Rhys parecia desconfortável. ‘Tá bom, tá bom. Eu só... queria um tempo a sós com você.’
Ele se levantou, pegou o telefone dele e me entregou. ‘Vai, liga.’
Peguei o telefone, mas de repente percebi—não lembrava o número de Ashton.
Quem memoriza números hoje em dia, afinal?
Eu poderia ter procurado o número oficial do LGH, ligado para a central e pedido para me conectarem com o chefe.
Mas isso parecia muita complicação. Isso significaria passar por gente que eu não conhecia, demoraria muito e tornaria tudo público antes de eu estar pronta.
Então, liguei para a Yvaine. O número dela, pelo menos, era um palíndromo. Fácil de lembrar.
‘Alô? Quem tá falando?’ Yvaine parecia cansada.
‘Sou eu, Yvaine.’
‘Mirabelle?’ Ela soltou um palavrão de dor.
‘O que houve?’ perguntei.
‘Nada, só bati a cabeça. É você mesmo? Você tá viva?’
‘Tô bem. Você pode vir me buscar?’
‘Você não tá morta? Você tá mesmo bem? Você... você me assustou tanto, sabia? Não fechei os olhos por dois dias. Tô ficando louca...’ A voz dela falhou, e ela começou a chorar.
‘Tá tudo bem. Tô bem agora, não se preocupe. Só vem me buscar, tá?’ Minha voz estava fraca e rouca.
'Sim, sim, claro. Me diga onde você está. Estou indo agora mesmo', ela disse, suas palavras se atropelando entre risos e lágrimas.
'Certo, o endereço.' Olhei para Rhys.
Ele pegou o telefone de mim e deu o endereço para Yvaine.
Depois ele se virou para mim. 'Ela disse que está a caminho.'
Eu assenti com a cabeça.
Rhys saiu da sala, e eu fui me trocar.
Recusei a ajuda dele e, lentamente, desci as escadas.
A casa era nova e decorada com bom gosto, exatamente como se esperaria de Rhys e seu bom gosto.
Parte de mim queria perguntar o que aconteceu com a cobertura que ele costumava ter — aquela em que eu tinha ficado, aquela que deveria ser nosso lar de recém-casados.
Mas eu não perguntei.
Sentada no sofá da sala, tentei reunir tudo o que conseguia lembrar do dia em que caí no lago, mas quanto mais eu tentava, mais minha cabeça doía.
Me forçei a pensar em outra coisa.
Rhys se sentou comigo. Ele parecia querer conversar, mas eu não estava a fim.
Eu tinha dado apenas alguns passos quando Ashton se aproximou.
Antes que eu pudesse falar, Yvaine pulou na minha frente, me protegendo com os braços enquanto gritava com Ashton: 'O que você está fazendo aqui? Já não machucou ela o suficiente? Se ninguém a tivesse tirado, ela estaria morta no fundo daquele lago agora!'
A testa de Ashton estava franzida. Ele não disse uma palavra, seus olhos fixos em mim.
"Eu aposto que você gostaria que ela estivesse morta, não é? Assim você poderia correr para os braços daquela víbora, a Genevieve, sem nenhuma preocupação. Bom, pode fingir que ela está morta agora! Assim você fica livre!" Yvaine levantou o punho contra ele.
Uma frieza intensa emanava de Ashton, suficiente para fazer Yvaine hesitar, mas ela manteve sua posição. "Não me olhe assim. Não tenho medo de você. Preferiria morrer a deixar você machucá-la de novo. Mirabelle, vamos embora."
"Eu vim te levar para casa, Mira," Ashton falou com calma, sua voz rouca, mas seu olhar fixo em mim.
Meu coração apertou. Mordi o lábio.
Yvaine não se deu por vencida. "Não volte com ele! Como ainda acredita no que ele diz? E quando ele te machucar de novo? Quando ele te levar a saltar de novo? Você teve sorte dessa vez. Na próxima, pode não ter!"
"Mira..." Ashton ignorou Yvaine completamente, como se ela nem estivesse ali. Seus olhos vermelhos não se afastaram dos meus.
"Vamos embora. Ignore ele," Yvaine insistiu, puxando firme o meu braço, com medo que eu cedes-se.
Soltei delicadamente minha mão e disse suavemente, "Eu tenho que voltar para casa, uma hora ou outra."
"Você ainda quer voltar? Não está planejando se divorciar dele?" Yvaine saltava de frustração. "Eu juro, sua cabeça deve estar quente ainda. Você realmente acha que esse traidor vai mudar? Ele—"
"Te ligo mais tarde," eu disse calmamente. Sabia que ela só estava tão brava porque se importava.

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