Quando ele disse aquilo, o tom de sua voz estava carregado de uma insinuação doce e pegajosa, como um açúcar que não se dissolve. Era desconfortável de ouvir, quase sufocante.
Eu não conseguia deixar de admirar a audácia de Lorenzo. Ele havia reduzido Nina a essa situação humilhante e, mesmo assim, continuava flertando com ela como se nada tivesse acontecido.
Aquele comportamento parecia atencioso à primeira vista, mas, na verdade, não carregava nem um pingo de respeito por ela.
Nina, obviamente, também percebia isso. Apesar de se esforçar para manter um sorriso no rosto, a amargura em seus olhos era impossível de esconder.
Lorenzo envolveu a cintura de Nina com um braço, o gesto carregado de uma leve sugestão de controle. Depois, virou-se para mim e disse:
— Vou levar a Nina. Você e Thiago aproveitem mais alguns dias em Cidade J. Qualquer coisa que precisar, é só me chamar.
Eu assenti com a cabeça, sem tentar segurá-los.
Enquanto eu observava os dois se afastando, não pude evitar sentir um aperto no peito por Nina.
Depois que eles saíram, voltei para dentro de casa.
Thiago não estava na sala. Perguntei ao mordomo e descobri que ele havia ido para o escritório.
Caminhei até lá e bati na porta. Nenhuma resposta.
Quando empurrei a porta e entrei, vi Thiago levantar o olhar dos documentos que estavam sobre a mesa. Seus olhos ainda carregavam uma expressão densa, como se estivesse concentrado em algo sério.
Na frente dele, havia um arquivo aberto. Quando me aproximei, sem querer, vi um nome que me chamou a atenção: “Rebeca”.
Thiago estava claramente perdido em pensamentos sobre aquele documento antes de eu entrar.
Assim que me viu, ele manteve a expressão impassível, mas fechou o arquivo com um movimento rápido e o guardou na gaveta mais baixa da escrivaninha.
Engoli a curiosidade que estava prestes a escapar pelos meus lábios.
Afinal, eu ainda não havia me divorciado. E, entre nós, aquela barreira invisível ainda não havia sido rompida. Eu não tinha o direito de perguntar sobre os assuntos dele.
Thiago estendeu a mão e segurou meu pulso com firmeza. Com um puxão leve, ele me fez cair sentada em seu colo.
Através do tecido fino da roupa, eu conseguia sentir a temperatura quente de seu corpo e o ritmo constante de sua respiração.
Antes que eu conseguisse responder, ele levantou meu queixo com os dedos, forçando-me a encará-lo.
Seus olhos estavam cheios de uma diversão quase cruel, mas havia também uma firmeza que não permitia contestação.
— Olhe para mim, Débora. Quando você vai me dar o que quero?
Eu prendi a respiração, sentindo minha mente ficar em branco sob a intensidade do olhar dele.
Sem saída, decidi mudar o rumo da conversa para tentar retomar o controle:
— Você não disse que não quer ser o outro? Então, pode fazer um favor para mim? Pare de ajudar o Augusto. Se você não interferir, acho que tenho grandes chances de vencer na justiça.
Eu não tinha grandes esperanças de que ele concordasse. Afinal, quando assinei a procuração para meu advogado, sabia que não seria fácil revogar.
Mas, para minha surpresa, Thiago respondeu com tranquilidade:
— Tudo bem.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle
Gente o que o tio do Thiago tem haver com o sumiço da mãe dela. Coitada Thiago tbm escondeu da Débora esse sumiço....
Perguntas que ficaram sem respostas O que houve com a mãe da Débora? O pai dela é o pai do Lorenzo? Eles encontram o Felipe? O Cláudio e a Alice ficam juntos? Sério que por causa de um escândalo a empresa multimilionária do Augusto faliu? Diz que vai ter mais capítulos, pq se a história acabar aqui é lamentável para dizer o mínimo, tantos capítulos pra terminar assim? Ajuda aí autor!...
Não acredito que acabou com tantos finais sem desfecho. O que aconteceu co. A mãe da Débora? O pai dela quem era? O Cláudio não cumpriu a promessa? O Filipe foi encontrado?...
Quase no final eles bloqueiam os episódios, brincadeira isso....
Apesar de eu gostar de histórias com finais em aberto, existe uma diferença brutal entre um desfecho aberto intencional e uma ponta solta por incompetência ou preguiça do autor. Na teoria literária, o primeiro é uma escolha artística para gerar reflexão, enquanto o segundo é apenas um plot hole. Nessa história o que não falta são pontas soltas, falhas de roteiro, sinto que a história acabou antes do que a autora desejasse que fosse o fim. E quanto aos pais biológicos de Débora? E quanto aos paradeiro de sua mãe? Essas e outras questões me deixam com essa sensação. A história não oferece elementos para que o leitor teorize o final. Fica evidente que a autora se encurralou em um mistério tão complexo que ela mesmo não soube como resolver, optando por cortar a cena ou encerrar a história de forma abrupta para "fugir" do problema....
Num outro aplicativo tem mais sobre o casamento, mas mesmo assim a história ficou incompleta,a mãe da Débora não fala se ela morreu quando desapareceu, a Alice não ficou com o Claudio e a Mônica que fim teve na verdade com a mãe dela.Sao detalhes que fez diferença...
Amei esse livro, me prendeu do começo ao fim, porém não acredito que essa história vá terminar assim. Com certeza vai sair mais episódio. Lembro quando comecei a ler era 999 capítulos, depois apareceu mais ate 1010... estou na esperança de sair o resto dessa história. Só uma ressalva, a partir desse capítulos que começa a pagar, está faltando algumas partes... por favor alguém corrige esse erro, pq ate agora não sei o que o Thiago disse para Debóra......
Sério q acaba no capítulo 1010???...
Cadê o capítulo 982??? Vão liberar qdo?...
Mentira que acabou assim...