Eu ouvi aquilo, sorri de leve e respondi:
— Tá bom, vó.
O carro entrou suavemente pelo portão da mansão da família Ribeiro.
Assim que eu pisei no saguão, uma figura saiu correndo na minha direção e, junto com um “pum” abafado, uma chuva de papel picado colorido explodiu no ar e caiu sobre os meus ombros.
— Parabéns!
A Natália estava com o tubo de confete na mão, o rosto todo iluminado de alegria, mas os olhos dela estavam vermelhos.
Antes que eu conseguisse reagir, ela me puxou para um abraço apertado, a voz embargada:
— Débora, já passou! Agora, daqui pra frente, tudo vai dar certo!
Eu levantei a mão e dei umas palmadinhas nas costas dela. A ponta do meu nariz ardeu, e eu respondi baixinho:
— Uhum, já passou.
— Mamãe!
— Tia Débora!
Duas vozinhas infantis e doces ecoaram pelo salão. A Rafaela e a Laís vieram correndo de mãos dadas, com os rostinhos cheios de curiosidade.
Eu me agachei depressa e passei a mão, com carinho, pelos cabelos das duas.
A Rafaela franziu a testa, inclinou a cabeça e perguntou:
— Tia Débora, que dia é hoje? Por que tá todo mundo tão feliz?
A Laís também balançou a cabeça, completamente perdida:
— É, é isso mesmo. A tia Natália até comprou confete. Não é só em festa de aniversário que a gente solta isso? Mas, mamãe, o seu aniversário já não passou?
Nos olhos límpidos delas só tinha pureza. O meu coração amoleceu na hora, mas também doeu um pouco.
Eu não queria que a Laís sentisse que a separação dos pais era uma coisa para ser comemorada. Mesmo que, para mim, aquilo fosse, sim, uma libertação.
Eu pedi que a Laís se sentasse na beirada da cama, depois eu me agachei na frente dela, ficando na mesma altura do rosto dela, e encarei aqueles olhos tão claros enquanto eu dizia, em tom suave:
— Laís, agora eu vou te contar qual era aquela coisa importante que eu falei antes.
A pequena assentiu, apertando a barra da própria blusa com as duas mãos. No olhar dela, eu vi um pouco de expectativa e um tantinho de nervosismo, quase imperceptível.
Eu fiz força para manter a minha voz doce e estável, vigiando cada reação dela:
— A mamãe e o papai… Se divorciaram.
Eu encarei o rostinho imóvel da Laís e completei, com cuidado:
— Mas, meu amor, você precisa lembrar de uma coisa: não importa o que aconteça, o papai e a mamãe sempre vão te amar e sempre vão estar com você. A única diferença é que, daqui pra frente, o papai e a mamãe vão seguir vidas separadas. A gente não vai mais ser um casal.
No rostinho infantil da Laís passou um traço de surpresa, os cílios longos deram uma tremida leve, mas ela não pareceu exatamente chocada.
Eu imaginei que, provavelmente, as brigas e os silêncios cortantes entre mim e o Augusto já tinham ficado gravados na memória dela, mesmo que ninguém tivesse explicado nada.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle
Dote??? Em que séculos estamos? Pra completar o bingo de horrores desse livro só faltou necrofilia......
Ah deu uma desanimada agora lendo os comentários E cheguei no capítulo 124 já com tantas pontas soltas esperando no final ia ter a grande revelação e pelo comentários aqui já vejo que não terá. Quando mais estava lendo sentia, um está parecendo uma história de enrolação. Esperando Augusto descobrir todas armações de Monica e implorar por Débora e parece que só piora...
No final vcs bloqueiam, não é, filhos do satã? Quanta esperteza.....
Gente eles não vão liberar grátis...
Gente o que o tio do Thiago tem haver com o sumiço da mãe dela. Coitada Thiago tbm escondeu da Débora esse sumiço....
Perguntas que ficaram sem respostas O que houve com a mãe da Débora? O pai dela é o pai do Lorenzo? Eles encontram o Felipe? O Cláudio e a Alice ficam juntos? Sério que por causa de um escândalo a empresa multimilionária do Augusto faliu? Diz que vai ter mais capítulos, pq se a história acabar aqui é lamentável para dizer o mínimo, tantos capítulos pra terminar assim? Ajuda aí autor!...
Não acredito que acabou com tantos finais sem desfecho. O que aconteceu co. A mãe da Débora? O pai dela quem era? O Cláudio não cumpriu a promessa? O Filipe foi encontrado?...
Quase no final eles bloqueiam os episódios, brincadeira isso....
Apesar de eu gostar de histórias com finais em aberto, existe uma diferença brutal entre um desfecho aberto intencional e uma ponta solta por incompetência ou preguiça do autor. Na teoria literária, o primeiro é uma escolha artística para gerar reflexão, enquanto o segundo é apenas um plot hole. Nessa história o que não falta são pontas soltas, falhas de roteiro, sinto que a história acabou antes do que a autora desejasse que fosse o fim. E quanto aos pais biológicos de Débora? E quanto aos paradeiro de sua mãe? Essas e outras questões me deixam com essa sensação. A história não oferece elementos para que o leitor teorize o final. Fica evidente que a autora se encurralou em um mistério tão complexo que ela mesmo não soube como resolver, optando por cortar a cena ou encerrar a história de forma abrupta para "fugir" do problema....
Num outro aplicativo tem mais sobre o casamento, mas mesmo assim a história ficou incompleta,a mãe da Débora não fala se ela morreu quando desapareceu, a Alice não ficou com o Claudio e a Mônica que fim teve na verdade com a mãe dela.Sao detalhes que fez diferença...