No segundo seguinte, a voz amarga do Augusto ecoou pelo viva-voz do celular:
— Débora… Você me odeia tanto assim? Nem olhar pra mim você consegue mais?
O clima à mesa endureceu na mesma hora. O sorriso da Dona Joana perdeu parte do calor, e os olhos do Thiago escureceram num instante, carregados por uma sombra pesada.
Eu já estava prestes a desligar a ligação na cara dele quando Thiago estendeu a mão e pegou o celular da frente da Laís.
A voz dele saiu baixa e fria, carregada de uma pressão silenciosa que pareceu ocupar a sala inteira:
— Augusto, você quer ver a Débora, não quer? Tudo bem. Daqui a pouco eu e ela vamos levar a Laís pessoalmente até você.
Assim que terminou de falar, a chamada caiu.
Augusto desligou sem dizer mais nada, deixando para trás apenas o constrangimento pesado que tomou conta da sala de jantar.
O silêncio se prolongou por alguns segundos. Thiago colocou o celular de volta sobre a mesa e ergueu os olhos para mim.
— Já terminou de comer? — Perguntou ele.
A voz dele estava mais grave do que o normal. Não parecia exatamente irritado, mas aquilo ainda assim me deixou tensa.
Percebendo o clima estranho, Dona Joana tratou logo de aliviar o ambiente:
— Débora, leva a Laís pra trocar de roupa.
— Tá bom. — Eu assenti e acompanhei a Laís até o closet.
Depois que ela terminou de se arrumar, saiu correndo pelo corredor, toda animada, dizendo que ia esperar lá fora.
Pouco depois, Thiago entrou no quarto. Ele parou ao meu lado e observou o meu reflexo no espelho em silêncio, com o olhar escuro e concentrado.
Eu terminei de vestir o casaco, desconfortável com aquele silêncio pesado, e falei:
— Depois eu peço pro motorista levar a Laís. Você não precisa ir junto. Eu também não vou encontrar com ele.
Thiago esboçou um meio sorriso e ergueu a mão para fechar os botões do meu casaco com calma.
— Eu disse que ia levar vocês, então eu vou. — A voz dele saiu baixa e firme. — Eu não sou homem de voltar atrás no que fala.
Thiago, porém, apertou o botão do vidro elétrico, fazendo a janela subir devagar e cortando completamente o contato visual entre nós.
Em seguida, arrancou com o carro e começou a fazer a volta. Foi nesse instante que eu vi, de relance, uma figura no jardim.
Alice usava um vestido de tricô bege delicado e segurava um regador enquanto molhava as flores. A luz do sol caía sobre ela de um jeito quase perfeito, como uma cena ensaiada para uma revista.
Mesmo assim, o meu coração afundou de repente. Eu falei, com a voz tomada por ansiedade:
— A Alice também está aí… Será que ela não pode fazer alguma coisa contra a Laís? Melhor a gente voltar e trazer ela com a gente.
O carro já começava a se afastar lentamente do portão quando Thiago respondeu com tranquilidade:
— Ela não vai fazer nada.
— Por quê? — Eu insisti, sentindo a inquietação crescer ainda mais dentro de mim.
A mão dele no volante hesitou por um instante. Um brilho complicado atravessou os olhos escuros dele, difícil de interpretar. Depois de alguns segundos, como se estivesse escolhendo cuidadosamente cada palavra, ele respondeu:
— Se ela realmente quisesse machucar você ou a Laís, naquele dia na livraria ela não teria ajudado você, teria? Faz tempo que ela voltou pro lado do Augusto e, até agora, nunca fez nada diretamente contra vocês.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle
Apesar de eu gostar de histórias com finais em aberto, existe uma diferença brutal entre um desfecho aberto intencional e uma ponta solta por incompetência ou preguiça do autor. Na teoria literária, o primeiro é uma escolha artística para gerar reflexão, enquanto o segundo é apenas um plot hole. Nessa história o que não falta são pontas soltas, falhas de roteiro, sinto que a história acabou antes do que a autora desejasse que fosse o fim. E quanto aos pais biológicos de Débora? E quanto aos paradeiro de sua mãe? Essas e outras questões me deixam com essa sensação. A história não oferece elementos para que o leitor teorize o final. Fica evidente que a autora se encurralou em um mistério tão complexo que ela mesmo não soube como resolver, optando por cortar a cena ou encerrar a história de forma abrupta para "fugir" do problema....
Num outro aplicativo tem mais sobre o casamento, mas mesmo assim a história ficou incompleta,a mãe da Débora não fala se ela morreu quando desapareceu, a Alice não ficou com o Claudio e a Mônica que fim teve na verdade com a mãe dela.Sao detalhes que fez diferença...
Amei esse livro, me prendeu do começo ao fim, porém não acredito que essa história vá terminar assim. Com certeza vai sair mais episódio. Lembro quando comecei a ler era 999 capítulos, depois apareceu mais ate 1010... estou na esperança de sair o resto dessa história. Só uma ressalva, a partir desse capítulos que começa a pagar, está faltando algumas partes... por favor alguém corrige esse erro, pq ate agora não sei o que o Thiago disse para Debóra......
Sério q acaba no capítulo 1010???...
Cadê o capítulo 982??? Vão liberar qdo?...
Mentira que acabou assim...
Jura, que acabou desta forma? A mãe da Débora sumida continuou e ela nem perguntou kkkkk...
Uai, cadê o resto? A mãe da Débora não vai acordar? E o Cláudio e Alice? Oque vai acontecer com o Augusto? E a Bruno? Lorenzo? E a Mônica? Vai mostrar como ela ficou depois? Débora não vai dizer pra Alice que a mãe delas está viva ? Eu quero maaaaaais!!! ...
mas e a mãe da débora?! que o corpo sumiu?...
Finalmente um final feliz pro Thiago e pra Débora, que agoniante foi ler cada processo de sofrimento e distância dos dois pqp...