A lareira na sala de estar estava acesa, lançando um brilho quente e dançante que iluminava o rosto impassível de Augusto.
Ele vestia um suéter de cashmere de textura impecável e estava sentado no sofá com uma postura relaxada, como se a cena dos meus pais ajoelhados na chuva implorando por ele nunca tivesse acontecido.
Quando ele olhou para mim, completamente encharcada, sua voz soou fria e indiferente:
— Vai tomar um banho?
Eu apertei os dedos congelados, tentando recuperar algum calor, enquanto gotas de água escorriam do meu cabelo e manchavam o tapete bege, formando pequenas marcas escuras.
— Não precisa! — Respondi com raiva. — Augusto, você não precisa fingir. Só quando eu fico assim, humilhada e miserável, é que você se sente satisfeito, né?
Augusto estreitou os olhos, como se avaliasse cada palavra:
— Débora, é assim que você pede ajuda?
Respirei fundo, tentando controlar a fúria que queimava dentro de mim. Minha voz saiu trêmula, mas firme:
— Eu sei que meu irmão errou ao roubar a sua proposta. Mas os meus pais… Eles…
Minhas palavras ficaram presas na garganta. Engoli o nó de emoção que ameaçava explodir e continuei:
— Eles já têm uma idade avançada. Eles te viram crescer, Augusto. Como você pode deixá-los ajoelhados na chuva para te implorar? Isso é desumano!
O olhar dele permaneceu frio, sem qualquer vestígio de compaixão.
— Eles se ajoelharam porque quiseram. O que eu poderia fazer? — Ele respondeu, com uma calma cortante. — Jacarias roubou informações confidenciais da minha empresa. Processá-lo é justo. Assim como o seu processo de divórcio contra mim também é justo, né?
Eu podia sentir a ironia em cada palavra dele, e aquilo me corroeu por dentro.
— Diga logo o que você quer, Augusto. Pare de rodeios! — Eu retruquei, apertando os punhos.
Ele se levantou lentamente e caminhou na minha direção. Sua altura e presença eram sufocantes, e cada movimento parecia calculado para intimidar.
— Se você quer que eu perdoe Jacarias, tem duas opções. — Ele disse, parando bem na minha frente. — Ou você me traz provas de que a morte de Alice não teve nada a ver com você, ou cancela o pedido de divórcio e volta para esta casa. Todos os dias, você vai à capela ajoelhar e usar o resto da sua vida para pagar pelo que fez.
— Nem sonhe! — Minha resposta quase saiu como um grito, enquanto meu peito subia e descia descontroladamente.
Eu já tinha perdido o meu segundo filho por causa dessa acusação absurda. Como ele ousava me pedir para carregar para sempre essa culpa que não era minha?
Augusto soltou uma risada fria e voltou para o sofá. Ele se sentou com a mesma calma de antes, pegando uma taça de vinho que estava sobre a mesa.
— Até agora, você ainda tenta colocar a culpa nos outros! Débora, você realmente não tem salvação.
Ele olhou para a porta e chamou em voz alta:
— Ana, acompanhe a visita para fora.
Eu não hesitei. Dei meia-volta, com o coração pesado, e saí sozinha pela porta da frente, voltando para a chuva gelada.
Quando entrei no carro, meus pais ainda estavam lá dentro, esperando ansiosamente por notícias.
Maria, com a voz tremendo, perguntou:
— Débora, e então? Augusto disse que vai ajudar?
Eu desvie o olhar da expressão aflita deles e forcei um sorriso:
— Mãe, não se preocupe. Augusto pediu para eu encontrar o meu irmão. Se ele confessar quem era o cúmplice, pode ser que Augusto dê um jeito de aliviar a situação.
Eu não tinha coragem de contar a verdade. Não podia dizer que Augusto havia bloqueado todas as saídas possíveis.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle
Gente o que o tio do Thiago tem haver com o sumiço da mãe dela. Coitada Thiago tbm escondeu da Débora esse sumiço....
Perguntas que ficaram sem respostas O que houve com a mãe da Débora? O pai dela é o pai do Lorenzo? Eles encontram o Felipe? O Cláudio e a Alice ficam juntos? Sério que por causa de um escândalo a empresa multimilionária do Augusto faliu? Diz que vai ter mais capítulos, pq se a história acabar aqui é lamentável para dizer o mínimo, tantos capítulos pra terminar assim? Ajuda aí autor!...
Não acredito que acabou com tantos finais sem desfecho. O que aconteceu co. A mãe da Débora? O pai dela quem era? O Cláudio não cumpriu a promessa? O Filipe foi encontrado?...
Quase no final eles bloqueiam os episódios, brincadeira isso....
Apesar de eu gostar de histórias com finais em aberto, existe uma diferença brutal entre um desfecho aberto intencional e uma ponta solta por incompetência ou preguiça do autor. Na teoria literária, o primeiro é uma escolha artística para gerar reflexão, enquanto o segundo é apenas um plot hole. Nessa história o que não falta são pontas soltas, falhas de roteiro, sinto que a história acabou antes do que a autora desejasse que fosse o fim. E quanto aos pais biológicos de Débora? E quanto aos paradeiro de sua mãe? Essas e outras questões me deixam com essa sensação. A história não oferece elementos para que o leitor teorize o final. Fica evidente que a autora se encurralou em um mistério tão complexo que ela mesmo não soube como resolver, optando por cortar a cena ou encerrar a história de forma abrupta para "fugir" do problema....
Num outro aplicativo tem mais sobre o casamento, mas mesmo assim a história ficou incompleta,a mãe da Débora não fala se ela morreu quando desapareceu, a Alice não ficou com o Claudio e a Mônica que fim teve na verdade com a mãe dela.Sao detalhes que fez diferença...
Amei esse livro, me prendeu do começo ao fim, porém não acredito que essa história vá terminar assim. Com certeza vai sair mais episódio. Lembro quando comecei a ler era 999 capítulos, depois apareceu mais ate 1010... estou na esperança de sair o resto dessa história. Só uma ressalva, a partir desse capítulos que começa a pagar, está faltando algumas partes... por favor alguém corrige esse erro, pq ate agora não sei o que o Thiago disse para Debóra......
Sério q acaba no capítulo 1010???...
Cadê o capítulo 982??? Vão liberar qdo?...
Mentira que acabou assim...