Somente após resolver as pendências com as novas babás é que Winter voltou a sair de casa.
Seu primeiro destino foi a Ordem de Isaque Arte.
— Peço desculpas pela ausência recente. Estão todos bem?
O surgimento de Winter causou uma onda de surpresa e alegria entre todos.
— Winter!!
— Finalmente você apareceu!
— Aconteceu alguma coisa? Você sumiu de repente! A internet inteira estava comentando sobre o misterioso desaparecimento de W. Ficamos mortos de preocupação.
Winter olhou para os rostos familiares, sentindo um imenso peso na consciência.
— Eu avisei no grupo que tive um imprevisto com os meus bebês, não avisei? Mas já está tudo resolvido, por isso estou de volta.
— Sinto muito por ter causado tanta aflição.
Ela uniu as mãos em um gesto de desculpas, demonstrando uma vergonha genuína.
Desde que assumira a Ordem de Isaque Arte, estivera imersa nos preparativos de sua exposição. Agora que o evento havia chegado ao fim, percebia que o ateliê continuava estagnado.
Na posição de atual proprietária e detentora da pesada responsabilidade, confiada por seu mestre, de elevar o nome do ateliê, ela sentia que o verdadeiro trabalho sequer havia começado sob sua gestão.
Contudo, dessa vez, Winter havia retornado com um plano sólido.
— Pessoal, acabamos de conseguir um contrato colossal.
— Quero dedicação total de vocês!
— Cof, cof — pigarreou Winter, esboçando um leve sorriso. — O conjunto completo de louças e cristais do meu casamento será idealizado pela Ordem de Isaque Arte. Do projeto à fabricação, precisaremos preparar... no mínimo, cinco mil jogos.
— Quantos?! — exclamaram todos em uníssono.
O choque era palpável.
Cinco mil jogos?
Não eram quinhentos, mas cinco mil?!
Ela iria convidar cinco mil pessoas para a festa?
Sabendo que Winter jamais brincaria com algo assim, o estupor rapidamente deu lugar a gritos histéricos de euforia.
— Parabéns, Winter! Você vai se casar!
— Tinha que ser a Winter! O primeiro grande projeto da Ordem de Isaque vem da própria chefe! Chefe, o seu objetivo é lucrar ou ir à falência?
— Hahaha! O que importa é que temos trabalho. Acabou a miséria!
— Emanuel, me belisca para eu ter certeza de que não estou sonhando!
Winter bateu palmas, recuperando a atenção do grupo: — Eu ainda não terminei de explicar as condições.
— Algumas dessas louças e cristais serão usadas na própria recepção, enquanto outras serão entregues como lembranças aos convidados. Por isso, eu participarei ativamente do design e até fabricarei a primeira peça do conjunto.
— Além disso, exijo exclusividade absoluta. Quero criações únicas, impossíveis de serem encontradas em qualquer outro lugar do mundo, pois isso tem um valor imensurável para o meu marido e para mim.
— Portanto, Tito, Xisto, Karine e Zacarias, precisarei da ajuda de vocês. Quero que deem o sangue por esse projeto.
— Esta é a oportunidade perfeita para projetarmos a Ordem de Isaque Arte para o cenário mundial.
Em vez de retornar diretamente à mansão, Winter pediu que Eduardo a conduzisse até o hospital.
Tinha a informação de que Simão havia despertado há exatos dez dias.
Já fora, inclusive, transferido da UTI para um quarto especial.
Em contrapartida, o quadro de Yasmin Nobre era bem mais crítico que o dele.
Apesar de Simão ter sofrido queimaduras em metade do corpo, a agilidade no socorro garantira sua sobrevivência.
No entanto, Winter soubera que metade de seu rosto havia sido desfigurada.
Aquela feição antes tão galante e sedutora, capaz de enfeitiçar e levar qualquer mulher à loucura, agora lembrava o semblante macabro de um crânio.
Mesmo que os enxertos de pele funcionassem, Simão jamais voltaria a ser o canalha engomado que enganava mulheres; havia se tornado uma figura mutilada e aterrorizante.
Perdera o seu maior motivo de vaidade, o rosto pelo qual tanto zelava, a máscara que sustentava todo o seu ego perante o mundo.
E para piorar, assim que recebesse alta, enfrentaria a fúria implacável da justiça e, muito provavelmente, passaria o resto de seus dias atrás das grades.
Ao chegar ao hospital, com o auxílio direto do Diretor Farias, Winter seguiu sem impedimentos até o quarto do paciente.
Simão lutava arduamente para sugar um caldo por um canudo.
Assim que ela surgiu à porta, o enfermeiro levantou-se e retirou-se em silêncio.
Ao perceber de quem se tratava, Simão soltou um grito pavoroso, engasgado de terror.
Em seguida, começou a tremer descontroladamente: — O... o que você quer aqui...?

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