Ao ouvir as insinuações de Breno, Robson percebeu imediatamente que algo estava muito errado. Somando isso ao fato de sua esposa ansiar desesperadamente por um filho homem, ele logo deduziu o que havia acontecido. Voltou correndo para o quarto do hospital, mas a filha já não estava lá; encontrou apenas a esposa encolhida no canto da cama.
Robson exigiu saber o que ela havia feito e para onde a criança tinha ido. Nara, em completo silêncio, apenas roía obsessivamente o próprio polegar.
Percebendo que não arrancaria nenhuma resposta dela, a única saída foi sair à procura da bebê.
— Por que você não estava ao lado dela quando ela deu à luz? — perguntou Douglas, não conseguindo se conter ao ouvir essa parte.
— Eu estava. — Robson suspirou profundamente. — Eu dei um jeito de ir. Mas depois que o bebê nasceu e vi que a sua mãe estava fora de perigo, precisei voltar correndo para terminar de lidar com as minhas pendências no trabalho. Aquela fase também era crucial para a minha carreira, eu não podia me dar ao luxo de ser descuidado.
Bastou que ele se ausentasse por uma única tarde, e a situação havia chegado a um ponto irreversível.
— Eu não sei se foi o Breno ou o Edson quem entrou em contato com o seu avô. Breno provavelmente queria usar aquilo como trampolim para subir de cargo, já o Edson sempre foi um cão de guarda do seu avô.
Observando os olhos opacos do pai, Douglas perdeu subitamente a voz, sem saber o que dizer.
Seu celular tocou novamente.
Era sua mãe.
Pai e filho olharam simultaneamente para o nome e o número familiar brilhando na tela, ambos hesitando sobre o que fazer.
Douglas não sabia como encarar a mãe.
Deveria repreendê-la?
Deveria fingir que nada havia acontecido?
Ele era incapaz de fazer qualquer um dos dois.
Robson pegou o celular do filho e deslizou o dedo para atender. Antes mesmo que ele pudesse dizer uma palavra, a voz cuidadosa de Nara soou do outro lado da linha, carregada de preocupação e urgência.
— Douglas! — A fúria inflacionou instantaneamente do outro lado da linha, e a voz de Nara subiu de tom. — Que absurdo é esse que você está dizendo?! A Luiza gosta tanto de você, só sabe te elogiar. Você vai jogar fora uma garota maravilhosa dessas? O que é que você quer da vida, afinal?
— Robson, você vai simplesmente permitir que o seu filho faça uma besteira dessas?
— Ele já tem trinta anos. Não posso controlar a vida dele para sempre — respondeu Robson.
— E por que não?! Nós já traçamos o caminho dele, o nosso filho tem que seguir os nossos passos! — esbravejou Nara.
— Isso é por causa da sua culpa, mãe? — A voz de Douglas saiu baixa, acompanhada de um olhar exausto. — Só porque você acha que o que fez no passado destruiu o futuro do meu pai, agora quer usar a mim para compensá-lo?
Um estalo seco ecoou.
O telefone escorregou das mãos de Nara e despencou no chão.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Parece até que mudou o autor do livro. Uma linguagem rebuscada, parecendo até português de Portugal....
A esposa do Robson era Nara Lessa, de repente mudou para Soraia Siqueira....
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...