Helder encarou a mulher corajosa à sua frente, e Sheila até levantou o pé, esfregando-o suavemente.
— Explique-se.
A voz de Helder soou grave e o seu olhar pousou nas belas pernas dela.
Ele tinha visto aquelas pernas por cinco anos, então por que hoje lhe pareciam tão especiais?
Após massagear o pé, Sheila olhou para Helder.
— O quê?
Ela não entendeu a fala dele.
— Você não consegue encontrar nem o cronograma na reunião, e não acha que precisa me dar uma explicação?
Sheila só tinha entrado para lhe pedir demissão.
Não tinha nada a explicar.
— Não há necessidade disso. Eu também não me lembro.
Helder endireitou a postura, e a mão que batia de leve na mesa parou de repente.
Ele tinha ouvido direito?
Sheila tinha mesmo ousado retrucar.
Ela se levantou diante dele e arrumou a saia amassada.
Quem seria o responsável por encher o guarda-roupa dela com roupas desse tipo?
Se agachasse um pouco, ficaria quase sem disfarçar a lingerie que usava por baixo.
— Ah, sim. Você disse que sou sua esposa, certo? Eu pretendo me demitir. De qualquer forma, a empresa também tem a minha parte, não seria bom se eu ficasse em casa sendo uma boa dona de casa? É isso, vou indo.
Sheila não deu a menor chance de Helder responder.
Ela achava que não era necessário.
Se ele concordava ou não, ela ia se demitir de todo jeito.
Quem ousaria trabalhar com ele, se ele ficava o dia todo com um rosto tão sombrio; ela sentia uma opressão toda vez que o via.
O passo seguinte à demissão seria encerrar aquele casamento ridículo.
Ela não fazia a menor ideia de por que tinha casado com Helder.
E ainda menos de como tinham tido uma filha.
Ele tinha outras coisas mais importantes para resolver.
Ao sair de perto de Helder, devido à curiosidade, Sheila perguntou e seguiu direto para o seu escritório.
Era um escritório espaçoso, de quase cem metros quadrados.
A grande janela de vidro mostrava quase toda a cidade aos seus olhos.
A vista era linda.
Ela não pôde deixar de estalar a língua.
Há cinco anos, o Grupo Solaris era de fato a empresa com que os estudantes de finanças sonhavam.
Agora ela estava ali, mas era uma pena que iria embora em breve.
Sheila abaixou o olhar para os materiais sobre a mesa e começou a mexer e procurar.
Ela queria encontrar alguma coisa por ali, mas o som de sapatos de salto alto se aproximou.
A porta se abriu, e uma voz aguda e cheia de raiva saiu da boca da mulher.
— Sheila, o que está acontecendo com você hoje? Cometendo um erro enorme desses, você não quer mais trabalhar aqui? Se não quiser, a empresa tem muita gente querendo a sua vaga.

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