Eu conhecia Augusto há vinte anos. Sempre achei que éramos as pessoas mais próximas uma da outra, mas ele nunca foi capaz de me entender de verdade.
Nos dias que se seguiram, Thiago permaneceu por perto. Ele não era de falar muito, mas sempre aparecia nos momentos em que eu mais precisava.
Quando eu subia as ladeiras carregando a câmera, ele pegava o equipamento mais pesado com tanta naturalidade que parecia um reflexo. Quando as entrevistas se complicavam e eu não conseguia avançar, bastavam duas ou três frases dele para organizar as ideias e abrir caminho. Aquele jeito calmo e confiante que ele tinha resolvia problemas antes mesmo que eles se tornassem intransponíveis.
Somente quando as réplicas finalmente cessaram e o governo anunciou oficialmente que Cidade J estava segura, Thiago veio conversar comigo.
— Preciso ir. Ainda há muito para resolver em Cidade H. — Ele disse, com a mesma serenidade de sempre.
Eu fiquei um pouco surpresa e perguntei, quase sem pensar:
— E você não vai mais procurar a pessoa que estava procurando?
Ao ouvir isso, ele esboçou um leve sorriso, um daqueles tão discretos que quase não se percebem, mas que iluminavam o rosto dele como o céu depois de uma chuva.
— Não vou mais. Cuide-se bem aqui. Quando tudo terminar, volte para casa o quanto antes.
— Certo. Aqui já está bem seguro. — Eu sorri de volta, sinceramente grata. — Obrigada, Dr. Thiago.
Por pouco eu não disse: “Sua ajuda foi tão grande que eu nem sei como retribuir.”
Enquanto ele se afastava, eu o acompanhei com o olhar até que desaparecesse de vista.
Foi então que ouvi a voz de Eduarda chamando meu nome ao longe.
— Débora! Até que enfim te encontrei! — Ela vinha andando com cuidado por entre as pedras espalhadas pelo chão, visivelmente aliviada ao me ver. Seus olhos me examinaram de cima a baixo antes de continuar. — Que bom que você está bem! Eu achei que…
— Que eu estivesse morta? — Completei por ela.
Assim que eu disse isso, os olhos de Eduarda começaram a se encher de lágrimas, e eu mesma quase chorei. Com a voz embargada, acrescentei:
— Eu também achei que você… Não tivesse sobrevivido.
A voz de Eduarda saiu trêmula, quase chorando:
— Pronto, o que importa agora é que nos encontramos! Você não faz ideia de como foram esses dias para mim. Meu celular quebrou assim que cheguei aqui, e eu fiquei completamente incomunicável!
Eu peguei meu celular e estendi para ela.
[Desculpa, eu não sabia que as réplicas viriam tão rápido.]
[Espere por mim. Estou mandando alguém te buscar.]
Pelo que parecia, Augusto tinha voltado para Mônica naquele dia e, ao ver nos noticiários que as réplicas tinham acontecido logo pela manhã, percebeu que eu não tinha mentido.
“Mas, Augusto, eu não preciso mais de você!”
Se eu tivesse que esperar até você descobrir o que era verdade ou mentira para vir me ajudar, talvez agora eu já fosse só um corpo enterrado sob os escombros!
Sem pensar duas vezes, bloqueei o número dele no WhatsApp e em todas as outras formas possíveis de contato.
…
Ficamos em Cidade J por mais uma semana inteira.
Nos últimos dias, o cenário tinha mudado completamente. Todos os dias, grandes carregamentos de ajuda humanitária e materiais de construção chegavam, transformando o lugar. Comparado ao que encontramos quando chegamos, era como o dia e a noite.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle
Eu paguei pra le mais e nao foi liberado...
Poderia ser mais rápido e lançar mais capítulos por dia...
Quando vai lançar capítulos novos?...
Aí cara toda hora uma reviravolta mirabolante. Pelo amor de Deus, isso já deixou de ser um romance ou drama, parece que a autora só quer prender o leitor para lucrar em cima. Parece que toda a cidade odeia a Débora e só meia dúzia de gato pingado gosta da menina de verdade....
É só o meu ou o de vcs também estão faltando algumas falas ?...
Poxa 3 folhas por dia a autora solta 😔 Quem lê 3 folhas de um livro por dia?...
Autora libera esse divorcio logo, mete um litigioso ai, ta chato pra caramba essa briga de divorcio. Tudo vira empecilho entre Debora e Thiago, quando a autora consegue evoluir a relação dos dois, ela recua dois passos para trás....
Eu só espero o dia que Débora e Tiago finalmente ficarão juntos....
Qual é autora, dê um minuto de paz para a Débora, não é possível que um ser humano possa sofrer tanto assim... Não invente o arrependimento de Augusto para ele e Débora ficarem juntos no final, ele não merece, depois de tudo que fez, não merece mesmo!...
Cada reviravolta ferrando com a vida da Débora, sofro um mini infarto. Será que em algum momento o Augusto vai acordar, entender e aceitar que ele está errado? E quando ele vai enxergar quem de fato é a Mônica? Não dá pra entender se ele de fato a ama, ou a amou ou se ele é apenas um doente que acha que pode pegar tudo que quer. Outra coisa, motivo dele ter forjado a morte da própria filha, tirando da mãe e entregando a outra mulher nao teve nenhuma explicação pra isso... Se alguém entendeu me explique... Pq eu não entendi!...