Manhã seguinte…
Melissa
A festa já começou, e é uma loucura deliciosa. Minha menina está vestida de Moana — nada a ver com magia, mas absolutamente adorável. Já meu pequeno está de Batman, seu herói favorito. Quanto a mim? Estou de Malévola, e o Henry… ah, meu mágico está simplesmente um arraso.
Hoje comemoramos o aniversário dos nossos três amores: Mia, Rafael e Rodrigo. É o primeiro aninho dos gêmeos da Bárbara e do Ricardo, e, claro, a festa é em conjunto. Nossa família sempre foi unida, e isso só se fortaleceu ao longo dos anos. Não poderia estar mais feliz com essa fase. A felicidade reina em nosso lar.
Minha mãe está aqui, acompanhada pelo Eduardo. Meu irmão, cunhada e os sobrinhos gêmeos também vieram, o que é um presente à parte. Nossa família tem uma incrível "tradição" de gerar meninos. Ver todos reunidos me enche de alegria. Já fazia tempo que não os via, e eu precisava dessa conexão, desse calor familiar. Minha mãe está sentada, rindo e se emocionando com o show de mágica que Henry preparou para Mia.
Mia está eufórica, batendo palmas e dando gargalhadas enquanto seu pai e Ricardo, vestido de palhaço, se atrapalham no palco. Ela é apaixonada pelo Henry, e não é à toa que dizem que o primeiro amor de uma menina é seu pai. Aqui, esse ditado faz todo sentido. Ele faz tudo por ela, e o brilho nos olhos dela ao olhar para ele é indescritível.
Enquanto Mia está encantada, Pedro está mais na dele, correndo de um lado para o outro com o Edu. Apesar de ser um menino amoroso, ele é desapegado e ciumento ao mesmo tempo. É impossível não notar como ele é a cara do pai. Claro, tem traços meus, mas as feições e, especialmente, os olhos são de Henry. A combinação perfeita. Como Henry sempre diz, somos tão apaixonados que nossa princesa saiu parecida comigo e nosso príncipe com ele. É curioso e encantador ao mesmo tempo.
Edu é o parceiro ideal para Pedro, dividindo o amor por videogames e futebol. Enquanto isso, Elisângela está com o Rafa nos braços, e eu com o Rodrigo.
— Sabe, Mel, antes de nos darmos bem, eu tinha muito medo de ver minha neta crescer em meio às nossas desavenças. — Comentou Elisângela, observando Mia, que dava gargalhadas no show.
— Sua desavença, né, mãe? — Bárbara brincou, rindo.
— Bárbara! — Repreendi, mas rindo também. — Era nossa desavença, sim. Eu também não a tolerava, dona Elisângela, e já disse isso. Mas, hoje, eu amo você como se fosse minha mãe. Quem diria, hein? — Falei, recebendo um abraço caloroso dela.
— Verdade. Hoje me sinto em casa aqui e na casa da Bárbara. Mas tinha medo de ser rejeitada por Mia, de ela perceber a distância entre nós. — Confessou, sua voz carregada de sinceridade.
— Lidamos com isso antes que se tornasse um problema. E veja agora: Mia nem imagina o que aconteceu. Ela te ama tanto quanto você a ama. — Respondi, tentando tranquilizá-la.
Elisângela sorriu, os olhos marejados.
— Agradeço a você, Melissa, por ter tido paciência e não ter desistido do Henry, mesmo com tudo o que fiz. Vejo que, sem você, meu filho não seria quem é hoje. — Sua voz falhou por um momento, mas ela continuou: — Ele precisava tanto de você…
Bárbara completou com uma leveza que desfez o clima tenso:
— Inimaginável, né, mãe?
— Sim, filha, inimaginável. Hoje vejo o quanto ele cresceu como homem. O amor que vocês têm um pelo outro é lindo. Os olhos dele brilham quando ele está com você, Melissa. Ele se tornou tudo o que eu sempre desejei para ele: um homem de caráter, com uma família linda e responsável. — Ela sorriu, meio incrédula. — Meu Deus, nunca pensei que não fosse de mim, mas de você que ele precisava.
A emoção me tomou, e eu sorri com lágrimas nos olhos.
— Obrigada, dona Elisângela. Eu amo o Henry, sempre amei e sempre vou amar. Bárbara sabe o quanto sofri em silêncio quando nos separamos. Mas vejo que essa queda foi necessária para que aprendêssemos e nos tornássemos pessoas melhores. Hoje, tenho um casamento de verdade, e sou imensamente feliz com ele. Não consigo imaginar minha vida sem esse cabeça-dura.
Antes que pudesse continuar, vi Henry vindo em nossa direção com Mia nos braços. Ele percebeu que eu enxugava as lágrimas.
— Por que está chorando, mamãe? — Perguntou Mia, com sua doçura característica.
— Estou feliz, amor. Muito feliz. — Respondi, abaixando-me para beijar seu rostinho.
— Filha, vou fazer uma mágica para deixar a mamãe ainda mais feliz. — Henry disse, com aquele sorriso travesso que tanto amo.
— Nem precisou de mágica, bastou eu ver vocês. — Brinquei, rindo.
— Papai é um bom mágico? — Perguntei à Mia, que olhou para ele com uma expressão pensativa.
— É… bom, sim. — Respondeu com certa dúvida, arrancando risadas de Henry antes que ele a enchesse de beijos.
— Coisa linda do pai. Te amo, minha princesa.

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