Os olhos de Eduardo ficaram úmidos. Ele deu um leve tapa no ombro do homem e disse:
— Então, eu realmente tenho que agradecer ao meu primo. — Eduardo recompôs o semblante e, olhando para o sol que nascia no horizonte, bradou. — Vamos!
A luz do sol iluminava sua figura alta e firme. A roupa de resgate envolvia suas pernas longas enquanto ele caminhava rumo ao mar.
No meio da multidão, Yasmin o avistou facilmente. Ela gritou:
— Eduardo, toma cuidado!
O homem não se virou, apenas levantou a mão e acenou levemente.
...
A equipe de quase 300 pessoas vasculhou Brighton de forma minuciosa.
Três dias e três noites.
Durante esse tempo, as pernas de Eduardo ficaram tão encharcadas pela água salgada que a pele quase descascava. Ele só tirava pequenos cochilos quando o cansaço era tão grande que o derrubava, mas nunca passavam de meia hora, e logo voltava à busca.
Três dias depois, os mantimentos estavam quase no fim. Ao entardecer, uma sirene ecoou pelo céu de Brighton:
— Atenção, o tsunami voltará a atingir a região nesta noite. Todas as equipes de resgate devem se retirar imediatamente. Atenção, o tsunami voltará a atingir a região nesta noite...
Aquela voz repetia sem parar sobre a cidade. As equipes começaram a evacuar, e depois da nova onda, voltariam.
Eduardo passou a mão no rosto e ficou olhando, sem foco, para os pássaros sobre o mar. Ian era um ser humano, mas os socorristas também eram... Todos tinham famílias, esposas, filhos. O coração doía, mas ele deu a ordem:
— Recuem para os ônibus, vamos para a área segura. Depois que a onda passar, voltamos.
O pôr do sol, como um imenso globo de fogo, pairava sobre o mar. Eduardo vinha no fim da fila, pensando em como explicaria tudo a Yasmin, como a confortaria diante da possibilidade real de perder Ian. Homens não choravam facilmente, mas havia marcas nítidas de lágrimas em seu rosto escurecido pela água e pelo cansaço.
Enquanto se retiravam silenciosamente, Eduardo avistou um estádio de futebol abandonado, iluminado pela luz alaranjada do pôr-do-sol. O portão estava trancado, com cadeados enferrujados, então com certeza ninguém havia entrado ali para procurar ainda.
Eduardo avisou ao líder da equipe que queria verificar o local e disse para levarem Yasmin e deixarem a cidade. O líder discordou, mas Eduardo estava decidido, sentia que aquela era a última chance.
Enquanto o céu escurecia, Eduardo escalou a cerca de arame e entrou no estádio abandonado. Ele tinha medo, sabia o risco, mas havia prometido a Yasmin que encontraria Ian e o levaria para casa.
— Vou te dar um pouco de comida e água primeiro, depois te carrego para fora. O tsunami está chegando de novo.
Os lábios de Ian se moveram. Ele olhava para o mar atrás de Eduardo, e suas pupilas se dilataram.
De repente, uma muralha de água avançou. Destruidora, ensurdecedora, rasgando a terra.
Devastação absoluta.
...
À distância, um pequeno rastro de luz se movia. Os ônibus das equipes de resgate deixavam a cidade em fila, como uma longa serpente luminosa na noite.
Yasmin ainda não tinha embarcado. Ela olhava, imóvel, enquanto a água engolia a cidade, enquanto as ondas monstruosas avançavam...
Então, soltou um grito dilacerante:
— Ian! Eduardo! Ian! Eduardo...

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois que Fui Embora, o Canalha Ficou Louco
Já está uma semana no capítulo 530. Não vão finalizar o livro?...
A história é maravilhosa, mas e as atualizações? GoodNovel lembre-se do seu compromisso com os leitores....
Acho extremamente injusto só liberar duas páginas minúsculas por dia. As primeiras são maiores agora da 370 em diante são muito pequenas. Não é justo. A gente paga pra liberar as páginas para leitura e só recebe isso. Como o valor que eu já paguei pra liberar poderia comprar 2 livros na livraria...
O livro acabou ou não? Parei na página 363...
Acabou??...
Agora me diz porque fazer propaganda de um livro e não postar sequer uma atualização…...