Xica concordou repetidas vezes com a cabeça.
Depois que Xica saiu, o Dr. Henriques entrou. Vendo a expressão exausta de Inês, ele suspirou e perguntou:
— Em que passo estamos?
— Só mais um ajuste na resposta do sensor, e depois passaremos para a sincronização completa do equipamento. — respondeu Inês.
O Dr. Henriques assentiu.
Durante a sincronização, houve um pequeno contratempo: a bateria interna sofreu sobrecarga e começou a aquecer, esquentando também a carcaça do equipamento. Em meio ao som dos alarmes, Inês cortou a energia calmamente, mas acabou tocando no metal superaquecido enquanto investigava o curto-circuito. Uma queimadura apareceu rapidamente em seus dedos. Ela sacudiu a mão, soprou a ferida e continuou.
O tempo foi passando segundo a segundo. Os dois trabalharam até tarde da noite e resolveram os dois pontos fracos. O Dr. Henriques apertou os punhos, com o rosto cheio de empolgação.
— Dr. Henriques, vá para casa e descanse primeiro. É só avisar ao Rodrigo para mandar alguém pegar a versão finalizada amanhã cedo.
O Dr. Henriques franziu a testa:
— Você ainda vai ficar aqui?
Inês olhou para a Armadura:
— Vou cuidar dela mais um pouco, senão não vou ficar em paz.
O Dr. Henriques compreendia perfeitamente aquele sentimento de Inês. Era como um médico que acabara de operar o próprio filho; jamais ficaria verdadeiramente em paz até vê-lo acordar.
— Lembre-se de tentar dormir um pouco. — O Dr. Henriques saiu, levando as boas notícias da superação das falhas. Mas Rodrigo franziu a testa ao notar que Inês não tinha saído.
Só Inês podia contatá-lo, ele não tinha como fazer contato com ela.
Pouco tempo depois, a voz de Inês soou do terminal.
— Inês. — disse Rodrigo com a voz urgente.
Inês deu uma risada suave:
— Sou eu. Está tudo bem, nós resolvemos. Você ainda está esperando aí fora?
— A que horas você sai?
— Amanhã cedo. Vou dormir aqui e você vai descansar em casa. Amanhã você precisa ir à coletiva. Eu já terminei a minha parte, agora não vá cometer erros. — A voz de Inês estava doce, mas Rodrigo notou a exaustão profunda, como se ela não tivesse mais forças.
A preocupação de Rodrigo estava inteiramente estampada no rosto.
— Tudo bem, vou dormir agora. Quando a coletiva terminar amanhã, vou tirar três dias inteiros de descanso, Diretor Simões.
— Pode descansar três meses. — disse Rodrigo.
Inês sorriu:
— Assim não dá, eu vou criar mofo em casa. Boa noite, Rodrigo.
Ela cortou a comunicação, mas não foi dormir.
Inês passou a noite inteira otimizando a interface de interação humano-máquina, simplificando os passos operacionais para os soldados e ajustando a distribuição de peso do exoesqueleto. Ela poliu aquele produto, que já era satisfatório, a um nível muito superior aos parâmetros esperados.
Sozinha, iniciou a última rodada de simulações de combate extremo do equipamento: simulação de artilharia, ambientes de frio severo, ataques surpresa de curta distância, entre vários outros cenários. Só parou quando teve a certeza de que todos os parâmetros na tela estavam estáveis, sem apresentar erros, atrasos ou desgaste excessivo.
Os alarmes dos aparelhos silenciaram, restando apenas o zumbido suave do funcionamento estável.
Um sorriso de profundo alívio surgiu no rosto de Inês. Ela recostou-se na cadeira, com a visão embaçada e o corpo inteiro rígido, mas ainda sustentando um último fio de energia nervosa.
Xica percebeu na hora:
— Então você não dormiu nada ontem à noite?
— É, não dormi. Vai logo. — Inês sorriu para Xica. — Não vá se atrasar para a coletiva, seria um desperdício do nosso esforço.
Xica sentiu o nariz arder e assentiu com força antes de correr com o relatório em mãos. Inês só saiu arrastada depois que todos já tinham ido.
— Inês! — Alice a esperava na porta, segurando um café da manhã quentinho.
Inês sentiu o cheiro de coxinhas de frango e tapioca quente, além do leite quente.
Preocupada que Inês estivesse faminta, Alice apressou-se em tirar as coxinhas e o leite quente para entregá-los a ela, mas, ao tocar na palma da mão de Inês, sentiu como fervia.
— Meu Deus! — Alice segurou a mão dela, que estava queimando, e depois levou a mão à testa, ao rosto e ao pescoço de Inês. — Você está com febre!
Inês ainda estava tonta:
— O quê?
— Você está com febre! — Alice largou o café da manhã de lado e rapidamente estendeu a mão para apoiá-la.
Ao ser amparada, o corpo de Inês amoleceu de vez. Com a cabeça recostada no ombro de Alice, ela disse em um estado de quase delírio:
— Eu me perguntei por que estava tão tonta... Pensei que era hipoglicemia...
Ela continuou falando sozinha. De vez em quando, o som de Alice falando com outras pessoas chegava aos seus ouvidos, mas ela não conseguia mais ouvir com clareza, e suas pálpebras ficavam cada vez mais pesadas. Antes de fechá-las completamente, esforçou-se para abrir a boca e sussurrar:
— Alice, não... não conta para o seu irmão ainda... vai atrapalhar...

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Parece até que mudou o autor do livro. Uma linguagem rebuscada, parecendo até português de Portugal....
A esposa do Robson era Nara Lessa, de repente mudou para Soraia Siqueira....
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...