Nesse momento, uma mão grande e áspera, impregnada com um cheiro forte de tabaco, surgiu por trás e tapou-lhe a boca e o nariz. Ela foi erguida e arremessada com força sobre a cama de solteiro.
Atordoada pela queda, com a cabeça girando e a vista turva, ouviu atrás de si o som da fivela de um cinto sendo desatada.
— O cigarro e a bebida que eu mandei você comprar?! Por que não trouxe?
Essa voz? Será que... Não. Impossível! Ele já está morto!
— Eu te criei por tantos anos e você não serve para nada! — A voz dele estava ali, às suas costas, cada vez mais irritada. — Fala! O gato comeu sua língua?
Era ele! Era mesmo ele!
Lívia estremeceu violentamente, levantando a cabeça às pressas, procurando um lugar para se esconder.
Foi então que viu uma menininha de vestido branco, encolhida no canto da cabeceira. Ela estava apavorada, o corpo tremendo sem parar.
— V-você não me deu o dinheiro... o dono não quis vender mais fiado... — A voz era fina, como o zumbido de um mosquito.
Bastou isso para despertar a fúria do homem:
— Dinheiro, dinheiro, dinheiro! Todo dia você vem me falar de dinheiro! Igualzinha à sua mãe!
Em seguida, o homem alto, vestindo uma camiseta regata, avançou. Ergueu o cinto e o lançou com força contra o corpo da menina. Ela ficou paralisada de medo, incapaz até de se esquivar.
"Não bata nela! Não ouse bater nela!", os olhos de Lívia ficaram vermelhos. Ela quis correr para proteger a menina, mas seu corpo não se movia. Só pôde assistir ao cinto atingir a menina.
Um gemido abafado escapou da garota, que não ousava gritar, nem chorar alto.
De repente, Lívia se agachou, abraçou a própria cabeça e fechou os olhos, esforçando-se para respirar e se acalmar. "Tudo já passou. Já passou", pensou.
Muito tempo depois, abriu os olhos novamente. O quarto continuava sombrio, mas a menina e a fera tinham desaparecido. O coração, porém, doía ainda mais. Sem se permitir sentir essa dor, ela correu até a cabeceira e, debaixo do colchão úmido, encontrou uma pequena faca afiada. A menina a havia escondido ali. Apesar do medo, ela nunca desistiu de resistir.
Lívia inspirou fundo, guardou a faca consigo e voltou a bater na porta.
— Seus desgraçados! Abram essa porta se têm coragem! — O grito ecoou alto.
Os marginais cruéis e impiedosos, acostumados à violência, não estavam dispostos a tolerar aquilo. Num impulso, arrombaram a porta.
— Perdeu o amor pela vida? Cansou de viver, sua desgraçada?!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: De um Casamento de Mentira ao Altar com um Ricaço: Agora Não Há Perdão
Quero mais capítulos...
Cadê os próximos capítulos?...
Amando está história, gosto da personagem principal, não ficou de coitadinha. Pós a fila andar!...
Aguardando atualização...
Previsão para atualização?...
Previsão de término?...
Por favor, terá atualização para este livro? Há previsão de termino?...