Os três ficaram paralisados por um momento.
Adrian e Paulina trocaram um breve olhar, mas ele foi o primeiro a desviar, acenando para os dois:
— Senhorita Ramalho. Sr. Nunes.
Bryan lançou um olhar à silenciosa Paulina antes de perguntar a Adrian:
— Para onde você vai?
Adrian esboçou um leve sorriso no canto dos lábios:
— Volto para a Cidade Alvorecer.
Bryan perguntou, surpreso:
— Agora? Mas nós acabamos de chegar.
— Sim, agora. — Adrian deu espaço para eles passarem e, sem hesitar, atravessou o portão e entrou no carro.
Paulina permaneceu imóvel, em silêncio absoluto. No entanto, Bryan notou claramente o estado terrível de humor dela.
— Você quer que eu...
— Não precisa. — Paulina o cortou prontamente, forçando um sorriso antes de seguir em direção ao interior da casa.
Bryan abriu a boca para falar algo, mas engoliu as palavras.
Ambos haviam viajado ali representando suas respectivas famílias, além de abrigarem os anseios particulares de rever os próprios amigos.
Ao ver que Douglas estava muito mais magro e taciturno, um amargor tomou conta do peito de Bryan.
Paulina caminhou em círculos ao redor de Inês, analisando-a minuciosamente antes de acenar:
— Nada mal. Você não emagreceu; pelo visto ninguém a tratou mal.
Inês perguntou se Paulina não estava cansada da viagem, mas a amiga apenas negou com a cabeça.
Com um sorriso, Robson disse:
— Jantem todos aqui esta noite.
Toda a criadagem fora substituída e a casa passara por uma faxina exaustiva de ponta a ponta. O antigo quarto de Lucinda fora completamente esvaziado, agora destinado a abrigar tranqueiras e entulhos.
O quarto arrumado por Robson à espera de Inês continuava vazio, embora aquilo já não fizesse a mínima importância.
— Que dia tem de retorno agendado rumo à Cidade Alvorecer?
Ao transpassar o contato visual fixando no semblante alheio, entregou na mais estrita singeleza as sílabas que resumiam-se em pouquíssimos termos e definiam com prontidão a precisão ao questionamento abordado daquela natureza.
— Em breve.
De retorno para o Dia de Finados, a urgência residiu em resolver a Família Siqueira e desfazer o problema com Lucinda, tragando grande tempo; malgrado os arranjos nas atividades eletrônicas no compasso incessante do projeto Três Terras, acúmulos consideráveis ainda assombravam pendências na caixa de despachos do cotidiano da cientista.
A substituição rotineira e corriqueira das palestras na Universidade Alvorecer precisaria ser paga e continuada de imediato; em maio o marco principal centralizar-se-á aos trâmites das aferições sensoriais aplicadas ao sistema de monitorização dos ciclos de cultura agrária, sem esquecer de junho e suas bancadas finais nas academias. Nos retiros repousantes das pausas pedagógicas, rumaria no destino pautado a figurar na excelência acadêmica nas cadeiras cimeiras sediando à ilustre Conferência Científica Global.
Era certo que a correria se traduziria como um peão incansável sob os movimentos vertiginosos sem pausas.
Contudo os decênios da última fração histórica provavam os trancos extenuantes divididos nos abrigos do seu lar e os bastidores científicos perante o núcleo vital do laboratório de pesquisas constantes, sedimentando-lhe ao âmago um espírito avesso ao descanso das pernas frouxas.
Nessa balança agitada, repousava ainda um feito indispensável que o decurso invisível consumiu impunemente: O transcurso inelutável sob a roda temporal das faixas de data ao natalício do nascimento de Rodrigo Simões esvaíra sob águas caídas do passado.
No intermédio das urgências na Cidade Balma — mergulhados entre crises de âmbitos corporativos aos desfiladeiros de perturbações perante dramas estritamente intrínsecos de caráter íntimo e sigiloso nas disputas particulares —, escamoteou-se o esplendor do aniversário; as constelações não ganharam testemunho e nenhum traço do invólucro repleto nas surpresas festivas entregue materialmente ao contemplado do dia na referida jornada de glórias passadas em branco.
Encomendado secretamente a um intermediário — a compra exótica e cobiçada da ferramenta astronômica óptica encontrava-se imersa, abrigada perante à mudez profunda das quatro paredes na saleta institucional no recinto das lides no escritório de cátedra.
— A senhora está agendando regressar em que momento e horário sob os auspícios com a estonteante dupla junta do Diretor Simões para rumarem pelo retorno final ao destino certo? — questionou repentinamente a amiga através de entonações claras perante seus questionamentos proferidos. A mesma sentenciou na pontada derradeira com a convicção: — Regressaremos unidas.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Pra que um livro tão longo? É muito cansativo. Estou no capítulo 244 só agora ela foi revelada, para mim o livro só teria mais o envolvimento dela com o Rodrigo e acabaria ai, mas não, tem que passar de mil capítulos....
Parece até que mudou o autor do livro. Uma linguagem rebuscada, parecendo até português de Portugal....
A esposa do Robson era Nara Lessa, de repente mudou para Soraia Siqueira....
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...