— Tia Glória, calma. Sabe em qual hospital o Augusto está internado? — Perguntei.
Afinal, Cláudio tinha feito isso por minha causa. Eu não podia simplesmente ignorar. Depois de anotar o endereço, me despedi de Glória.
Enquanto olhava para o céu ainda azul pela janela, uma sensação pesada e sufocante tomou conta do meu coração.
…
Na ala VIP do hospital ortopédico de Cidade H, fiquei do lado de fora do quarto de Augusto.
Eu podia ouvir a voz de Fabiana lá dentro, cheia de falsa preocupação, e os sons da pequena Laís brincando. Era óbvio que elas estavam ali.
Eu não queria ser humilhada, então optei por esperar no corredor. Somente quando o sol começou a se pôr, Fabiana e Mônica saíram do quarto levando Laís com elas.
Quando finalmente abri a porta, Augusto estava apoiado na cabeceira da cama, perdido em seus pensamentos. Ele girava o rosário entre os dedos, sem muito foco, como se sua mente estivesse longe. O peito dele estava todo enfaixado, e havia uma leve marca de hematoma no canto de sua boca.
Ao ouvir o som da porta, Augusto levantou os olhos para me encarar. Seus olhos brilharam por um instante antes de ele lançar um sorriso frio:
— Veio pedir desculpas pelo Cláudio?
Eu não quis perder tempo com rodeios e fui direto ao ponto:
— Eu sei que você não vai deixá-lo em paz tão facilmente. Então, o que você quer para deixá-lo livre?
Os olhos de Augusto analisaram-me lentamente, como se quisesse decifrar cada detalhe. Em um tom sombrio, ele perguntou:
— Está tão preocupada assim com ele? Não é à toa que você já tinha preparado os papéis do divórcio com tanta antecedência. Agora entendo que é porque você já tinha outro esperando por você.
Eu apertei os dedos, contendo a raiva:
— Augusto, por que você se casou comigo, eu realmente não sei. Mas você sabe muito bem. Agora que tudo chegou a esse ponto, você ainda tem coragem de colocar toda a culpa em mim? Essa surra foi mais do que merecida.
Os olhos de Augusto escureceram, e um lampejo de dor atravessou seu rosto.
— Desde que você entrou neste quarto, não perguntou uma única vez sobre os meus ferimentos. Desde que chegou, só fala sobre o Cláudio.
Eu soltei uma risada amarga:
— Augusto, esqueceu como você me tratava quando eu estava doente? Sempre foi assim. Você me ignorava do mesmo jeito.
Enquanto eu falava, vi a expressão dele se tornar cada vez mais sombria. Naquele momento, percebi que o destino às vezes era surpreendentemente justo. Sem que percebêssemos, ele devolvia as consequências das nossas ações na mesma moeda.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle
Tá ficando cansativo! Poxa rodeia e rodeia e nunca conclui o livro. Já vou deixar pra lá! Está cansativo a história. 🙄...
Pocha......