— Muito obrigado por ter vindo até aqui a esta hora da noite. Quando tivermos um tempo, faço questão de te pagar um jantar — disse Robson a Bryan, sem repreender o filho e apenas fazendo sinal para que ele entrasse no carro.
Bryan, no fundo, temia que Douglas levasse uma tremenda bronca, mas sabia que aquele era um assunto entre pai e filho. Ele balançou a cabeça, disse que não havia problema e acompanhou a partida dos dois com o olhar.
No segundo seguinte, seu celular vibrou com uma mensagem de agradecimento de Douglas.
— Por que você veio? — perguntou Douglas ao pai, bloqueando a tela do celular.
— Te resgatar — respondeu Robson sem fazer rodeios.
— Eu estou bem — rebateu Douglas.
— Fui impulsivo dessa vez e acabei te fazendo sair de casa a essa hora — acrescentou Douglas após refletir um pouco, enquanto Robson permanecia em silêncio.
— Não foi nada. — Robson lançou um olhar ao filho. — Pelo menos, em alguns aspectos, você é mais corajoso do que eu. A coragem e a impulsividade são como os dois lados de uma mesma moeda, assim como a prudência e a covardia.
Quando você joga uma moeda, se enxerga a cara, não consegue ver a coroa, mas isso não significa que ela não exista; ela sempre estará lá.
— Eu não vou mais participar do processo de seleção, e também não quero esse casamento arranjado — anunciou Douglas, que percebera que o pai falava de si mesmo e pegara uma garrafa para tomar um gole de água.
— E o que você pretende fazer? — perguntou Robson, mantendo uma expressão serena.
— O Grupo Siqueira não está planejando expandir para o mercado da Cidade Alvorecer? Me coloque na equipe do projeto, pai. Eu passei no exame da Ordem, posso assumir sozinho todo o trabalho jurídico relacionado ao processo de expansão do mercado — respondeu Douglas.
— Você já pensou bem nisso? — Robson não se irritou, apenas olhou seriamente para o filho.
A verdade era que Douglas não tinha clareza sobre o que gostava, mas sabia perfeitamente o que não queria: ele abominava a política e os casamentos arranjados.
— Durante todos esses anos, a Família Siqueira e a Família Pacheco mantiveram laços estreitos, mas por que ninguém da Família Pacheco apareceu quando a sua irmã voltou? Seu avô não os convidou, nem ousaria convidar. Então, o que será que manteve nossas duas famílias secretamente unidas esse tempo todo? — Os pensamentos de Robson viajaram no tempo. — Foi justamente o fato de a sua mãe ter abandonado a sua irmã há vinte e oito anos.
Breno Pacheco havia presenciado tudo.
E não apenas vira, como também sabia a direção exata que Nara tomara com a criança nos braços.
— Uma hora atrás, vi a Sra. Siqueira e até a cumprimentei. Meus parabéns, uma linda menina! Mas ela não acabou de dar à luz? E com essa tempestade de neve lá fora, sair do hospital não só vai deixar a criança congelada, como também prejudicar a saúde da mãe, não acha? Bem, pelo menos notei que o cobertor que a Sra. Siqueira estava usando para enrolar o bebê parecia bem grosso, embora a cor talvez não seja das favoritas das garotas — comentara Breno com Robson naquela época, com um sorriso cínico no rosto.
Cada palavra de Breno carregava segundas intenções.
Na época, os dois eram rivais ferrenhos. Breno sabia que não podia competir com Robson em termos de histórico político ou prestígio familiar, então passou a vigiar de perto a vida privada dele, sem jamais imaginar que acabaria esbarrando na oportunidade perfeita.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Parece até que mudou o autor do livro. Uma linguagem rebuscada, parecendo até português de Portugal....
A esposa do Robson era Nara Lessa, de repente mudou para Soraia Siqueira....
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...