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Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle romance Capítulo 203

Eu sorri sem humor e perguntei:

— Sr. Augusto, o que exatamente você quer dizer com “mal-entendido”? Está preocupado que os colegas de Laís pensem que eu sou a mãe dela?

O rosto de Augusto mudou sutilmente. Ele desviou o olhar por um instante e respondeu:

— Você nunca cuidou de uma criança. Tenho medo de que não consiga cuidar dela direito.

Senti um aperto na garganta, e um sorriso amargo se formou em meus lábios.

— É verdade. Eu nunca cuidei de uma criança, e tudo por sua causa!

A testa de Augusto se franziu. Ele me encarou com o olhar sério e perguntou em um tom baixo:

— O que você quer dizer com isso?

— Nada.

Eu engoli as palavras que estavam prestes a sair. Por muito pouco, quase joguei toda a verdade na cara dele naquele momento.

Mas não queria continuar aquela discussão. As perguntas que queimavam em minha garganta estavam à beira de escapar, mas eu me forcei a engolir cada uma delas.

Para esconder a raiva e a tristeza que brilhavam nos meus olhos, abaixei a cabeça e fingi estar completamente focada no bolo que estava terminando de preparar.

Laís, no entanto, não percebeu a tensão no ar. Ela correu até Augusto, segurou a mão dele e começou a balançá-la de leve, pedindo com sua voz doce:

— Papai, deixa a tia Débora ir comigo, por favor! Eu vou explicar pros meus colegas que ela não é minha mãe. Ninguém vai se confundir, eu prometo!

Normalmente, quando Laís fazia manha, Augusto acabava cedendo. Mas, dessa vez, ele parecia firme. Era evidente que ele não queria que eu me aproximasse demais de Laís. Ele sabia que tinha culpa no cartório, e isso o deixava inquieto.

Quando percebeu que Augusto não cederia, Laís abaixou os olhos, e sua voz, tão animada antes, agora soava desanimada:

— Em todas as atividades do jardim de infância, os outros colegas têm mamãe e papai com eles. Só eu... Só o papai vai comigo. E agora nem você pode ir...

As palavras de Laís pareciam ter atingido Augusto como uma faca. Ele ficou em silêncio por alguns instantes, claramente afetado pelo que ouviu. Por fim, ele suspirou e respondeu:

— Tudo bem. Eu deixo.

Os olhos de Laís brilharam como estrelas. Ela correu até mim, radiante, e exclamou:

As palavras atingiram Augusto em cheio. Ele ficou em silêncio por um momento, mas seus olhos afiados continuaram fixos em mim.

— Você já tem a morte de Alice nas mãos. Eu te dei uma chance de continuar viva. Mas, se você pensar em machucar Laís, eu vou fazer você pagar com a vida.

Aquelas palavras foram como um golpe direto no meu peito. Era a coisa mais irônica e cruel que ele poderia dizer. Ele estava me ameaçando para que eu não machucasse a minha própria filha.

Meu coração estava em pedaços, e eu senti as lágrimas começarem a se formar. Por dentro, eu gritava:

“Augusto, você mentiu tanto que até você acredita nas suas próprias mentiras?”

Engolindo o nó na garganta, eu respondi com a voz trêmula:

— Eu nunca machucaria a Laís. Pode ficar tranquilo.

As lágrimas quentes começaram a escorrer pelo meu rosto, mas eu virei o rosto para o lado. Não queria que ele me visse fraca.

O que eu não esperava era que ele se aproximasse e, com um gesto inesperadamente gentil, limpasse as lágrimas no meu rosto. Sua voz saiu rouca e baixa:

— Se você gosta tanto de crianças assim, podemos ter outro filho.

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