Afinal, Aella não era a culpada.
Fugir não resolveria nada.
Ela respirou fundo, abriu a porta e encontrou os olhos escuros e indecifráveis de Tyrone.
Eles não se viam havia muito tempo e, por um instante, nenhum dos dois falou.
Apenas ficaram ali, se encarando.
Aella costumava ser animada e falante, vivia seguindo Tyrone para todo lado, tagarelando sem parar. Mas agora, estava silenciosa e distante.
E Tyrone, que antes era frio e reservado sempre que ela estava por perto, agora segurava um bolo e caminhava em sua direção.
Um estava do lado de dentro. O outro, do lado de fora.
Por fim, Tyrone disse em voz baixa: “Feliz aniversário.”
O olhar de Aella desceu até o bolo em suas mãos.
Tyrone acompanhou o movimento do olhar dela.
Em um instante, lembranças passaram pela mente dela: praias, cruzeiros, flores, um bolo de mirtilo e aquelas postagens brilhantes nas redes sociais com a palavra ‘amor’.
O peito dela se apertou, seu coração se retorceu, e seu rosto ficou pálido.
Tyrone falou novamente, com um tom suave. “É o seu favorito. Trouxe direto de Vleka.”
A expressão de Aella se fechou.
Ela apontou para o corredor. “Leva isso embora.”
Tyrone franziu levemente a testa e ergueu o pé, como se fosse entrar.
Esse gesto quebrou o autocontrole dela.
Ela avançou e arrancou o bolo das mãos dele, com sua voz afiada. “Disse para levar embora!”
Tyrone colocou o bolo sobre a mesa de centro, fechou a porta atrás de si e segurou o pulso dela antes que ela pudesse se afastar.
“Peguei um voo noturno para estar aqui no seu aniversário”, disse, com os olhos presos aos dela. “E é assim que me recebe?”
Aella encarava o bolo sobre a mesa, com as emoções se desfazendo.
Como se estivesse fora de si, tentou jogá-lo fora, mas Tyrone a puxou para os braços, segurando-a com força.
Os dois se enfrentaram
Aella reagiu, gritando: “Não preciso que passe meu aniversário comigo. Nunca vou tocar em nada que venha de você!”
Tyrone segurou a nuca dela, obrigando-a a encará-lo.
“Aella”, disse em voz baixa: “Somos marido e mulher, não inimigos. Até quando vai continuar assim?”
Os olhos dela se encheram de lágrimas.
A voz dela falhou: “No momento em que você assou um bolo de mirtilo às escondidas para seu primeiro amor, deixei de ser sua esposa. Não finja que se importa!”
Os rostos estavam tão próximos que conseguiam sentir a respiração um do outro. O peito de Tyrone se apertou dolorosamente.
O rosto de Tyrone se abateu, o cansaço evidente em suas feições.
Ele estendeu a mão para a dela, mas Aella o empurrou com força. “Meu advogado já entregou as provas do seu caso ao tribunal. A audiência é na semana que vem. Se não aparecer, vou garantir que veja o que acontece quando eu revido!”
Tyrone franziu a testa. “Você reuniu provas?”
O tom de Aella ficou frio. “Se aceitar um acordo de divórcio, essas provas não vão importar.”
O ar entre eles ficou pesado e sufocante.
Tyrone pegou o bolo e o colocou do lado de fora da porta.
Então, fechando a porta novamente, disse em um tom calmo e controlado: “O bolo já era. Podemos ao menos sentar e conversar?”
Sem expressão, Aella virou o rosto. “Não há mais nada a dizer. Vá embora.”
Tyrone a observou em silêncio, dividido.
Ele ergueu a mão para afastar uma mecha de cabelo do rosto dela, mas Aella bateu na mão dele com nojo.
Ele segurou o braço dela outra vez, puxando-a de maneira rude para seus braços.
Ignorando a resistência dela, apertou-a com mais força, sentindo o quanto ela estava frágil e magra.
Uma dor surda se espalhou pelo peito dele.
A voz saiu baixa e rouca: “Aella, todo mundo tem um passado. Zera e a criança fazem parte do meu. Você não precisa continuar se agarrando ao meu passado.”

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