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De esposa descartada a rainha romance Capítulo 362

Naquele instante de perigo, Mason lançou-se sobre Aella, protegendo-a com o próprio corpo.

— Aella!

Tyrone correu até o local e ficou petrificado ao ver Mason e Aella caídos entre os escombros.

Aella sacudiu com força a cabeça atordoada e abriu os olhos. A primeira coisa que viu foi o rosto preocupado de Tyrone.

— O que você está fazendo aqui? — perguntou ela, com a voz fraca.

Tyrone baixou o olhar e disse:

— Eu estava passando de carro e vi o carro do Sr. Fulford estacionado lá fora.

Aella não deu muita atenção. Empurrou-o com dificuldade.

Logo depois de Tyrone, os policiais chegaram e começaram a retirar os destroços.

Tyrone notou um corte profundo no braço de Aella. Abaixou-se e tentou erguer a jovem nos braços.

— Vou te levar ao hospital — disse ele.

Mas Aella se soltou com todas as forças e correu até Mason.

Ele estava estendido no chão, inconsciente. Ela não ousava movê-lo.

— Mason, acorde! — gritou, com lágrimas escorrendo pelo rosto. — Você ainda tem um filho para criar! Por que arriscaria a vida por mim?

Tyrone ficou ali, vendo-a chorar por outro homem, e algo se retorceu dolorosamente dentro dele.

Mesmo sem ele, sempre haveria alguém disposto a arriscar a vida para protegê-la.

Ele fitou Aella, que chorava tanto que mal conseguia respirar. Seus olhos ardiam — de dor, ciúme e desespero.

— Aella, soluço, soluço.

— Papai, soluço, soluço.

O choro de Henry rasgou o caos. Ele cambaleou para fora do carro, lágrimas em cascata pelo rosto, e correu direto até Aella e o pai.

Aella puxou o menino para os braços, apertando-o contra si para acalmá-lo.

Tyrone cerrou os punhos, forçando-se a conter a tempestade por dentro. Quando enfim falou, a voz — normalmente firme e orgulhosa — saiu rouca e baixa.

— A ambulância está quase chegando — disse. — Ele vai ficar bem.

Mas Aella nem lhe dirigiu o olhar. Permaneceu ao lado de Mason, mantendo Henry junto ao peito e chamando o nome de Mason repetidas vezes, desesperada para que ele despertasse.

Tyrone ficou ao lado deles, sentindo-se completamente inútil.

Queria protegê-la com a própria vida — compensar toda a dor que lhe causara —, mas o destino nunca lhe deu essa chance.

Não importava o que fizesse, nem o quanto tentasse, ele sempre chegava tarde demais.

Sempre havia alguém ocupando o lugar onde ele queria estar.

E, mais uma vez, a verdade cruel se impôs: ele era apenas o homem extra na história dela.

Dois paramédicos desceram da ambulância e pediram à família que ajudasse a colocar Mason na maca.

Tyrone deu um passo à frente e conteve Aella.

— Ele ainda é uma criança — disse, apontando para Henry, que chorava em seus braços. — Leve-o no carro. Eu vou na ambulância.

Aella lançou um olhar ao rostinho de Henry, todo marcado pelas lágrimas, e não discutiu.

Quando chegaram ao hospital, já passava da meia-noite. Mason foi levado às pressas para um quarto.

Ela o recordou:

— Daqui a alguns meses, fará 27 anos que te conheço. Por respeito a Virginia e Raine, não quero que as coisas piorem entre nós.

Pausou e disse, em voz baixa:

— Não se esqueça do que me prometeu naquela ilha.

O quarto mergulhou em silêncio. Eles se encararam por um longo momento — tudo o que um dia existiu entre os dois soterrado pelo peso do não dito.

Por fim, Tyrone forçou as palavras, roucas e graves:

— Descanse um pouco.

Virou-se e saiu. Assim que ele partiu, Aella trancou a porta atrás dele.

Tyrone ficou no corredor, olhando pela pequena janela de vidro da porta. Lá dentro, Aella sentou-se à beira do leito de Mason, molhou um cotonete em água e umedeceu suavemente os lábios dele.

Os gestos eram macios e cuidadosos, cada movimento impregnado de uma ternura silenciosa.

Aquela cena doeu como uma lâmina torcendo-se em seu peito. O coração apertou, a respiração rareou e o corpo tremeu com uma dor que ele não conseguia soltar.

Eles se conheciam desde a infância — mais de vinte anos.

Ele sabia exatamente como ela era — teimosa, perfeccionista, incapaz de tolerar traição, e alguém que já se importou com ele mais do que com qualquer outro.

Então por que ele escolhera Zera? Por que destruíra o que tinham?

O punho de Tyrone acertou a parede.

A dor subiu pelo braço. Quando abaixou a mão, uma listra de sangue manchava a superfície branca.

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