— Nanda...
Do outro lado da linha, a voz soou grave e reprimida.
O humor leve de Fernanda Cruz despencou para o fundo do poço no mesmo instante.
Ela desligou na cara dele.
A comida no prato perdeu completamente o gosto.
Leonardo Soares tinha dito com todas as letras que, desde que ela parasse de ir a encontros às cegas, não a incomodaria mais. E agora estava ligando para atormentar. Quando isso ia acabar?
Fernanda Cruz olhou para a tela e viu que era um número local desconhecido. Ela o bloqueou imediatamente, sentindo apenas um pingo de alívio.
Do outro lado, Leonardo Soares ouviu o som da chamada encerrada. Sem desistir, tentou ligar de novo e de novo, mas só escutou o sinal de ocupado.
Ele estava em pé no jardim. Naquela noite de festa com a família, olhando para o céu, ele não conseguia encontrar onde estava a sua lua.
Antôn Soares saiu correndo da mansão e abraçou com força a perna do pai. Inclinou a cabecinha e gritou:
— Papai, eu sei recitar um poema! A mamãe que me ensinou!
Leonardo Soares guardou seus pensamentos conturbados, curvou-se e pegou Antôn no colo. Faltava pouco mais de um mês para o menino completar três anos. Era a fase em que mais gostavam de falar.
Como havia pegado um resfriado há alguns dias, o menino andou abatido. Agora que estava começando a melhorar, não calava a boca um segundo.
— Olho para o céu estrelado, a lua cheia a brilhar... — Antôn balançava a cabeça enquanto recitava com a vozinha fina e clara.
Leonardo Soares segurou o filho nos braços e olhou para a lua no horizonte. Em silêncio, completou o pensamento: Que a vida seja longa, e que possamos compartilhar a beleza da lua, mesmo a milhas de distância.
Mas sua mente estava longe. Ele elogiou no automático:
— O Antôn é muito inteligente. Já sabe recitar um poema tão longo.
Antôn Soares balançou os bracinhos, animado, pedindo para chutar bola com o pai. Leonardo brincou com ele por alguns minutos, até ouvir a voz suave e repreensiva de Serena Gomes.
— Leo, o Antôn ainda não curou direito da gripe. Não deixa ele suar muito.
Leonardo Soares parou imediatamente e enxugou o suor da testa do menino. Serena se aproximou, pegou o filho com cuidado, deu um beijo em sua bochecha e parou ao lado de Leonardo.
— Antôn, vamos olhar a lua com a mamãe e o papai?
Antôn Soares não dava a mínima para a lua. Ele queria jogar bola, ou subir para brincar com os carrinhos. O pai sabia tudo sobre carros, e Antôn o admirava muito.
Ele chutou o ar, querendo descer. Uma criança de três anos detesta ficar presa no colo por muito tempo. Sem escolha, Serena colocou o filho no chão.

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