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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 922

Não foi uma troca na maternidade?

Com exceção daqueles que sabiam a verdade, todos na família Siqueira haviam acreditado na história da troca.

A troca de bebês por si só já havia chocado todo o clã, mas ninguém imaginava que haveria uma revelação ainda mais avassaladora.

Inês, a filha biológica, fora abandonada por Soraia Siqueira.

A palavra "abandonada" carregava o peso de toneladas.

Inês a pronunciou de forma tão leve, mas ela caiu como uma bigorna sobre o coração de todos.

Soraia Siqueira mal conseguia se manter em pé, tendo que se apoiar parcialmente em Lucinda. Diante dela, Inês continuava a estender as três varetas de incenso para os ancestrais.

A fumaça do incenso a fez engasgar, e Soraia começou a tossir violentamente. Sem coragem para olhar nos olhos de Inês, ela murmurava negações incessantemente:

— Que bobagem... Você está falando besteira. Eu não fiz isso. Já disseram que foi uma troca, uma troca na maternidade!

As últimas palavras saíram quase como um rosnado, como se ela tentasse aplicar em si mesma uma injeção de autoengano para continuar resistindo.

— Se foi uma troca, por que você nunca teve a coragem de me olhar nos olhos? — Inês questionou num tom despreocupado. — Do que você tem medo? Por acaso não teve pesadelos? Nunca acordou no meio da noite ouvindo o choro de um bebê?

Ironicamente, Soraia Siqueira havia tido tais pesadelos, e com ainda mais frequência nos últimos tempos.

Os dedos de Soraia tremiam descontroladamente.

Lucinda não ousava dizer uma palavra sequer. Temendo que o foco mudasse para ela no segundo seguinte, seu único desejo era se tornar invisível. Contudo, ao menor movimento de seus pés, o olhar denso e indiferente de Inês caía sobre ela, fazendo seu coração palpitar de pavor.

— Soraia Siqueira, você não está bem de saúde. Disseram para não vir e ficar em casa com Robson Siqueira, mas você insistiu em aparecer. Já que está aqui, não pode se comportar? E você, Inês, ela é sua mãe biológica. Como mais velha, não há problema em ela lhe dar algumas broncas. A cerimônia é a prioridade, podemos discutir o resto mais tarde, certo?

— Acho que é uma ótima hora para falarmos sobre isso. — Inês percorreu os olhos por todos os presentes. — Diante dos ancestrais e de toda a família Siqueira, seria o momento ideal para resolver de vez o fato de eu ter sido abandonada na neve pela minha mãe biológica há vinte e oito anos e, mais tarde, ter sido trazida de volta sob a desculpa de uma "troca na maternidade", não acham?

Nesse momento, Afonso Siqueira, considerado metade do líder da família e alheio à verdade do passado, interveio, interrogando Inês:

— O que quer dizer com isso? Você não pode sair acusando as pessoas de abandono. Inês, sabemos que você passou vinte e oito anos sofrendo longe de casa e guarda mágoas, mas não pode falar uma bobagem dessas!

Inês olhou para Soraia Siqueira:

— Ainda não tem coragem de me encarar? Minha mãe.

— Aaaahhh!!! — Soraia Siqueira subitamente enlouqueceu, cobrindo os ouvidos com as mãos. — Não me chame assim, não me chame! Pare de chorar! Por que você está chorando?! Pare de chorar, pare de chorar...

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