Tyrone levantou o pulso e conferiu as horas.
Ele conduziu Aella até o quarto principal. "Só tem uma cama aqui em casa. Se vira por uma noite. Amanhã cedo te levo para a escola."
Aella entrelaçou o dedo no dele e perguntou: "Se eu dormir na sua cama, onde você vai dormir?"
"No sofá," respondeu Tyrone.
"Ah." Aella assentiu e foi tomar banho.
Com um cobertor e um travesseiro nas mãos, Tyrone ficou parado do lado de fora do banheiro e lembrou: "Tem toalhas no armário. Pega qualquer pijama que quiser no closet."
Ao ouvir a resposta clara e animada dela, Tyrone foi para a sala.
Mais de quarenta minutos depois, Aella saiu vestindo apenas a camisa branca de Tyrone. O cabelo longo, recém-seco, caía solto pelas costas. Ela tirou as pantufas, pulou na cama de Tyrone e rolou feliz de um lado para o outro.
Abraçou o cobertor dele com força e afundou o rosto no travesseiro que ele usava. Tinha um cheiro fresco, o aroma que era só de Tyrone.
Então, pegou o travesseiro, caminhou descalça até a sala, levantou o cobertor de Tyrone e se enfiou ao lado dele.
Tyrone reagiu por instinto e a empurrou. Aella caiu no chão com um baque.
Ele se levantou. De cima, seus olhos percorreram as pernas nuas dela e a camisa larga. Sua mente ficou em branco, e a respiração travou.
O cérebro zumbia, e o fôlego ficou irregular.
Rapidamente desviou o olhar e estendeu a mão para ajudá-la a levantar. "Já é madrugada. Por que está aprontando em vez de dormir?"
Aella se aproximou, se enfiou debaixo do cobertor dele e disse baixinho: "Tyrone, acabei de ter um pesadelo. Estou com medo. Quero dormir com você."
Tyrone beliscou a bochecha levemente rechonchuda dela e encarou seus olhos vivos e atentos. "Inventando coisa de novo?"
Aella fez biquinho, com um olhar tão sofrido que encarou Tyrone sem piscar.
Tyrone não aguentou o olhar dela. Soltou.
Levantou e tirou o travesseiro dos braços dela. "Troca de roupa. Vou te levar pra casa agora."
Se ela continuasse assim, nenhum dos dois dormiria aquela noite.
Aella se jogou direto no cobertor de Tyrone. Encostou a cabeça no travesseiro recém-usado por ele e puxou o cobertor até o pescoço. Só os olhos e um pedacinho da cabeça apareciam.
Chutou as pernas debaixo do cobertor. "Não vou."
Tyrone não teve escolha. Enrolou ela no cobertor e a carregou para o quarto. "Se não quer ir pra casa, então se comporte."
Quando ele virou para sair de novo, Aella — ainda embrulhada — rastejou até a beirada da cama e abraçou a perna dele.
"Tyrone, eu juro que tive um pesadelo."
Ele olhou para baixo. "Sonhou com o quê?"
Ela riu. "Sonhei que você foi destruído por uma mulher má."
Tyrone sacudiu a perna e se livrou das mãozinhas dela.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: De esposa descartada a rainha
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