Ela mesma não conseguia ser feliz e, por isso, cada palavra que ela dizia vinha certeira pra machucar o coração da Fabiana.
A Fabiana tremia de raiva, mas se segurava com todas as forças. Ela não ousava rebater uma única frase.
Foi nesse momento que o Augusto entrou em casa praticamente arrombando a porta. Um segundo antes, a Mônica ainda estava toda satisfeita, se achando a grande estrategista. No seguinte, o Augusto simplesmente a agarrou e puxou do sofá.
A força inesperada do Augusto fez a Mônica se desequilibrar. O susto percorreu pelo corpo inteiro dela, e até a voz saiu trêmula:
— Augusto? O que… O que aconteceu? Eu… Eu fiz alguma coisa errada?
No fundo dos olhos dela ainda havia o brilho maldoso de quem tinha acabado de humilhar a Fabiana. Em poucos segundos, porém, tudo aquilo se despedaçou, engolido pelo pânico.
O Augusto cravava os dedos no pulso dela. Os nós dos dedos dele ficaram brancos de tanta força. Ele puxou a Mônica pra bem perto, quase colando os dois corpos.
O peito dele subia e descia com violência. As veias dos olhos estavam ainda mais vermelhas do que tinham ficado no shopping. Ele encarou a Mônica sem piscar e, quando ele falou, cada sílaba saiu entre dentes:
— Você tem certeza de que a Alice morreu?
A sensação que a Mônica teve foi de que a cabeça dela tinha explodido. O coração dela disparou tão forte que ela quase sentiu que ele ia pular pela garganta.
Como assim? Por que o Augusto, do nada, estava perguntando aquilo? Será que ele tinha descoberto alguma coisa?
Ela engoliu o pânico com força, apertou as unhas contra a própria palma até doer e obrigou a si mesma a montar uma expressão de espanto magoado. A voz dela saiu fraca, tremida:
— Augusto, o que você tá dizendo? A minha irmã… Ela já se foi faz tempo. Naquela época, eu e a minha mãe levamos a Alice pessoalmente pro crematório. Como é que isso poderia estar errado?
— Mentira.
O Augusto só sabia, naquele momento, que era possível que a Alice estivesse viva. Ele não tinha prova concreta, não tinha rastro nenhum. Se ele tivesse algo mais sólido, se ele soubesse onde a Alice estava, ele não estaria ali discutindo. Ele já estaria vindo pra cima da Mônica pra destruir a vida dela.
Quando ela entendeu isso, o coração da Mônica, que tinha disparado, começou a desacelerar.
Ela encheu os olhos de lágrimas de propósito, como se estivesse sofrendo a maior das injustiças, e deixou a voz embargar:
— Como é que você consegue falar uma coisa dessas pra mim, Augusto? O que você quer, afinal? Você quer que eu mande abrir a urna da minha irmã, quer que eu tire as cinzas dela pra você olhar com os próprios olhos, é isso?
Ela fungou, os ombros tremendo de leve, e continuou, com um tom cheio de dor:
— Você tá é morrendo de saudade da minha irmã. Você pensa tanto nela, dia e noite, que começou a ver coisa onde elas não existem. Morto não volta, Augusto. Eu sei o quanto você amou a Alice, eu sei melhor do que ninguém. Mas isso não te dá o direito de me acusar assim, de me humilhar desse jeito. Ela era minha irmã por parte de pai. Eu sempre me agarrei a ela pra tudo. A minha mãe tratava ela como se fosse filha de sangue. Como é que a gente ia fazer mal pra ela? Como é que a gente ia brincar com a morte dela?
A Mônica escolhia cada frase com cuidado, puxando sempre pro lado da “irmãzinha devotada”, reforçando a imagem de família unida e amorosa que, por tanto tempo, ela mesma tinha ajudado a encenar na frente do Augusto.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle
Dote??? Em que séculos estamos? Pra completar o bingo de horrores desse livro só faltou necrofilia......
Ah deu uma desanimada agora lendo os comentários E cheguei no capítulo 124 já com tantas pontas soltas esperando no final ia ter a grande revelação e pelo comentários aqui já vejo que não terá. Quando mais estava lendo sentia, um está parecendo uma história de enrolação. Esperando Augusto descobrir todas armações de Monica e implorar por Débora e parece que só piora...
No final vcs bloqueiam, não é, filhos do satã? Quanta esperteza.....
Gente eles não vão liberar grátis...
Gente o que o tio do Thiago tem haver com o sumiço da mãe dela. Coitada Thiago tbm escondeu da Débora esse sumiço....
Perguntas que ficaram sem respostas O que houve com a mãe da Débora? O pai dela é o pai do Lorenzo? Eles encontram o Felipe? O Cláudio e a Alice ficam juntos? Sério que por causa de um escândalo a empresa multimilionária do Augusto faliu? Diz que vai ter mais capítulos, pq se a história acabar aqui é lamentável para dizer o mínimo, tantos capítulos pra terminar assim? Ajuda aí autor!...
Não acredito que acabou com tantos finais sem desfecho. O que aconteceu co. A mãe da Débora? O pai dela quem era? O Cláudio não cumpriu a promessa? O Filipe foi encontrado?...
Quase no final eles bloqueiam os episódios, brincadeira isso....
Apesar de eu gostar de histórias com finais em aberto, existe uma diferença brutal entre um desfecho aberto intencional e uma ponta solta por incompetência ou preguiça do autor. Na teoria literária, o primeiro é uma escolha artística para gerar reflexão, enquanto o segundo é apenas um plot hole. Nessa história o que não falta são pontas soltas, falhas de roteiro, sinto que a história acabou antes do que a autora desejasse que fosse o fim. E quanto aos pais biológicos de Débora? E quanto aos paradeiro de sua mãe? Essas e outras questões me deixam com essa sensação. A história não oferece elementos para que o leitor teorize o final. Fica evidente que a autora se encurralou em um mistério tão complexo que ela mesmo não soube como resolver, optando por cortar a cena ou encerrar a história de forma abrupta para "fugir" do problema....
Num outro aplicativo tem mais sobre o casamento, mas mesmo assim a história ficou incompleta,a mãe da Débora não fala se ela morreu quando desapareceu, a Alice não ficou com o Claudio e a Mônica que fim teve na verdade com a mãe dela.Sao detalhes que fez diferença...