Dona Liliana bateu na própria coxa e desceu as escadas correndo. Quando estava prestes a gritar, viu Winter sentada na sala de jantar, saboreando tranquilamente o chá da tarde.
A alma de Dona Liliana voltou lentamente ao corpo.
Meu Deus, ela ia ter um infarto.
Em um piscar de olhos, a noite chegou novamente.
Winter recebeu o telefone das mãos do mordomo, Sr. Emanuel.
— Senhora, o jovem senhor quer falar com a senhora.
Winter pegou o telefone a contragosto, sem muito entusiasmo.
— Alô.
— Ouvi dizer que você se comportou hoje? — disse Xande.
Winter quase sentiu náuseas.
Incapaz de suportar a pose de bom marido de Xande, a voz de Winter se tornou ainda mais fria.
— Se não tiver mais nada a dizer, vou desligar.
— Espere!
— Winter, a empresa enfrentou alguns problemas grandes hoje, não poderei voltar para casa para ficar com você.
— Lembre-se de comer direito e descansar cedo. Ouviu?
— Se você for boazinha, amanhã te trago outro presente.
Do outro lado da linha, Xande segurava uma caixa de brocado.
Dentro dela, havia um colar valiosíssimo que ele arrematara em um leilão alguns dias antes.
Ele... queria dá-lo a Winter.
Embora estivesse furioso com ela, quando se acalmava, a culpa parecia pesar mais.
Portanto, desta vez, ele realmente queria compensá-la.
Ao pensar nisso, um leve sorriso surgiu em seus lábios. Ela não pareceu gostar do anel de hoje de manhã; esperava que este colar a agradasse.
— Se você está com a Srta. Lemos, não precisa inventar desculpas para mim.
— Porque, de qualquer forma, eu não me importo.
Dito isso, Winter desligou o telefone com um clique e o devolveu ao Sr. Emanuel.
— Se ele ligar de novo, eu quebro seu celular.
Diante da ameaça feroz da senhora, o Sr. Emanuel agarrou seu novo celular.
Ele não entendia como a antes dócil senhora havia mudado tanto da noite para o dia, tornando-se tão difícil de lidar.
Winter voltou para seu quarto e trancou a porta novamente com um clique.
Dona Liliana, rejeitada mais uma vez, perguntou ao Sr. Emanuel, exausta:
— Eu... eu tenho que vigiar a senhora esta noite de novo? Não pode arranjar alguém para me substituir?
— Meus velhos ossos não aguentam mais ficar aqui na porta...
O Sr. Emanuel a fuzilou com o olhar.
— Não aguenta? Que tal eu te mudar de posto permanentemente, o que acha?
Dona Liliana estremeceu e não ousou mais reclamar.
Mudar de posto?
Claro que não. Nos últimos dias, seu salário estava triplicado. Se mudasse de posto, esse dinheiro extra iria embora.
O Sr. Emanuel se virou para sair.
— Fique de olho nela, não a perca de vista um segundo sequer. E não perca nenhum movimento!
Com as mãos para trás, o Sr. Emanuel se afastou, como se todo o poder da casa estivesse em suas mãos, e suas ordens fossem lei.
— Não bastou me demitir do cargo de sua secretária?
— Você não me quer mais...?
Violeta, vestida de branco, com os olhos marejados, parecia frágil e prestes a desmoronar.
Hugo olhou para Xande, apavorado.
— Diretor Dutra, não conseguimos impedir a Srta. Lemos.
Xande fez um gesto para que ele saísse.
Depois que Hugo fechou a porta, Xande se levantou, massageando as têmporas.
— Violeta, eu só queria que nós dois tivéssemos um tempo para respirar.
— Aconteceram algumas coisas na Família Dutra, e a empresa enfrentou uma crise sem precedentes hoje.
— Eu nem fui ao hospital ainda. Mal consegui respirar, e você vem me cobrar satisfações.
— Violeta, meu mundo não pode ser só de amor, tem que haver a realidade... você entende?
A atitude de Xande assustou Violeta.
Realidade?
A realidade dele era que ele se cansou dela, que não a queria mais?
Aquela vadia da Winter era a realidade?
Ela se apressou e se jogou nos braços de Xande.
— Fui eu que te causei problemas?
— Eu sei que nosso relacionamento te colocou em uma situação difícil...
— Se você estiver muito ocupado, eu posso não aparecer, não te procurar por um tempo.
— Mas Xande, mesmo que seja só quando estiver cansado, me mande uma mensagem, diga que está bem, por favor.

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