No passado, a Alice realmente havia tratado a Mônica e a Manuela como família. Ela havia elogiado a Mônica várias vezes na frente do Augusto, dizendo que a Mônica era madura, e sempre dizia com carinho que a Manuela era uma pessoa generosa.
Naquela época, a Manuela criara a Alice como se a Alice fosse filha de sangue por um motivo muito simples: ela sabia que o Pietro vinha de uma família comum, sem sobrenome de peso, e queria usar a Alice, depois de crescida, para se agarrar a um clã muito acima dos Fonseca.
A Manuela entendia perfeitamente que, quando alguém tentasse casar pra cima, o preço seria se humilhar. Ela não tinha coragem de jogar a própria filha biológica nesse tipo de vida, então tinha deixado a Mônica viver solta, fazendo o que tivesse vontade.
Já a Alice, essa sim, a Manuela tinha moldado com todo cuidado no padrão de “moça da alta sociedade”.
Quando o Pietro tinha abandonado a mãe da Débora, a Alice ainda era pequena demais pra entender qualquer coisa. Quando ela começou a ter consciência, já era a Manuela que ocupava o lugar de mãe no coração dela.
Durante a faculdade da Alice, a Manuela arrumou um grande clã poderoso e queria casar a Alice com um homem de quarenta anos, recém-viúvo.
Só que, antes mesmo de a Manuela conseguir falar qualquer coisa, a Alice contou que já estava namorando. Ela disse que tinha conhecido alguém que amava de verdade, um homem que amava a Alice do mesmo jeito. A família dele era uma das mais tradicionais da Cidade H, os Moretti.
A partir daquele momento, nada mais ficou nas mãos da Manuela.
Só três anos depois de a Alice já estar internada no hospital psiquiátrico é que a Manuela e a Mônica finalmente mostraram quem elas realmente eram. Foi quando elas contaram pra Alice tudo o que o Augusto tinha feito com ela.
A partir daí, a Alice entendeu o tamanho do golpe que tinha levado. O Augusto não tinha internado ela pra tratar doença nenhuma. Aquilo tinha sido uma prisão, uma espécie de sequestro disfarçado, uma forma doentia de posse.
O Augusto olhou pro rosto da Mônica coberto de lágrimas, teatralmente arrasada, e, ao mesmo tempo, a memória dele trouxe de volta o jeito suave com que a Alice, no passado, tinha falado daquela mãe e daquela irmã. As dúvidas que ele carregava começaram a vacilar.
A Alice não tinha dito só uma vez. Ela tinha repetido inúmeras vezes que a Mônica e a Manuela eram as pessoas mais importantes da vida dela.
O Augusto afrouxou a mão aos poucos. A Mônica cambaleou dois passos pra trás e levou a mão ao pulso, chorando baixinho.
Quando a ligação pro assistente completou, a voz dele já tinha recuperado parte da frieza cortante:
— Use todos os recursos possíveis agora mesmo. A partir de hoje, eu quero Cidade H inteira vasculhada, rua por rua. Shopping, condomínio, hospital, estação, qualquer lugar. Nem que seja pra revirar essa cidade de ponta-cabeça, eu quero a Alice encontrada.
Ao lado dele, a Mônica sentiu um arrepio subir pela coluna. O coração dela pareceu ser apertado por uma mão invisível.
Se o Augusto realmente encontrasse a Alice, todas as mentiras dela iriam desabar de uma vez.
E, pior ainda, a Alice já sabia quem a Mônica e a Manuela eram de verdade.
No instante em que a Alice voltasse pro lado do Augusto, aquele seria, na prática, o dia da sentença da própria Mônica.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle
Dote??? Em que séculos estamos? Pra completar o bingo de horrores desse livro só faltou necrofilia......
Ah deu uma desanimada agora lendo os comentários E cheguei no capítulo 124 já com tantas pontas soltas esperando no final ia ter a grande revelação e pelo comentários aqui já vejo que não terá. Quando mais estava lendo sentia, um está parecendo uma história de enrolação. Esperando Augusto descobrir todas armações de Monica e implorar por Débora e parece que só piora...
No final vcs bloqueiam, não é, filhos do satã? Quanta esperteza.....
Gente eles não vão liberar grátis...
Gente o que o tio do Thiago tem haver com o sumiço da mãe dela. Coitada Thiago tbm escondeu da Débora esse sumiço....
Perguntas que ficaram sem respostas O que houve com a mãe da Débora? O pai dela é o pai do Lorenzo? Eles encontram o Felipe? O Cláudio e a Alice ficam juntos? Sério que por causa de um escândalo a empresa multimilionária do Augusto faliu? Diz que vai ter mais capítulos, pq se a história acabar aqui é lamentável para dizer o mínimo, tantos capítulos pra terminar assim? Ajuda aí autor!...
Não acredito que acabou com tantos finais sem desfecho. O que aconteceu co. A mãe da Débora? O pai dela quem era? O Cláudio não cumpriu a promessa? O Filipe foi encontrado?...
Quase no final eles bloqueiam os episódios, brincadeira isso....
Apesar de eu gostar de histórias com finais em aberto, existe uma diferença brutal entre um desfecho aberto intencional e uma ponta solta por incompetência ou preguiça do autor. Na teoria literária, o primeiro é uma escolha artística para gerar reflexão, enquanto o segundo é apenas um plot hole. Nessa história o que não falta são pontas soltas, falhas de roteiro, sinto que a história acabou antes do que a autora desejasse que fosse o fim. E quanto aos pais biológicos de Débora? E quanto aos paradeiro de sua mãe? Essas e outras questões me deixam com essa sensação. A história não oferece elementos para que o leitor teorize o final. Fica evidente que a autora se encurralou em um mistério tão complexo que ela mesmo não soube como resolver, optando por cortar a cena ou encerrar a história de forma abrupta para "fugir" do problema....
Num outro aplicativo tem mais sobre o casamento, mas mesmo assim a história ficou incompleta,a mãe da Débora não fala se ela morreu quando desapareceu, a Alice não ficou com o Claudio e a Mônica que fim teve na verdade com a mãe dela.Sao detalhes que fez diferença...