contatá-lo, ele não tinha como fazer contato com ela.

Pouco tempo depois, a voz de Inês soou do terminal.

— Inês. — disse Rodrigo com a voz urgente.

Inês deu uma risada suave:

— Sou eu. Está tudo bem, nós resolvemos. Você ainda está esperando aí fora?

— A que horas você sai?

— Amanhã cedo. Vou dormir aqui e você vai descansar em casa. Amanhã você precisa ir à coletiva. Eu já terminei a minha parte, agora não vá cometer erros. — A voz de Inês estava doce, mas Rodrigo notou a exaustão profunda, como se ela não tivesse mais forças.

A preocupação de Rodrigo estava inteiramente estampada no rosto.

— Tudo bem, vou dormir agora. Quando a coletiva terminar amanhã, vou tirar três dias inteiros de descanso, Diretor Simões.

— Pode descansar três meses. — disse Rodrigo.

Inês sorriu:

— Assim não dá, eu vou criar mofo em casa. Boa noite, Rodrigo.

Ela cortou a comunicação, mas não foi dormir.

Inês passou a noite inteira otimizando a interface de interação humano-máquina, simplificando os passos operacionais para os soldados e ajustando a distribuição de peso do exoesqueleto. Ela poliu aquele produto, que já era satisfatório, a um nível muito superior aos parâmetros esperados.

Sozinha, iniciou a última rodada de simulações de combate extremo do equipamento: simulação de artilharia, ambientes de frio severo, ataques surpresa de curta distância, entre vários outros cenários. Só parou quando teve a certeza de que todos os parâmetros na tela estavam estáveis, sem apresentar erros, atrasos ou desgaste excessivo.

Os alarmes dos aparelhos silenciaram, restando apenas o zumbido suave do funcionamento estável.

Um sorriso de profundo alívio surgiu no rosto de Inês. Ela recostou-se na cadeira, com a visão embaçada e o corpo inteiro rígido, mas ainda sustentando um último fio de energia nervosa.

Xica percebeu na hora:

— Então você não dormiu nada ontem à noite?

— É, não dormi. Vai logo. — Inês sorriu para Xica. — Não vá se atrasar para a coletiva, seria um desperdício do nosso esforço.

Xica sentiu o nariz arder e assentiu com força antes de correr com o relatório em mãos. Inês só saiu arrastada depois que todos já tinham ido.

— Inês! — Alice a esperava na porta, segurando um café da manhã quentinho.

Inês sentiu o cheiro de coxinhas de frango e tapioca quente, além do leite quente.

Preocupada que Inês estivesse faminta, Alice apressou-se em tirar as coxinhas e o leite quente para entregá-los a ela, mas, ao tocar na palma da mão de Inês, sentiu como fervia.

— Meu Deus! — Alice segurou a mão dela, que estava queimando, e depois levou a mão à testa, ao rosto e ao pescoço de Inês. — Você está com febre!

Inês ainda estava tonta:

— O quê?

— Você está com febre! — Alice largou o café da manhã de lado e rapidamente estendeu a mão para apoiá-la.

Ao ser amparada, o corpo de Inês amoleceu de vez. Com a cabeça recostada no ombro de Alice, ela disse em um estado de quase delírio:

— Eu me perguntei por que estava tão tonta... Pensei que era hipoglicemia...

Ela continuou falando sozinha. De vez em quando, o som de Alice falando com outras pessoas chegava aos seus ouvidos, mas ela não conseguia mais ouvir com clareza, e suas pálpebras ficavam cada vez mais pesadas. Antes de fechá-las completamente, esforçou-se para abrir a boca e sussurrar:

— Alice, não... não conta para o seu irmão ainda... vai atrapalhar...

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