Vendo o estado de Soraia Siqueira, como alguém poderia duvidar? Obviamente, tudo era exatamente como Inês havia dito: ela e Lucinda Siqueira não haviam sido trocadas na maternidade; Inês havia sido abandonada por Soraia.
No passado, após o nascimento do segundo filho, o estado psicológico de Soraia não era bom. Dizia-se que Robson Siqueira deixara seu cargo para cuidar da esposa, o que na época não fazia sentido para a maioria. Havia mesmo necessidade de tudo isso?
A família Siqueira podia pagar por médicos e cuidadoras. Qual seria a dificuldade em cuidar de uma mulher com depressão pós-parto? Bastava contratar uma babá dedicada ao bebê, por que chegar ao extremo de renunciar a um cargo público? Era uma posição de grande importância!
Pelo planejamento da família, Robson Siqueira, mais cedo ou mais tarde, seria promovido à Cidade Balma. Será que ele realmente teria abandonado sua carreira em prol de uma esposa doente?
Mas se Soraia Siqueira tivesse abandonado sua filha recém-nascida, então tudo faria sentido. O que um político menos podia ter era um escândalo moral em sua vida pessoal, especialmente um que pudesse envolver toda a família Siqueira.
Não era de se admirar que Soraia não tivesse recebido bem sua filha biológica e não conseguisse olhá-la nos olhos. Não era falta de coragem para encarar a filha, e sim falta de coragem para encarar seu próprio passado.
Por um instante, a maneira como a família Siqueira olhava para Soraia mudou, carregada de uma condenação palpável.
Inês varreu friamente a multidão com os olhos, sem sentir nada em seu coração. Quem ali poderia afirmar que era totalmente inocente?
Especialmente...
Guilherme Siqueira.
O olhar de Inês deteve-se por um momento nele. Guilherme sentiu um sobressalto, mas manteve o rosto impassível, pensando consigo mesmo que aquele Dia de Finados seria tudo, menos pacífico.
O Patriarca, tentando recuperar o fôlego para impedi-la de continuar, ouviu Inês dizer:
— Do que tem medo? Já que a família Siqueira é tão unida, os segredos também devem ser compartilhados. Vocês quatro guardaram esse segredo por vinte e oito anos, deve ter sido exaustivo. Deixem que todos dividam o peso. Ou será que acham que essas pessoas não são suficientes para carregar tal pecado, e o mundo inteiro deveria se juntar a nós?
— Você...! — O Patriarca já teria desmaiado de raiva algumas vezes se não estivesse se esforçando tanto para se manter firme.
Aquelas palavras eram, sem dúvida, uma ameaça. Se não o revelassem para a família agora, ela o contaria ao mundo amanhã.
As lágrimas de Soraia choviam pelo seu rosto e ela não ousava olhar as pessoas nos olhos. A frase de Inês, "Ainda não tem coragem de me encarar, minha mãe?", ecoava como uma maldição, girando sem parar à sua volta e parecendo aprisioná-la até a morte.
Soraia quase não conseguia respirar, ofegando pesadamente. Lucinda aproveitou a brecha e dirigiu-se ao Patriarca:
— A saúde da minha mãe não está boa. Podemos conversar sobre isso depois, por favor? Deixem-me levá-la ao hospital primeiro.
O Patriarca, obviamente, consentiu e acenou freneticamente com a cabeça:
— Sim, sim, sim! Leve-a imediatamente! Falamos do resto mais tarde!
Ele exibia uma expressão de extrema urgência.
Inês franziu de leve a testa. Exatamente quando Lucinda amparava Soraia em direção à saída, três pessoas invadiram o salão. À frente deles estava Rodrigo Simões.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Pra que um livro tão longo? É muito cansativo. Estou no capítulo 244 só agora ela foi revelada, para mim o livro só teria mais o envolvimento dela com o Rodrigo e acabaria ai, mas não, tem que passar de mil capítulos....
Parece até que mudou o autor do livro. Uma linguagem rebuscada, parecendo até português de Portugal....
A esposa do Robson era Nara Lessa, de repente mudou para Soraia Siqueira....
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...