Sheila exibiu uma expressão despreocupada: — Ah...
— Sheila, você pode ao menos se concentrar nas suas tarefas? A sua habilidade para trabalhar é uma coisa, mas acha que vale a pena recorrer a artifícios para atrair a atenção do patrão? Você devia se olhar no espelho; há cinco anos que você tenta de tudo e ele nunca lhe deu um segundo olhar.
Por que agora você mudou a tática e começou a fingir ser a idiota para chamar a atenção do Sr. Cavalcanti? Você só vai se prejudicar ainda mais.
Priscila Mendes cruzou os braços com um sorriso desdenhoso: — Sem contar que você deve saber muito bem. A Dona Valentina era quem o Sr. Cavalcanti mais amava; fora esse rostinho, o que você tem para chegar aos pés dela?
Sheila finalmente ouviu alguém falar de Valentina, e de repente agarrou Priscila.
— Dona Valentina? Ela é casada com o Helder?
Priscila se assustou com o gesto de Sheila e, após hesitar por alguns segundos, respondeu com nojo nos olhos.
— Valentina é a cunhada do Sr. Cavalcanti, todo mundo na empresa sabe disso. Não se faça de desentendida comigo. Eu te aviso, desista das suas ilusões, você não chega aos pés dela.
Priscila a repreendia com vontade quando Helder e o assistente André Soares passaram bem pelo escritório de Sheila.
Eles ouviram toda a conversa entre Priscila e Sheila.
Quanto mais escutava, mais absurdo André achava aquilo; a tal de Priscila era mesmo ousada. Mas ela não parava de elogiar Valentina, e nem mesmo André ousava defender Sheila.
Ninguém conhecia tão bem quanto ele o lugar que Valentina ocupava no coração de Helder.
Como esperado, Helder continuou caminhando sem parar e sem a menor intenção de tomar as dores de Sheila.
É óbvio que André não ousou se intrometer.
— Mande a Sra. Valente trazer uma xícara de café para o meu escritório. Feito na hora.
Ao chegarem ao escritório da presidência, Helder parou de repente, e André quase trombou com ele por falta de atenção.
Por sorte, parou quando faltavam apenas dois centímetros.
O susto quase o fez ter o coração pulando pela boca.
— Ah?
Pedir um café àquela hora?
André achou estranho, pois o Sr. Cavalcanti nunca tomava café depois das nove da manhã.
Priscila quase teve um ataque de raiva; o teatrinho de Sheila já tinha passado dos limites, ela a desprezava tanto que não lembrava mais o nome dela?
— Eu sou a diretora da secretaria, Priscila Mendes. Sou a sua chefe.
Sheila pegou a bolsa e o casaco, sorrindo gentilmente.
— Sra. Mendes, eu tenho um imprevisto e preciso sair, por favor, prepare o café e leve ao Sr. Cavalcanti.
Priscila achou que tinha ouvido errado.
— Como é que é?
Sheila já tinha chamado o carro, que chegaria em cinco minutos ao térreo.
— Você, leve o café por mim. Eu vou embora.
Priscila correu para a copa como um furacão.
Nos últimos cinco anos, o café de Helder tinha sido sempre preparado por Sheila. Embora não houvesse uma ordem expressa da diretoria para isso, diziam que o Sr. Cavalcanti amava café e ela aproveitava até as férias da empresa para fazer cursos especializados sobre o assunto.

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