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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 870

Inês teve um mau pressentimento.

— Bate-papo amigável?

Esther hesitou:

— ... Um massacre unilateral.

Inês se aproximou e Esther se afastou em silêncio. Assim que entrou na ante-sala espaçosa, antes mesmo de chegar ao escritório particular de Rodrigo, ouviu grunhidos abafados vindos de lá de dentro, como se alguém estivesse apanhando.

Ela empurrou a porta, e a primeira voz que soou foi a de Nelson.

— Eu já disse que não foi de propósito! Só comentei por alto num jantar que a coletiva de imprensa iria acontecer logo. Eu também estava feliz pelo meu irmão e pela Dra. Jardim, mas não sei como a imprensa distorceu tudo e transformou nisso!

Quando a porta se abriu totalmente, Inês viu Rodrigo sentado em sua cadeira, com um pé pisando no peito de Nelson, que estava caído no chão. A ferocidade no olhar de Rodrigo era impossível de ignorar.

O canto da boca de Nelson estava coberto de hematomas.

Ao ouvirem o barulho, os dois homens ergueram os olhos simultaneamente em direção à porta. A frieza nos olhos de Rodrigo não diminuiu. Ele pensou que havia dado ordens expressas para que ninguém entrasse, mas quem estava ali era Inês.

O pé, que momentos antes esmagava impiedosamente o peito de Nelson, foi retraído no mesmo instante. Ao se levantar, Rodrigo deu um chute sutil em Nelson, sinalizando para que ele se levantasse rapidamente.

Nelson levantou-se sentindo-se humilhado. Imediatamente viu aquele carrasco — que há um segundo parecia querer matá-lo — mudar de expressão de forma drástica, ajeitar as roupas e caminhar elegantemente até Inês.

— Como você veio parar aqui? — Rodrigo escondeu uma das mãos nas costas. Com a mão esquerda, que estava limpa, ele gentilmente arrumou o cabelo de Inês. Seu olhar afiado, porém, passou por cima do ombro dela e se cravou em Esther.

Esther estremeceu dos pés à cabeça e disparou apressada:

— Diretor Simões, eu fiquei com medo de que a Dra. Jardim entendesse mal e achasse que o senhor estava escondendo uma mulher no escritório!

Dito isso, fugiu a toda velocidade.

Inês já havia notado Rodrigo esconder discretamente a mão. Ela não disse nada, apenas alcançou as costas dele, segurou-lhe o pulso e puxou a mão para frente. Como esperado, estava machucada.

Machucou-se de novo.

No último acidente de carro, fora a mão que também se ferira.

Inês franziu a testa, o coração de Rodrigo acelerou. Ele decidiu mandar Nelson dar o fora dali primeiro.

Nelson saiu mancando, com os punhos cerrados ao longo do corpo. Ele sabia muito bem que Rodrigo o espancara por causa daquela mulher, Inês.

Ela não conseguiu evitar achar graça.

— Uhum, você foi enfeitiçado. — Inês ergueu os olhos e o encarou fixamente.

— ...

Após uma breve pausa, ele perguntou:

— Teve medo? Agora há pouco.

— Medo de quê? — Inês delineava cada detalhe do rosto dele com o olhar, notando as sobrancelhas levemente franzidas. — Medo de você ser feroz?

Rodrigo aceitou a sugestão em silêncio.

Inês abaixou-se para beijá-lo e sorriu, como se acalmasse uma criança:

— Não é feroz, nem um pouco. Você só estava sob o efeito de um feitiço agora há pouco.

Rodrigo ergueu a mão, segurou a nuca dela e aprofundou o beijo. Ele mostraria a Inês exatamente o quão feroz ele podia ser.

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