Afastou-o.
— Cinco milhões é muito pouco.-
Jurandir Barros congelou, até esquecendo de discutir o fato de Carina ousar revidar.
Cinco milhões é pouco?
E ainda, cinco milhões por ano!
— Pare de dar desculpas! — Jurandir Barros arregalou os olhos. — Volte já para assinar! Eu vou com você!
A cabeça de Zélia Barros girava mais rápido que a de Jurandir Barros.
Ela enxugou as lágrimas. Os seus olhos giraram. Leonardo era tão rico e poderoso, o que eram cinco milhões para ele?
Tinha que tirar uma boa quantia enquanto a Carina ainda valia dinheiro, para juntar mais para o seu filho!
— Carina. — O rosto de Zélia Barros logo se encheu de sorrisos. — Você ainda não comeu, né? Coma primeiro, a panela acabou de ferver. Coma bastante, olha como você está magra.
Jurandir Barros não entendeu a mudança. Recostou-se descontente no sofá para fumar.
Carina sentou-se.
Ela realmente precisava comer.
Com um metro e sessenta e sete de altura, e peso inferior a cinquenta quilos, estava com desnutrição severa.
Carina pegou os pauzinhos e a tigela. Comia devagar, mas sem deixar nada, escolhendo só os melhores pedaços de carne para comer.
Zélia Barros observava ao lado, e o seu coração doía.
Aquilo era carne de qualidade, ela tinha comprado só isso, ela mesma não teve coragem de comer, pensando em guardar para Léo. E agora deixou a Carina comer tudo!
Antes que pudesse terminar de sofrer, Carina abaixou a tigela e esticou a mão para abrir a gaveta da mesa de centro.
Zélia Barros quase gritou.
— Isso não—
— Não posso comer? — Carina ergueu os olhos.
O olhar dela causou um medo inexplicável em Zélia Barros.
A Carina de hoje era diferente de antes, ela não sabia dizer o que era estranho, só que... fazia com que ela não se atrevesse a falar alto.
— Pode comer, pode comer. — Zélia Barros sorriu, repuxando o rosto. — É que ainda não estão lavados.
Carina levantou-se com o prato nas mãos: — Eu lavo.
Os morangos enormes, gordinhos um a um, exalavam um aroma de frutas.
Sofia adorava comer morangos.
Carina nunca tinha comido.
Ela lavou bem, pegou um e deu uma mordida.
Eram doces e ácidos, e a boca inteira ficou com o cheiro.
Morangos eram tão bons assim.
Não é à toa que Sofia gostava.
Carina abaixou os olhos e deu outra mordida.
Desculpe, irmã.
Desta vez, eu também quero comer o sabor do morango.
...
Um, dois, três...
Zélia Barros escondeu-se à porta da cozinha, contando quantos Carina comera, e não aguentou mais. Correu para dentro e tirou o prato dela: — Deixe alguns para o seu irmão! Ele ainda não comeu!
Carina não falou, apenas a olhou indiferente daquele jeito.
O olhar dela fez Zélia Barros se arrepiar, e ela resmungou enquanto segurava os morangos: — São só alguns morangos, você vai ter muitas oportunidades para comer no futuro, o Leonardo é rico.
Carina continuou sem dizer nada.

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