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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 880

Inês chegou a abrir a boca para dizer que não precisava, mas foi interceptada por Rodrigo, que a levantou pela cintura e a sentou na escrivaninha do quarto.

— Sente-se aí e dite as ordens, líder.

Não era a primeira vez que ela ouvia Rodrigo chamá-la assim. Quando começara como secretária sob a gestão dele, era ela quem tinha o costume de usar aquele termo. Agora, poderia se dizer que ambos eram líderes um do outro.

A palavra "líder" na verdade carregava um certo tom de fantasia sugestiva.

Inês acompanhou com o olhar enquanto ele abria o guarda-roupa: — Por que ainda me chama assim?

— O seu contato está salvo assim também — respondeu Rodrigo, analisando as peças de roupa das quatro estações. O seu plano era levar simbolicamente duas peças de cada estação e, chegando ao novo lar, comprar tudo novo para ela. O restante ficaria ali, para quando Inês voltasse e precisasse de roupas.

Inês lembrava perfeitamente de que ele havia salvado o número dela como "Inês". Intrigada, perguntou: — Por que mudou?

— Porque essa palavra tem mais peso.

Sem se conter, ele devolveu a pergunta: — E como o meu nome está salvo?

Com um quê de remorso, Inês roçou a ponta do nariz: — Com o seu nome.

Rodrigo não pareceu surpreso. Não comentou mais nada, apenas continuou a arrumar as roupas.

O imponente e valioso Diretor Simões, de fato, não possuía lá muita habilidade para dobrar roupas. Mas sabia dobrar papel, e então aplicou a mesma técnica, dobrando as peças ao meio antes de depositá-las na mala.

Sentada sobre a mesa, Inês assistia ao homem de ombros largos curvar-se e abaixar. Usava apenas camisa, as costas arqueadas desenhando a tensão sobre o tecido, as mangas repuxadas contra músculos firmes. Aquelas mãos grandes, com veias marcadas em relevo, ajeitavam delicadamente as roupas dela na mala.

Ela tirou o telefone do bolso para mudar o nome do contato de Rodrigo. Por falta de inspiração e imaginação, acabou optando pelo simples e óbvio "namorado".

Rodrigo terminou de empacotar tudo. Ao levantar-se, parou diante dela e reparou no nome que ela estava digitando.

Inês ergueu os olhos: — Está bom assim?

— É aceitável — declarou ele.

Ela ofereceu-lhe o aparelho: — Então escreva você.

Sem cerimônia, Rodrigo apanhou o celular e mudou o contato para: "O homem da líder".

Devolveu o aparelho e, ao mesmo tempo, deu um beijo suave no lóbulo da orelha dela, sussurrando: — Eu sou o seu homem, líder.

No fundo do coração, Inês xingou-o de sedutor barato.

Inês apertou os lábios, a expressão revestida de seriedade: — Eu fico realmente pensando se, morando juntos, você não vai acabar afetando a minha rotina e o meu trabalho.

Rodrigo, desta vez, não se atreveu a garantir nada. A única resposta válida era: só testando para saber.

Naquela noite Rodrigo não dormiu com ela. Ele dirigiu de volta sozinho e aproveitou para visitar a antiga mansão da família.

Reparando no sorriso discreto e constante no rosto do filho, a Sra. Paz perguntou: — Que bons ventos o trazem de volta?

— A Inês e eu vamos nos mudar amanhã para a Baía da Lua Oculta. Algum conselho?

Era perfeitamente normal que um casal de adultos morasse junto, e a Sra. Paz considerava a si mesma uma mãe mente aberta. Sempre achara que os mais velhos não deveriam interferir demais nos assuntos dos filhos, então, por um momento, não entendeu o motivo daquela pergunta repentina.

Sentado no sofá, Xande escutou a novidade e desmascarou o filho sem sequer levantar a cabeça: — Ele só está esperando que a gente lhe dê os parabéns.

A Sra. Paz deu um tapinha na própria testa: — Ah! Parabéns, parabéns, meu jovem amigo.

— ...

Xande abaixou a revista eletrônica e fitou o filho: — Na verdade, tem um aviso, sim. Nada de gravidez antes do casamento. Seria injusto com a moça.

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