Lucinda observou a expressão da mãe e não conseguiu evitar a sensação de que ela estava olhando através dela, vendo outra pessoa.
E essa outra pessoa só poderia ser Inês, a criança que a mãe havia abandonado no passado.
Tsc.
Lucinda estalou a língua mentalmente, embora, por fora, mantivesse a calma enquanto ajudava a mãe a subir as escadas para descansar.
Somente depois de ficar ao lado da mãe até ela adormecer é que Lucinda desceu. Dona Marry imediatamente se aproximou e comentou:
— A senhora tomou o remédio, mas não sei se por estar tomando com muita frequência ultimamente, acabou criando resistência. Parece que já não faz mais efeito nela. A senhorita quer que eu leve o frasco amanhã para consultar o médico?
Lucinda encarou o frasco de remédio nas mãos de Dona Marry por um momento e o pegou:
— Eu vou. Dona Marry, fique de olho nas coisas por aqui.
Dona Marry assentiu com a cabeça.
Lucinda girou o frasco levemente entre os dedos, despejou um comprimido na mão e, longe dos olhares alheios, jogou-o na própria boca, mastigando-o sem demonstrar qualquer emoção.
Procurar um médico para quê? Ela mesma poderia trocar os remédios.
Se o seu pai havia abandonado a carreira política pelos negócios por causa da mãe, ele ousaria expulsá-la contra a vontade dela? Pelo contrário, as recaídas da mãe fariam o coração dele doer, levando-o a cuidar dela com o mesmo zelo de mais de vinte anos atrás.
...
Inês abriu os olhos antes mesmo do amanhecer.
Como fora dormir cedo na noite anterior, também acordou cedo.
Ela ainda estava aninhada em um abraço quente. A disposição e a decoração do quarto pareciam um pouco estranhas.
Ah, claro.
Ela havia ido morar com Rodrigo na noite passada.
Eles estavam na Baía da Lua Oculta.
Inês não se moveu, apenas ficou olhando em direção à janela. Na noite anterior, haviam fechado apenas uma camada fina da cortina branca, então era possível ver a claridade do céu lá fora.
O dia estava clareando aos poucos.
Inês finalmente se virou, tocou o queixo de Rodrigo e disse baixinho:
— Acorda.
A voz saiu quase inaudível. Ela não queria realmente acordá-lo, mas não resistiu à vontade de provocá-lo, de tocá-lo.
Rodrigo a abraçou ainda mais forte, abrindo os olhos lentamente, a voz um pouco rouca de sono:
— É fim de semana.
O que significava que não precisavam trabalhar, portanto, não precisavam sair da cama.
Inês assentiu murmurejando um hum, mas não pôde evitar acariciar o queixo e o rosto dele.
Ele pegou a mão de Inês e a guiou até o interruptor branco ao lado da cama. A cortina deslizou lentamente, revelando uma imensa janela do chão ao teto com uma vista deslumbrante do rio.
Os dois ficaram aninhados na cama, assistindo ao amanhecer.
Não havia um céu repleto de nuvens alaranjadas, mas a sensação era suficiente para deixar Inês completamente entregue e suave.
Quando Rodrigo segurou o queixo de Inês para beijá-la, ela cobriu a boca dele com a mão:
— Não escovamos os dentes.
No segundo seguinte, Rodrigo se levantou, pegou Inês no colo e a levou para escovar os dentes.
Mesmo depois de escovarem os dentes, não houve beijo; Rodrigo foi para a academia de casa.
Inês sentou-se no sofá da sala e, ao pegar o celular, viu uma mensagem de Paulina.
Ela ficou surpresa ao saber que Douglas havia agredido Abel e ido parar na delegacia.
Por um momento, não soube como responder.
O que diabos Douglas estava tentando fazer?
Não conseguia entender.
Subitamente, Inês se sentiu um pouco irritada.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Parece até que mudou o autor do livro. Uma linguagem rebuscada, parecendo até português de Portugal....
A esposa do Robson era Nara Lessa, de repente mudou para Soraia Siqueira....
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...