Augusto desviou o olhar, evitando me encarar. Ele não respondeu imediatamente, apenas caminhou lentamente em direção à escada.
Eu o segui.
Eu podia ver claramente o conflito em seus olhos. Ele parecia estar lutando contra si mesmo, preso entre revelar ou esconder a verdade, oscilando na linha tênue entre falar e calar.
Exausta, eu finalmente quebrei o silêncio:
— Não importa para quem você deu a Laís para criar, nenhuma pessoa no mundo vai amá-la mais do que a mãe dela! O que aconteceu hoje é a prova disso. Se fosse comigo, eu jamais teria me distraído em uma conversa e esquecido a minha filha. Augusto, no mundo inteiro, ninguém pode substituir uma mãe!
Minhas palavras foram como uma chave, abrindo a muralha que ele tentava manter de pé.
A voz de Augusto saiu trêmula, cada palavra pesada como chumbo:
— É verdade. Laís é sua filha. Fui eu quem a tirou de você no dia em que ela nasceu. Eu menti para você.
O tempo pareceu congelar. Meu sangue ferveu dentro de mim, queimando cada fibra do meu corpo.
No instante seguinte, minha mão subiu com força. O som de um tapa ecoou pelo corredor vazio.
— Augusto! — Minha voz saiu tão aguda que parecia estar rasgando, e as lágrimas caíram como uma torrente incontrolável. — Me diga por quê? Ela era minha filha, aquela que eu carreguei por dez meses! Eu esperei tanto por ela! Como você pôde? Como pôde ser tão cruel?
Cada palavra minha vinha carregada de dor e desespero.
O tapa tinha deixado uma marca visível no rosto dele, mas Augusto permaneceu imóvel. Ele virou o rosto para o lado, mas não reagiu.
Ele apenas me encarou, seus olhos fixos nos meus, enquanto sua voz rouca tentava explicar:
— Débora, eu tenho os meus motivos. Eu só posso te dizer que Laís é sua filha, mas o resto… Eu não posso explicar agora.
Eu ri, mas era uma risada amarga, completamente vazia. As lágrimas só aumentaram. Levantei a mão mais uma vez e desferi outro tapa, mais forte que o primeiro.
Dessa vez, ele nem sequer piscou. Não se moveu, não demonstrou raiva. Seu rosto, normalmente frio e imponente, agora estava mergulhado em um silêncio sombrio e cheio de culpa.
Meu corpo inteiro tremia. Eu estava tão devastada que mal conseguia falar:
— Augusto! Você ficou maluco? — Fabiana gritou, furiosa. — Desde que você era criança, eu nunca tive coragem de levantar a mão para você, e agora você permite que essa mulher humilhe você assim?
A voz de Augusto saiu baixa e firme, mas carregada de uma autoridade que não deixava espaço para discussão:
— Eu mereci. Tudo isso, eu devo a ela.
Minhas lágrimas não paravam de cair. Eu havia guardado aquela dor por tanto tempo. Quatro anos. Quatro anos sem saber que minha filha estava viva.
E Augusto achava que alguns tapas seriam suficientes para pagar pelo que ele me tirou?
Fabiana, no entanto, não cedeu. Ela gritou, cheia de indignação:
— Você não deve nada a ela! Ela era uma órfã sem importância, e você deu a ela um sobrenome, status, tudo o que ela jamais teria sozinha! Ela devia é agradecer por tudo que você fez! E mesmo que Laís seja filha dela, e daí? Sem você, ela teria condições de criar essa menina? Se dependesse dela, Laís estaria na miséria!
— Mãe! — Augusto interrompeu com um grito tão grave e severo que fez Fabiana congelar no lugar. — Cale a boca! Olhe para onde Laís está agora! Ela está no centro cirúrgico, lutando pela vida. E por quê? Por causa de quem? Se Laís não sair viva daqui, não me culpe por esquecer que somos mãe e filho!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle
Gente o que o tio do Thiago tem haver com o sumiço da mãe dela. Coitada Thiago tbm escondeu da Débora esse sumiço....
Perguntas que ficaram sem respostas O que houve com a mãe da Débora? O pai dela é o pai do Lorenzo? Eles encontram o Felipe? O Cláudio e a Alice ficam juntos? Sério que por causa de um escândalo a empresa multimilionária do Augusto faliu? Diz que vai ter mais capítulos, pq se a história acabar aqui é lamentável para dizer o mínimo, tantos capítulos pra terminar assim? Ajuda aí autor!...
Não acredito que acabou com tantos finais sem desfecho. O que aconteceu co. A mãe da Débora? O pai dela quem era? O Cláudio não cumpriu a promessa? O Filipe foi encontrado?...
Quase no final eles bloqueiam os episódios, brincadeira isso....
Apesar de eu gostar de histórias com finais em aberto, existe uma diferença brutal entre um desfecho aberto intencional e uma ponta solta por incompetência ou preguiça do autor. Na teoria literária, o primeiro é uma escolha artística para gerar reflexão, enquanto o segundo é apenas um plot hole. Nessa história o que não falta são pontas soltas, falhas de roteiro, sinto que a história acabou antes do que a autora desejasse que fosse o fim. E quanto aos pais biológicos de Débora? E quanto aos paradeiro de sua mãe? Essas e outras questões me deixam com essa sensação. A história não oferece elementos para que o leitor teorize o final. Fica evidente que a autora se encurralou em um mistério tão complexo que ela mesmo não soube como resolver, optando por cortar a cena ou encerrar a história de forma abrupta para "fugir" do problema....
Num outro aplicativo tem mais sobre o casamento, mas mesmo assim a história ficou incompleta,a mãe da Débora não fala se ela morreu quando desapareceu, a Alice não ficou com o Claudio e a Mônica que fim teve na verdade com a mãe dela.Sao detalhes que fez diferença...
Amei esse livro, me prendeu do começo ao fim, porém não acredito que essa história vá terminar assim. Com certeza vai sair mais episódio. Lembro quando comecei a ler era 999 capítulos, depois apareceu mais ate 1010... estou na esperança de sair o resto dessa história. Só uma ressalva, a partir desse capítulos que começa a pagar, está faltando algumas partes... por favor alguém corrige esse erro, pq ate agora não sei o que o Thiago disse para Debóra......
Sério q acaba no capítulo 1010???...
Cadê o capítulo 982??? Vão liberar qdo?...
Mentira que acabou assim...