Diana empalideceu e olhou pela janela, vendo um cachorrinho branco caído em uma poça de sangue.
Era Fofo, o cachorro de rua que ela criava há dois anos.
Diana correu para fora. No momento em que viu Fofo, seus ouvidos zumbiram: — Fofo!
Com as mãos trêmulas, Diana pegou Fofo, que estava moribundo. Yasmin segurou a própria mão e desceu correndo as escadas com uma expressão de pânico, jogando-se nos braços de Enzo: — Enzo, dói...
Enzo franziu a testa: — O que foi?
Yasmin ergueu a mão: — Enzo, eu só queria abraçar o cachorro, mas ele tentou me morder. Fiquei com medo de que ele machucasse mais alguém, então tentei segurá-lo, mas ele pulou lá de cima sozinho. Enzo, será que ele tem raiva? Eu vou morrer?
Os dedos de Yasmin tinham alguns arranhões, mas não sangravam. Ainda assim, ela tremia de dor.
Enzo ficou com pena e a raiva subiu. Ele gritou para Diana, que estava ajoelhada diante do corpo de Fofo: — Diana, eu já te disse várias vezes para não criar esse bicho, mas você insistiu. Agora machucou a Yasmin, não foi? Se acontecer alguma coisa com ela, eu não vou te perdoar.
Dito isso, Enzo pegou Yasmin no colo e saiu a passos largos.
A chuva que mal havia parado voltou a cair, batendo fria no corpo.
Quando Diana levou Fofo ao hospital, o médico disse que ele já tinha partido.
Fofo era um cachorro de rua muito coitado. Quando Diana o viu, ele estava coberto de ferimentos por ter sido espancado, encolhido em um canto, lambendo as próprias feridas com a linguinha.
Achando-o digno de pena, Diana decidiu adotá-lo.
No começo, Enzo não concordou. Diana implorou por muito tempo, prometendo que Fofo não o incomodaria, e só então ele aceitou.
Depois de chegar ali, Fofo, assim como Diana, sabia que ninguém gostava dele, então aprendeu a não fazer barulho nem bagunça.
Todos os dias, ele ficava na pequena almofada que Diana tinha preparado para ele. Toda vez que ela chegava do trabalho, via Fofo deitado ali, com os olhos brilhando ao vê-la.
Ele a esperava voltar para casa todos os dias.
Agora, nunca mais haveria uma vidinha esperando por ela.
O último resquício de sentimento que ela tinha por aquela casa também desapareceu.
Diana mandou Fofo para ser cremado. Ao seu lado, o celular tocava e parava, parava e tocava.
Diana não deu atenção.
No fim, ela recebeu um potinho branco e pequeno, ainda com um resto de calor.
Dentro dele estava o seu Fofo.
O peito de Diana estava incrivelmente apertado, mas ela não conseguia chorar.
Ela pegou o celular em silêncio e ligou para o advogado que Gabi lhe recomendara: — Dr. Lima, tem algum jeito de me divorciar o mais rápido possível?
Do outro lado, o Dr. Lima fez uma pausa: — Se quiser um divórcio rápido, pode entrar com uma ação de divórcio litigioso, mas essa via exige provar que a outra parte cometeu uma falta grave.
— Entendi.
Diana desligou e passou a mão no potinho.
Ela sempre achou que não se devia passar dos limites.
Mas, se os outros passassem, ela passaria ainda mais.
Diana caminhou para casa sob a chuva. O frio a envolvia o tempo todo, mas o potinho em seus braços ainda guardava um pouco de calor, como se Fofo estivesse usando suas últimas forças para protegê-la.
Nesse momento, um Bugatti parou ao lado.
O vidro desceu devagar. O homem lá dentro vestia um terno preto clássico, com seu rosto belíssimo refletido na janela. Ele virou ligeiramente o rosto, e seus olhos caíram sobre o corpo frágil da mulher.
O motorista na frente disse: — Senhor Campos, é a Sra. Soares.
— Eu não estou cego.
— Com essa chuva toda, a Sra. Soares vai acabar ficando doente.

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