— Só tem um problema. — Lívia arqueou a sobrancelha, sorrindo.
O rosto de Valter escureceu, ele não esperava que ela recusasse tão diretamente.
— Lili, o papai deve ter os seus motivos. Escute-o. — Sussurrou Ian para Lívia.
— Que motivos? — Ela perguntou.
Ian ficou surpreso. A Lívia de antes teria obedecido sem o questionar.
— Você não está cansada? Que tal deixarmos para tratar disso amanhã no escritório?
— Estou, de fato, cansada. Afinal, tive que lidar com a outra parte, negociar a parceria e ainda voltar a tempo de te fazer uma surpresa.
— Então...
— Mas ainda quero saber quais são os motivos do sogro. — Ela disse com um sorriso suave, mas firme, sem ceder um centímetro.
— Humpf! — Valter resmungou.
Lívia olhou para ele.
— Sogro, eu estou preparando esse projeto há mais de seis meses. Passei a maior parte do último mês viajando, trabalhando até de madrugada, às vezes até dormindo direto no escritório. Agora que o projeto finalmente está prestes a ser fechado, o senhor quer me substituir. Não posso simplesmente aceitar sem entender, certo?
— Você precisa ter visão de longo prazo! — Valter respondeu.
— Como assim, visão de longo prazo?
— Você é nora da família Santiago. Os negócios da família, mais cedo ou mais tarde, serão seus e do Ian. Um projeto não significa nada. Faço isso para ganhar apoio para você.
Lívia riu alto. O presidente do Grupo Céu Azul, tão imponente, mentindo na cara dura, sem corar ou tremer.
— E você ainda tem coragem de rir! — Teresa, que segurava a raiva, finalmente explodiu. — Se não fosse pelo fato de você ser nossa nora, Valter nem precisaria falar nada! Te chutaria para fora sem mais nem menos! Você teria coragem de pedir demissão?
— Mãe! — Ian alertou baixo.
— Já aguentei ela tempo demais! — Teresa bateu na mesa. — Que nora é essa que passa o dia fora, não ajuda os sogros e nem cuida do marido? Qual o sentido de ter uma nora assim na nossa família?
— Eu não sirvo para nada? — Lívia estalou a língua. — No ano passado, fechei dois projetos para a empresa, rendendo cem milhões, não foi?
— Você acha que a empresa não fecharia projetos sem você? — Teresa apontou o dedo para Lívia. — Só conseguiu porque seu sogro e o Ian te ajudaram! E ainda levou parte do bônus! Já se aproveitou o suficiente, não seja ingrata!
— Chega! — Valter gritou. — Uma família não deve agir assim, com tanta frieza!
— Papai, mamãe, não fiquem bravos. Eu vou falar com a Lili... — Ian tentou intervir.
— Não precisa! — Lívia o interrompeu. — Eu aceito sair do projeto!
— Lili, eu sabia que você era a mais sensata. — Ian respirou aliviado e sorriu, abraçando-a.
— Sou sensata mesmo, por isso sou fácil de enganar. — Lívia se afastou dele, rindo com desdém.
— Lili, o que você quer dizer com isso? — Ian franziu a testa.
— Quero dizer que você me enganou.
— Eu? Quando?
— Quando tiramos a certidão de casamento, você disse que me daria um casamento grandioso. Já se passaram três anos e você ainda não cumpriu sua palavra! — Lívia fez bico, fingindo estar brava.
— Você... quer um casamento?
— É pedir demais?
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Os comentários dos leitores sobre o romance: De um Casamento de Mentira ao Altar com um Ricaço: Agora Não Há Perdão