Eu sorri sem humor e perguntei:
— Sr. Augusto, o que exatamente você quer dizer com “mal-entendido”? Está preocupado que os colegas de Laís pensem que eu sou a mãe dela?
O rosto de Augusto mudou sutilmente. Ele desviou o olhar por um instante e respondeu:
— Você nunca cuidou de uma criança. Tenho medo de que não consiga cuidar dela direito.
Senti um aperto na garganta, e um sorriso amargo se formou em meus lábios.
— É verdade. Eu nunca cuidei de uma criança, e tudo por sua causa!
A testa de Augusto se franziu. Ele me encarou com o olhar sério e perguntou em um tom baixo:
— O que você quer dizer com isso?
— Nada.
Eu engoli as palavras que estavam prestes a sair. Por muito pouco, quase joguei toda a verdade na cara dele naquele momento.
Mas não queria continuar aquela discussão. As perguntas que queimavam em minha garganta estavam à beira de escapar, mas eu me forcei a engolir cada uma delas.
Para esconder a raiva e a tristeza que brilhavam nos meus olhos, abaixei a cabeça e fingi estar completamente focada no bolo que estava terminando de preparar.
Laís, no entanto, não percebeu a tensão no ar. Ela correu até Augusto, segurou a mão dele e começou a balançá-la de leve, pedindo com sua voz doce:
— Papai, deixa a tia Débora ir comigo, por favor! Eu vou explicar pros meus colegas que ela não é minha mãe. Ninguém vai se confundir, eu prometo!
Normalmente, quando Laís fazia manha, Augusto acabava cedendo. Mas, dessa vez, ele parecia firme. Era evidente que ele não queria que eu me aproximasse demais de Laís. Ele sabia que tinha culpa no cartório, e isso o deixava inquieto.
Quando percebeu que Augusto não cederia, Laís abaixou os olhos, e sua voz, tão animada antes, agora soava desanimada:
— Em todas as atividades do jardim de infância, os outros colegas têm mamãe e papai com eles. Só eu... Só o papai vai comigo. E agora nem você pode ir...
As palavras de Laís pareciam ter atingido Augusto como uma faca. Ele ficou em silêncio por alguns instantes, claramente afetado pelo que ouviu. Por fim, ele suspirou e respondeu:
— Tudo bem. Eu deixo.
Os olhos de Laís brilharam como estrelas. Ela correu até mim, radiante, e exclamou:
As palavras atingiram Augusto em cheio. Ele ficou em silêncio por um momento, mas seus olhos afiados continuaram fixos em mim.
— Você já tem a morte de Alice nas mãos. Eu te dei uma chance de continuar viva. Mas, se você pensar em machucar Laís, eu vou fazer você pagar com a vida.
Aquelas palavras foram como um golpe direto no meu peito. Era a coisa mais irônica e cruel que ele poderia dizer. Ele estava me ameaçando para que eu não machucasse a minha própria filha.
Meu coração estava em pedaços, e eu senti as lágrimas começarem a se formar. Por dentro, eu gritava:
“Augusto, você mentiu tanto que até você acredita nas suas próprias mentiras?”
Engolindo o nó na garganta, eu respondi com a voz trêmula:
— Eu nunca machucaria a Laís. Pode ficar tranquilo.
As lágrimas quentes começaram a escorrer pelo meu rosto, mas eu virei o rosto para o lado. Não queria que ele me visse fraca.
O que eu não esperava era que ele se aproximasse e, com um gesto inesperadamente gentil, limpasse as lágrimas no meu rosto. Sua voz saiu rouca e baixa:
— Se você gosta tanto de crianças assim, podemos ter outro filho.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle
Gente o que o tio do Thiago tem haver com o sumiço da mãe dela. Coitada Thiago tbm escondeu da Débora esse sumiço....
Perguntas que ficaram sem respostas O que houve com a mãe da Débora? O pai dela é o pai do Lorenzo? Eles encontram o Felipe? O Cláudio e a Alice ficam juntos? Sério que por causa de um escândalo a empresa multimilionária do Augusto faliu? Diz que vai ter mais capítulos, pq se a história acabar aqui é lamentável para dizer o mínimo, tantos capítulos pra terminar assim? Ajuda aí autor!...
Não acredito que acabou com tantos finais sem desfecho. O que aconteceu co. A mãe da Débora? O pai dela quem era? O Cláudio não cumpriu a promessa? O Filipe foi encontrado?...
Quase no final eles bloqueiam os episódios, brincadeira isso....
Apesar de eu gostar de histórias com finais em aberto, existe uma diferença brutal entre um desfecho aberto intencional e uma ponta solta por incompetência ou preguiça do autor. Na teoria literária, o primeiro é uma escolha artística para gerar reflexão, enquanto o segundo é apenas um plot hole. Nessa história o que não falta são pontas soltas, falhas de roteiro, sinto que a história acabou antes do que a autora desejasse que fosse o fim. E quanto aos pais biológicos de Débora? E quanto aos paradeiro de sua mãe? Essas e outras questões me deixam com essa sensação. A história não oferece elementos para que o leitor teorize o final. Fica evidente que a autora se encurralou em um mistério tão complexo que ela mesmo não soube como resolver, optando por cortar a cena ou encerrar a história de forma abrupta para "fugir" do problema....
Num outro aplicativo tem mais sobre o casamento, mas mesmo assim a história ficou incompleta,a mãe da Débora não fala se ela morreu quando desapareceu, a Alice não ficou com o Claudio e a Mônica que fim teve na verdade com a mãe dela.Sao detalhes que fez diferença...
Amei esse livro, me prendeu do começo ao fim, porém não acredito que essa história vá terminar assim. Com certeza vai sair mais episódio. Lembro quando comecei a ler era 999 capítulos, depois apareceu mais ate 1010... estou na esperança de sair o resto dessa história. Só uma ressalva, a partir desse capítulos que começa a pagar, está faltando algumas partes... por favor alguém corrige esse erro, pq ate agora não sei o que o Thiago disse para Debóra......
Sério q acaba no capítulo 1010???...
Cadê o capítulo 982??? Vão liberar qdo?...
Mentira que acabou assim...