Do outro lado da parede de vidro, a cidade já brilhava em neon, deixando a noite ainda mais viva lá fora.
Quando voltei para a casa da família Ribeiro, encontrei o quintal mergulhado em silêncio. Tudo parecia parado demais.
Troquei os sapatos no hall de entrada, entrei e perguntei a uma das funcionárias. Foi só então que descobri que Thiago ainda não tinha voltado para casa.
Mas, dessa vez, eu não me deixei cair naquele ciclo sufocante de desgaste que tinha destruído o meu casamento anterior.
Havia muito tempo eu já entendia que, quando um relacionamento deixa de trazer segurança, insistir nele significa apenas continuar machucando a si mesma.
Respirei fundo, deixei o celular de lado e caminhei em direção ao escritório.
Mesmo decepcionada, mesmo com aquela sensação pesada apertando o meu peito, eu não podia permitir que isso arruinasse tudo o que eu tinha lutado tanto para construir.
Liguei o computador e comecei a organizar as entrevistas que usaria no dia seguinte, empurrando à força aqueles pensamentos caóticos para o fundo da mente.
Enquanto eu me concentrava no trabalho, o celular vibrou de repente. Era uma chamada de voz da Clara.
Atendi, e a voz objetiva dela veio sem rodeios:
— Débora, a reunião com o Bruno amanhã continua de pé?
— E por que não continuaria? — Retruquei, num tom tão tranquilo que até eu mesma me surpreendi.
Clara ficou em silêncio por alguns segundos antes de falar, hesitante:
— Eu ouvi a Eduarda comentar que você anda meio abatida… Que as coisas talvez não estejam muito bem na sua vida amorosa. Fiquei preocupada. A reunião de amanhã é decisiva. Nós penamos para conseguir esse encontro com o Bruno. Essa oportunidade é única, então você não pode vacilar.
Um leve riso escapou dos meus lábios, mas a minha voz permaneceu firme:
— Fica tranquila, Clara. Vida pessoal é uma coisa, trabalho é outra. Eu sei separar muito bem as duas coisas. Amanhã eu vou estar inteira. Não precisa se preocupar.
Do outro lado da linha, quase consegui ouvir o suspiro de alívio dela.
— Ótimo. Eu só estava com medo de que você estivesse emocionalmente abalada. Então vou confirmar o horário certinho com o assistente do Bruno e depois te mando todas as informações.
— Está bem.
Quando a ligação terminou, voltei a concentrar a atenção na tela do computador.
Quando finalmente concluí tudo o que precisava fazer, já passava das onze da noite.
— O Thiago me ligou de madrugada. Disse que tentou falar com você várias vezes e você não atendeu nenhuma ligação. Ele ficou preocupado, achou que pudesse ter acontecido alguma coisa.
Eu não queria deixá-la angustiada à toa, então forcei um sorriso antes de responder:
— Vó, eu dormi cedo ontem. Deixei o celular no silencioso e nem ouvi tocar.
Ao ouvir isso, Dona Joana finalmente pareceu aliviada.
— Ainda bem. Eu já estava ficando preocupada, pensando que tinha acontecido alguma coisa séria. Anda, come enquanto está quente.
Eu voltei a segurar o garfo e continuei o café da manhã em silêncio, com aquela sensação amarga ainda grudada no peito.
Mais tarde, depois de deixar as crianças e voltar de carro para a empresa, o celular tocou novamente.
Era Thiago outra vez.
Lancei apenas um olhar rápido para a tela, recusei a chamada sem hesitar, joguei o celular sobre o banco do passageiro e acelerei em direção à empresa.
Clara tinha marcado a reunião com Bruno para as dez da manhã.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle
Apesar de eu gostar de histórias com finais em aberto, existe uma diferença brutal entre um desfecho aberto intencional e uma ponta solta por incompetência ou preguiça do autor. Na teoria literária, o primeiro é uma escolha artística para gerar reflexão, enquanto o segundo é apenas um plot hole. Nessa história o que não falta são pontas soltas, falhas de roteiro, sinto que a história acabou antes do que a autora desejasse que fosse o fim. E quanto aos pais biológicos de Débora? E quanto aos paradeiro de sua mãe? Essas e outras questões me deixam com essa sensação. A história não oferece elementos para que o leitor teorize o final. Fica evidente que a autora se encurralou em um mistério tão complexo que ela mesmo não soube como resolver, optando por cortar a cena ou encerrar a história de forma abrupta para "fugir" do problema....
Num outro aplicativo tem mais sobre o casamento, mas mesmo assim a história ficou incompleta,a mãe da Débora não fala se ela morreu quando desapareceu, a Alice não ficou com o Claudio e a Mônica que fim teve na verdade com a mãe dela.Sao detalhes que fez diferença...
Amei esse livro, me prendeu do começo ao fim, porém não acredito que essa história vá terminar assim. Com certeza vai sair mais episódio. Lembro quando comecei a ler era 999 capítulos, depois apareceu mais ate 1010... estou na esperança de sair o resto dessa história. Só uma ressalva, a partir desse capítulos que começa a pagar, está faltando algumas partes... por favor alguém corrige esse erro, pq ate agora não sei o que o Thiago disse para Debóra......
Sério q acaba no capítulo 1010???...
Cadê o capítulo 982??? Vão liberar qdo?...
Mentira que acabou assim...
Jura, que acabou desta forma? A mãe da Débora sumida continuou e ela nem perguntou kkkkk...
Uai, cadê o resto? A mãe da Débora não vai acordar? E o Cláudio e Alice? Oque vai acontecer com o Augusto? E a Bruno? Lorenzo? E a Mônica? Vai mostrar como ela ficou depois? Débora não vai dizer pra Alice que a mãe delas está viva ? Eu quero maaaaaais!!! ...
mas e a mãe da débora?! que o corpo sumiu?...
Finalmente um final feliz pro Thiago e pra Débora, que agoniante foi ler cada processo de sofrimento e distância dos dois pqp...