Ainda que o cabelo estivesse curto e a maquiagem fosse drasticamente diferente do habitual, Soraia Siqueira a reconheceu num piscar de olhos. Afinal, era a filha adotiva com quem convivera dia e noite por mais de vinte anos.
Ao confirmar que a pessoa à sua frente era Lucinda, os olhos de Soraia brilharam com um pavor instantâneo, seguido rapidamente por uma fúria avassaladora.
Mas ela não conseguia articular palavra, restando-lhe apenas berrar em silêncio, dentro de sua própria mente.
No segundo seguinte, sua boca foi tapada.
Tapada com extrema força.
Lucinda se inclinou, aproximando os lábios do ouvido da mãe:
— Mamãe, sou eu. Não grite. Eu vim ver a senhora. Eles estão todos te vigiando; eu sou a única que veio te visitar. Deu muito trabalho, cansei demais limpando este quarto por tanto tempo. Não lute e não faça barulho. Se ficar quieta, eu te solto. O que acha?
Soraia sentiu como se uma cobra escorregadia estivesse sibilando em seu ouvido. Seu corpo enrijeceu no mesmo instante, permanecendo incapaz de soltar um ruído sequer.
Por não ouvi-la gritar, Lucinda deduziu que ela havia concordado. Afrouxou a mão devagar, apenas para dar de cara com o olhar colérico e rancoroso da mãe.
— Pelo visto, o Douglas te contou tudo, e você acreditou nele. — Lucinda suspirou, assumindo uma expressão desolada. — E pensar que antes você era a pessoa que mais acreditava em mim.
Soraia Siqueira fulminou-a com o olhar, mas o som simplesmente não saía. Quem percebeu o detalhe primeiro foi Ruslan.
— Ela está muda. — concluiu o homem.
Só então Soraia notou a presença de um estrangeiro corpulento de pé atrás da porta do quarto. Ele brincava com uma faca afiada, cuja ponta espetava uma maçã bem vermelha.
No exato momento em que ela olhou, o homem abriu a boca e mordeu a maçã. O barulho alto de mastigação preencheu o quarto.
Um calafrio trepou como uma hera desde as solas de Soraia até o topo de sua cabeça. Seus olhos vasculharam o ambiente em busca dos guarda-costas designados por seu filho e, de repente, percebeu que eles já estavam amarrados aos pés daquele sujeito.
O homem ergueu o pé, pisou sobre um dos corpos e continuou mastigando a fruta.
O terror tomou conta dela.
— Você não consegue mais falar? — A expressão de Lucinda demonstrou um momento de choque genuíno.
O rosto contorcido de Soraia serviu como resposta.
Ao descobrir a afasia da mãe, Lucinda franziu o cenho instintivamente e deixou escapar:
As coisas com as quais Lucinda mais lidara em toda a vida não se limitavam apenas a maquiadores, mas também incluíam hospitais, médicos e medicamentos.
Pegando o celular da mãe, Lucinda abriu o aplicativo do banco e exigiu a senha.
Soraia nunca poderia ter imaginado que a própria filha adotiva estivesse prestes a esvaziar suas contas bancárias!
Seu coração pareceu ser rasgado por milhares de lâminas simultaneamente.
Aquela era a garota que criara ao longo de vinte e oito anos!
Como Soraia se recusava a levantar a mão para inserir os números, Lucinda declarou friamente:
— Já que lhe peço a senha com educação e você se nega a falar, usaremos a biometria facial e a digital.
A mulher tentou desesperadamente esconder as mãos, mas Ruslan caminhou até elas, brandindo a faca.
— Vamos arrancar a mão.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Pra que um livro tão longo? É muito cansativo. Estou no capítulo 244 só agora ela foi revelada, para mim o livro só teria mais o envolvimento dela com o Rodrigo e acabaria ai, mas não, tem que passar de mil capítulos....
Parece até que mudou o autor do livro. Uma linguagem rebuscada, parecendo até português de Portugal....
A esposa do Robson era Nara Lessa, de repente mudou para Soraia Siqueira....
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...