A serenidade de Aella voltava aos poucos, deixando Tyrone inquieto.
As memórias dolorosas da vida passada...
Para Aella, eram todas feridas abertas.
Para ele, só restava arrependimento e tormento.
Aella esperava que ele tomasse a iniciativa de falar.
Bastava que ele se abrisse e colocasse tudo às claras, e ela aproveitaria para cortar qualquer laço entre eles, mais uma vez.
Como da última vez.
A mão de Tyrone sobre o ombro de Aella foi afrouxando devagar. Ele se deixou cair, exausto, no banco.
As mãos repousavam sobre o volante, o olhar perdido para fora da janela, mas os lábios permaneciam cerrados. Nenhuma palavra escapava.
Aella percebeu que havia algo estranho no humor dele.
Ela pegou o celular, pronta para ligar para os pais.
De repente, Tyrone arrancou o aparelho de sua mão.
Desligou-o antes de devolver.
O silêncio se instalou entre eles mais uma vez.
Mesmo com as janelas do carro abertas, o silêncio de Tyrone parecia sufocante.
Sem hesitar, Aella abriu a porta e saiu, religando o celular.
No instante em que o aparelho voltou à vida, ele tocou.
Aella atendeu rápido: "Obrigada por se preocupar, Daniel. Estou bem."
Antes que pudesse desligar, ouviu atrás de si um som seco—o baque da porta do carro se fechando.
Aella encerrou a ligação e se virou. Tyrone já estava parado bem diante dela.
Antes que pudesse reagir, ele a pressionou contra a porta do carro.
No meio de uma noite fria de início de inverno, o campo vazio era tão silencioso que só se ouvia o farfalhar do vento gelado nas folhas e o bater acelerado dos corações.
Aella semicerrava os olhos, observando Tyrone com atenção.
Os olhos escuros dele tinham um brilho avermelhado, um traço de loucura contida que arrepiava a pele.
Tyrone ergueu a mão e afastou delicadamente uma mecha de cabelo do rosto de Aella.
O toque era cuidadoso, incrivelmente suave.
Os olhos vermelhos nas bordas, lágrimas brilhando sob um sorriso amargo e tênue.
"Aella," disse ele baixinho, "quer saber o que eu mais desejo agora?"
Ele se inclinou e sussurrou ao ouvido dela.
Aella se desvencilhou e lhe deu um tapa no rosto.
Na noite deserta, o som seco ecoou alto.
O olhar de advertência fixou-se nele enquanto ela dizia: "Se você fizer isso de novo, vou te odiar para sempre!"
A frieza no olhar dela deixou Tyrone desconcertado.
Com um sorriso torto e dolorido, perguntou a Aella: "Quando você descobriu?"
Ela respondeu baixinho: "Suspeitei desde o começo, mas não tive coragem de acreditar."
Tyrone baixou o olhar devagar, desviando, depois ergueu um pouco a cabeça.
Um sorriso amargo e autodepreciativo surgiu nos lábios enquanto ele fechava os olhos, tomado pela dor.
Ele vinha se enganando esse tempo todo.
"Me desculpe, Aella."
Por mais que temesse perdê-la, por mais que temesse a tragédia, não deveria ter escondido a verdade.
Aella se aproximou, olhando nos olhos dele. "Tyrone, queira você admitir ou não, precisa encarar—não esquecemos nada de ruim que aconteceu entre nós na vida passada."
Tyrone finalmente desabou.
Os olhos vermelhos, lágrimas grossas escorrendo silenciosas pelo rosto.
Ele avançou, segurou Aella pelos ombros e gritou:
"Aella, fui eu quem te machucou na vida passada. Esta vida está só começando. Meu coração está limpo agora—minha alma também. Podemos recomeçar?"
O rosto de Aella permaneceu sereno, a voz firme. "Se esta vida está só começando para nós dois, por que não posso escolher outra pessoa? Por que tem que ser você?"
Ela o encarou. "Você realmente me vê como alguém tão patética assim?"
Eles apenas se olharam.
Tyrone ficou ali, perdido e inseguro, sem saber como responder.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: De esposa descartada a rainha
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