Soraia não teve coragem de continuar se debatendo.
Ela só pôde observar impotente, enquanto a filha a quem nutria tanto carinho e amor por mais de vinte anos se unia a um estranho para, sob suas próprias vistas e em questão de segundos, transferir todo o dinheiro de suas contas.
— O valor é gigantesco. Uma transferência repentina dessas vai chamar a atenção da Polícia de Crimes Cibernéticos. — advertiu Ruslan.
— Eu já estou sendo procurada mesmo. — retrucou Lucinda Siqueira, impávida. O que importava se a polícia cibernética percebesse algo agora? Além do mais, procurara Soraia Siqueira com outro propósito em mente.
O ódio de Soraia era tanto que seu peito doía, e suas têmporas latejavam ferozmente.
O golpe final foi ver Lucinda enviando uma mensagem para Douglas, bem diante de seus olhos.
[Irmão, estou aqui com a mamãe. Quero sair do país, mas agora não consigo passar pelas fronteiras. Você vai me ajudar, não vai? Não avise a polícia, senão você não terá mais mamãe.]
Em anexo, havia uma foto de Ruslan com a ponta da lâmina cravada na garganta de Soraia.
Lucinda sabia com certeza que conseguiria intimidar Douglas Siqueira.
Por mais que ele estivesse furioso com a mãe, os laços de sangue imperavam; jamais viraria as costas para ela.
— Fique tranquila, mamãe. Enquanto o Douglas me ajudar a sair do país, não farei nenhum mal a você. — disse a garota.
Soraia, com os olhos injetados, rangia os dentes como se desejasse dilacerar a criatura à sua frente com a própria boca.
Você limpa as minhas contas e ainda me usa para chantagear meu filho!!!
Graças aos vinte e oito anos de vínculo entre mãe e filha, Lucinda soube decifrar exatamente o que aquele olhar significava.
— Eu só quero sair da fronteira em segurança, sem causar mais estragos. — explicou ela, fazendo uma careta de desgosto. — Se eu não tivesse sido encurralada por Inês Jardim e Rodrigo Simões, não teria recorrido a isso. Mamãe, você realmente não pode me culpar. Culpe a Inês por ser implacável a ponto de se aliar com a própria rival para acabar comigo.
No entanto, a polícia não era a única à sua procura; também havia outras pessoas na caçada. Nem precisava adivinhar para saber que eram homens a mando de Rodrigo. Pressionada por ambos os lados, sua única chance residia na mais pura insanidade.
— Só preciso que dê um jeito de me escoltar além da fronteira. — declarou ela.
Processos de extradição internacional eram longos e penosos; até que a papelada estivesse pronta, ela já estaria bem longe, vivendo livre e sob uma nova identidade.
Douglas adivinhou as intenções dela e retrucou:
— Acha mesmo que a polícia e o Rodrigo não vão deduzir que o seu objetivo é fugir do país?
— Pare de enrolar. Quero que você arrume um jeito de me fazer cruzar a fronteira. Vou partir agora mesmo. — Seu rosto não denotava pânico. Ironicamente, os anos convivendo com uma cardiopatia forjaram nela um autocontrole de ferro, permitindo que se mantivesse assustadoramente serena sob pressão.
— Você pode se recusar. Seus seguranças já foram abatidos, eu estou em vantagem numérica e a mamãe está em minhas mãos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Pra que um livro tão longo? É muito cansativo. Estou no capítulo 244 só agora ela foi revelada, para mim o livro só teria mais o envolvimento dela com o Rodrigo e acabaria ai, mas não, tem que passar de mil capítulos....
Parece até que mudou o autor do livro. Uma linguagem rebuscada, parecendo até português de Portugal....
A esposa do Robson era Nara Lessa, de repente mudou para Soraia Siqueira....
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...