Em sua vida passada, Aella jamais esqueceu a cena de Tyrone ajoelhando-se para calçar os sapatos em Zera.
Daniel se endireitou, encontrou o olhar de Aella e disse com seriedade:
— Se eu realmente tivesse uma esposa e você me pedisse para amarrar seus cadarços, não faria isso. Não suportaria deixar minha esposa triste.
Aella o admirou de coração:
— Quem se casar com você será uma pessoa de sorte.
O olhar de Daniel prendeu o dela, brincalhão, mas transparente:
— Então, quer tentar ser a Sra. Hill?
O rosto de Aella se aqueceu sob aquele olhar.
Ela desfez o clima com uma piada:
— Eu não ousaria estragar você, Daniel.
Daniel abriu a porta do carro para ela:
— Não fique nervosa. Estou só brincando. Vá descansar no hotel primeiro — hoje à noite vou te apresentar a um amigo.
Aella passou a mão nos cabelos, tentando esconder as orelhas quentes.
Daniel podia chamar de brincadeira, mas a intenção era clara.
Os dois eram médicos; toda vez que se encontravam, a conversa fluía naturalmente.
Daniel tinha caráter, família e um temperamento ainda melhor.
Mas, naquele momento, para ela, nenhum homem competia com o trabalho.
Ela não queria gastar tempo ou energia com algo tão passageiro quanto o romance.
Não muito longe dali, Tyrone observava Aella e Daniel partirem, apertando as sacolas de compras até o papel se amassar.
Mesmo no exterior, Daniel cuidava dela com atenção — reservando o hotel mais próximo do hospital, voando por causa do frio, se agachando para amarrar seus cadarços, até confessando em meio a brincadeiras para não pressioná-la.
Noel se apressou ao ver a expressão do chefe e guardou as sacolas no porta-malas.
Tyrone apoiou uma mão na porta, curvando-se levemente enquanto uma dor surda apertava o peito.
Até Daniel — que nunca namorou — sabia que, ao ter uma esposa, não se amarram cadarços de outras mulheres, que a mulher com quem se casa é para ser valorizada.
Aella foi sua esposa por três anos.
Ele ignorou seus sentimentos e acumulou mágoas.
Não merecia seu amor, nem seu perdão.
...
Às duas da tarde, Aella acabara de voltar ao quarto do hotel quando vários funcionários da recepção entraram carregando dezenas de sacolas de compras.
A atendente à frente disse:
— Srta. Reid, um senhor Winter pediu que entregássemos isso no seu quarto.
Aella franziu a testa.
Senhor Winter?
Ele vinha mandando mensagens pela manhã e fazendo chamadas de vídeo à noite há dois dias.
Era irritante. Hoje ela recusou a ligação e não abriu as mensagens.
Desbloqueou o celular e viu agora — ele tinha chegado em Tuspuyria logo cedo.
Nesse momento, outra mensagem chegou.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: De esposa descartada a rainha
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